buru-rodas

Marcas automotivas chinesas começam a navegar em mares tranquilos

No universo do iatismo, o termo “abrir uma perna” significa um aumento expressivo da vantagem (ou distância) em relação aos adversários durante um trecho específico da regata; ou seja, “perna” é a distância delimitada de uma boia até a outra em cada espaço de uma competição à vela.

Analisando os números de vendas de veículos de passeio no Brasil entre janeiro e agosto de 2026, formei uma visão metafórica de uma grande regata com um barco chinês distante “uma perna” dos demais oponentes. Quem já se aventurou a competir em algum esporte à vela, sabe que essa cena posta na realidade é, para não dizer humilhante, um tanto desafiadora. Observar o seu concorrente a centenas de metros de distância à sua frente, equilibrado e avançando rumo à linha de chegada, impávido, sorridente… não é nada fácil mesmo para o atleta mais humilde do planeta.

Até agora, já são mais de 15 marcas chinesas atuando no mercado brasileiro, várias delas em processo de ramificação mais intenso no país, inclusive com instalação de fábrica local. As mais fortes em vendas e alto nível tecnológico são essas: BYD, GWM, CAOA Chery, Omoda & Jaecoo e Geely.

Somente debaixo desse pequeno ´guarda-chuva´ apresentado acima, temos – em novas posições hierárquicas – a Volvo, Lotus, Renault e até a Daimler, esta última, que produz em conjunto com a Denza (que por sua vez, pertence à BYD…), um híbrido espetacular chamado B5.

Um breve comparativo entre as empresas automotivas chinesas e seus modelos eletrificados, versus as marcas tradicionais traz à tona diversas conclusões óbvias: um hiato abissal entre padrões tecnológicos; diferença gritante na percepção visual de qualidade construtiva; absurda discrepância nos prazos de garantia ´de para-choque a para-choque´, e… evidentemente, uma ininteligível disparidade entre tabelas de preços. Tudo com vantagens pró-China.

E o mais incrível é que não surgem reações significativas dos antigos e gigantes ´players´ do mercado! Ao contrário disso: quanto mais as marcas chinesas oferecem luxo, conforto, tecnologia e confiabilidade, as tradicionais retrocedem com atrasos de lançamentos, qualidade inferior e preços altos. Na tentativa de manter-se no ´jogo´, o vale-tudo está tomando proporções inimagináveis. Um exemplo mínimo, mas que diz muito sobre o contexto atual: a japonesa Nissan retirou do seu modelo Kait de entrada, a central multimídia… ou seja, aos olhos do público, oferece agora um SUV compacto ainda mais ´pelado´. Enquanto isso, as marcas chinesas brigam entre si, dando o máximo de tecnologia por preços muito mais acessíveis.

Na regata da sobrevivência automotiva, as cartas náuticas foram modificadas sem aviso prévio. Há barcos de vento em popa, singrando mares em alta velocidade e com total segurança; em contraponto com caravelas antiquadas, com cascos fazendo água e navegando em círculos… (Imagem: Microsoft Designer Creator IA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)