Há poucos dias tive a divertida oportunidade de acelerar no autódromo Vello Cittá, em São Paulo, praticamente toda a linha AMG disponível no Brasil. Você sabe: a AMG está para a Mercedes-Benz, assim como a ´M´ para a BMW e a ´RS´ para a Audi, ou seja, os carros que trazem essas siglas, são prontos de fábrica para exibir uma performance bem acima da normal. No caso da AMG (braço ultraesportivo da marca da estrela), antigamente nem à Mercedes pertencia. Fundada em 1967 por Hans Werner Aufrecht e Erhard Melcher, essa oficina dos sonhos nasceu da vontade que esses amigos tinham de melhorar aquilo que já beirava à perfeição. Há uns anos a AMG foi adquirida pela MB e hoje é uma empresa paralela e muito lucrativa. Enfim, para quem procura um Mercedes com desempenho extra, o caminho é esse. Daqui em diante alguns resumos pragmáticos dos melhores carros que testei neste ensolarado dia.
S63: um sedã que assusta >> É quase uma insanidade transformar o carro mais luxuoso da Mercedes num esportivo. E o pior é que – apesar do tamanho e do peso -, esse enorme sedã se comporta de uma maneira docemente agressiva. Seu motor V8 biturbo de 550 cv de potência e 90 kgf.m de torque impressiona pelo silêncio e força. A suspensão é pneumática e, ao fazer curvas, as laterais dos assentos inflam para que o seu corpo não saia do lugar… Excepcional automóvel para quem quer luxo com alta performance.


S63 AMG cupê: esporte fino >> Para mim, é o mais charmoso de todos os Mercedes da atualidade. Esse belo cupê de duas portas e três volumes é bastante equilibrado em curvas e rivaliza, por exemplo, com o concorrente alemão, Audi RS5, com a diferença de ser mais arisco, requerendo maior atenção ao se guiar. Sem os controles eletrônicos ativados, devolve um comportamento bem difícil de lidar. Também tem motor 5.5 V8 biturbo de 585 cv. Acelera de 0-100 em 3,9 segundos e, na minha opinião, tem o desenho mais agradável de toda a família AMG. Um legítimo “esporte fino”.



AMG C 63 S: compacto irascível >> Com uma carroceria pequena e aliviada em peso por causa de componentes em alumínio e fibra de carbono, esse esportivo é o novo lançamento da AMG aqui no Brasil. Tem uma agilidade impressionante e o seu motor V8 biturbo 4.0 de 510 cv de força, proporciona excepcional nível de desempenho favorecido pela folgada relação de peso/potência. Além disso, o propulsor doa uma sonoridade emocionante por causa do sistema inteligente de escapamento.


E 63 AMG: o Mercedes mais Mercedes >> Digamos que esse exemplar com sangue nos olhos da Classe E seja o ´pai´ do modelo citado acima. Entre o “C” e esse “E” espetacular, sem dúvida alguma, eu ficaria com o último. Sua carroceria é maior e, apesar do peso e do tamanho superiores, o comportamento é mais equilibrado que o do C 63 S. Tanto em reta quanto em curvas, esse carro é de um refinamento quase indescritível. Figurando como uma evolução das antigas 230E e também herdeiro de todo o requinte das SL 280, arrisco dizer que o E 63 AMG é um dos Mercedes mais espetaculares em todos os aspectos. Carro de uso confortável no dia a dia e raivoso ao extremo na estrada, o atual projeto W213 é a síntese mais exata da essência de um Mercedes-Benz. A bela máquina tem motor V8 biturbo de 5.500 cilindradas, 585 hp e 80 kgf.m de torque.


AMG GT S: um carro que não é um carro… >> Imagine o seguinte: um objeto que tem forma de caneta e escreve como tal, mas que não é uma caneta! Esse é o AMG-GT. Se parece com um carro, tem motor, anda sobre quatro rodas, mas não é – exatamente – um automóvel. O AMG-GT foi criado para combater o Porsche 911 Turbo. Isso já é um motivo honroso. Mais do que isso, ele carrega no seu conjunto todo o cabedal histórico nascido em 1883 com a Benz & Cie. Ele é uma cápsula do tempo que se movimenta em cima de pneus. Se vivos estivessem, Karl Benz e Gottlieb Daimler batizariam com lágrimas a evolução do primeiro automóvel que criaram em 1926.

O detalhe que mais me impressionou no AMG-GT S (mais ainda do que a capacidade brutal de aceleração do motor de 510 cv), foi a sonoridade da máquina. Nunca acelerei algo tão estranhamente bom. Apesar da enorme influência da tecnologia embarcada, ele ´conversa´ com o condutor! O habitáculo é propositalmente localizado na parte de trás e o longo nariz comporta o motor V8 com o som mais especial que já escutei.

A transmissão automática 7G-Dual-Clutch funciona com a rapidez de uma águia e se você ousar usá-la no modo manual (acionando as trocas via borboletas no volante) aí é que o papo fica mais íntimo. O Mercedes AMG-GT S responde imediatamente ao toque no acelerador dando saltos imponentes e assustando nos finais de reta, mas é obediente ao extremo nas curvas e simpático nas respostas de frenagem.

Seu motor não ronca como o de um esportivo comum: ele tilinta trazendo as válvulas aos seus ouvidos, resfolega a poeira histórica da Mercedes até o seu nariz e faz você sorrir à toa como se suspirasse de paixão. Não sei como eles conseguiram, mas esse carro tem alma e voz! E tudo ecoa de dentro pra fora e de fora pra dentro, divertindo e seduzindo como num transe bendito. Dirigir o AMG-GT S é uma mágica que a razão não consegue traduzir… (Fotos: divulgação)







