Vincenzo Lancia não foi ´apenas´ um construtor de automóveis e sim, no seu tempo, um engenhoso criador de soluções para um melhoramento da mobilidade sobre rodas. No seu modelo Lancia Lambda, por exemplo, ele introduziu – com pioneirismo nos anos 1920 –, o conceito de monobloco, sistema utilizado até hoje em praticamente todos os carros de passeio do mundo. Foi dele, também, a visão inédita do ganho de comportamento de um automóvel com a utilização de suspensões independentes. No quesito segurança, Vincenzo foi além adotando freios nas quatro rodas, quando o senso comum usava apenas em duas.
Obra prima >> Inesperadamente, esse italiano nascido em Fobello aos 24 de agosto de 1881, faleceu com apenas 56 anos em 15 de fevereiro de 1937, em Turim (Itália). No entanto, ainda chegou a acompanhar a finalização do seu projeto mais bem feito, o Lancia Aprilia Berlinetta Aerodinamica, carro compacto que foi lançado no mesmo mês de sua morte e perdurou em linha até 1949.

Inovações >> Numa época remota, esse Aprilia foi cuidadosamente estudado num túnel de vento a fim de oferecer um coeficiente aerodinâmico excepcional. E isso aconteceu, pois o modelo com um Cx.0,47 surgiu como o veículo de menor resistência ao vento da sua época.
O Aprilia foi feito com o auxílio de Battista Farina no ´Centro Politecnico di Torino´ e começou a ser comercializado em fevereiro de 1937. A primeira série (modelo 238) teve 10.354 unidades vendidas entre 1937–39. Ela vinha com motor V4 de 1.352 cm³, gerando cerca de 47 hp. A segunda série (modelo 438) chegou a 9.728 unidades entre 1939–1949.
Comportamento >> O Lancia Aprilia era compacto e tinha um desenho de beleza singular. Um dos pontos mais charmosos é a ausência da coluna central na carroceria original Berlinetta. Na parte mecânica, o que se pode ressaltar é que o seu novo motor de 4 cilindros em “V” (apesar de somente atingir 130 km/h), atendia muito bem ao conjunto de câmbio preciso, suspensão equilibrada e freios eficazes. A suspensão também era macia.
Mercado >> Esse Lancia foi lançado num momento em que a famosa ´recessão´ norte-americana começava a perder força, dando espaço para novas vendas. A marca italiana apostou num modelo competente, no entanto, mais barato que os grandes carrões da época e ele foi inicialmente oferecido apenas com um tipo de carroceria (Berlinetta, cupê de 4 portas), mas um nicho de clientes mais ricos ainda gostava de exigir desenhos exclusivos para os seus possantes e assim, numa nova abertura de possibilidades, a Lancia ofertou um chassi modular pronto a receber vestimentas diversas, ao gosto do freguês. Desse modo, surgiram interessantes variações criadas pelos estúdios Zagato, Pagani, Bertone e Vignale, com versões sedã, cabriolet e até um Aprilia de corridas, com motor mais forte e mais leve, sem acabamentos internos.

O Lancia Aprilia Berlinetta Aerodinamica consolidou-se como um ótimo carro, cheio de bons princípios tecnológicos e com um carisma envolvente, detalhe que levou a fábrica a comemorar quase 29 mil unidades comercializadas, um excelente número para aquele momento. Historicamente, o simpático carrinho italiano rendeu uma bela homenagem póstuma ao seu criador, o inventivo Vincenzo Lancia.










