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ANÔNIMOS & IMORTAIS. Briggs & Stratton Hybrid: o 1º híbrido flex do mundo

 

A crise do petróleo dos anos 1970 e a temida poluição excessiva gerada por motores a combustão, foi motivo para o surgimento de debates sobre o tema na busca de soluções para os problemas advindos dessas duas questões. Curiosamente, o conceito (talvez o primeiro) de um carro híbrido surgiu de uma empresa que não era fabricante de automóveis. No final da década de ´70 a norte-americana Briggs & Stratton construía algumas máquinas mais simples, como propulsores a ar para cortadores de grama, por exemplo.

Dinheiro & Pesquisas >> Aproveitando um momento onde o governo yankee estava disponibilizando polpudas quantias para pesquisas em energias alternativas, a Briggs & Stratton não perdeu tempo, já que tinha – projeto pronto – um motor de 2 cilindros refrigerado a ar de baixíssima potência (18 cv). Indo mais além do que até imaginasse conseguir, a empresa foi ousada a ponto de desenvolver rapidamente um projeto completo de um carro híbrido.

Nascimento >> Com um propulsor a ar muito avançado (já que era bicombustível, pois podia ser movido com gasolina ou etanol) associado a um motor elétrico alimentado por 12 baterias convencionais, a fabricante pariu o Briggs & Stratton Hybrid, um hatch de tamanho médio, mas com uma característica muito ousada: tinha um terceiro eixo na traseira, totalizando um chassis montado em 6 pneus! Mesmo com esse aporte esdrúxulo na sua estrutura, o modelo era até elegante, com linhas laterais bem limpas, frente larga com 4 faróis embutidos e uma grade horizontal com algumas barras paralelas.

Características >> O Briggs & Stratton Hybrid representou, ao menos por poucos instantes, o carro urbano ideal para um consumidor consciente que já desejava uma mobilidade a custo baixo e sem prejudicar o planeta. Sua carroceria era toda em fibra de vidro e a adoção do terceiro eixo, muito mais do que um enxerto estético, servia apenas para suportar o peso das 12 baterias comuns dispostas no fundo do porta-malas. As rodas eram de magnésio polido, também com desenho discreto e charmoso e a pintura da carroceria era amarela com a parte de baixo toda preta. Um fino filete cor de laranja complementava uma composição que podia não ser bela, mas era agradável.

Desempenho >> Esse carro é mais um exemplar muito adequado à nossa galeria de veículos Anônimos & Imortais. Raríssimo, ele nem começou uma carreira, pois as limitações tecnológicas do momento emperraram o que poderia ter sido uma ótima ideia de mobilidade limpa. O ´Calcanhar de Aquiles´ desse automóvel era o seu conjunto motopropulsor. Tinha, como dito, dois motores: um bicombustível de 2 cilindros refrigerado a ar e mais um elétrico. Em modo somente a combustão, sua velocidade máxima era de apenas 80 km/h; e com funcionamento paralelo a unidade de baterias, ele conseguia uma máxima (precária) de apenas 109 km/h, no entanto, esse não era o maior problema e sim a autonomia que não chegava, sequer, a 50 quilômetros após uma carga completa que durava a noite inteira para ser efetuada… (Fábio Amorim/Fotos: divulgação)