Quando apareceu em destaque no Salão do Automóvel de Londres, em 1957, o Lotus Elite chamou muita atenção pelo seu belo desenho e pelo impressionante coeficiente de arrasto aerodinâmico de 0.29, muito baixo para os padrões da época. Como novidade técnica, ele trazia um monobloco quase todo fabricado em fibra de vidro. Colin Chapman, engenheiro e criador da equipe de corridas Lotus, produziu esse protótipo em 1957 repetindo a sua velha (e eficaz) fórmula: peso baixíssimo com motor esperto, mas de pequeno volume, uma equação que mantinha a agilidade de todos os modelos da marca inglesa.
O bonito Lotus Elite tinha suspensão independente nas quatro rodas e um esqueleto de aço congregado à estrutura de fibra para sustentar o motor, a caixa de câmbio e os pontos de fixação de portas e suspensões. Era bem construído, com peso equilibrado entre os eixos dianteiro e traseiro, mas, infelizmente, um pouco frágil. Em alguns casos de esforço extremo, a carroceria de fibra de vidro chegava a trincar, um perigo para qualquer veículo, ainda mais quando se tratava de um esportivo de performance apimentada.
Seu pequeno motor Coventry Climax Straight de 1.200 cilindradas (1,2 litro) e quatro cilindros, rendia apenas 105 hp de potência, no entanto, a estrutura levíssima da carroceria (pouco mais de 500 kg) dava ao Lotus Elite uma agilidade de coelho, característica que proporcionou ao pequeno bólido nada menos que seis vitórias nas 24 Horas de Le Mans, evidentemente, dentro da sua categoria.
Esse carro até hoje é cobiçado por colecionadores e tinha alguns detalhes inacreditáveis. O primeiro refere-se ao seu mecanismo de direção, que vinha aparafusado – sem intervenções como calços de borracha ou buchas, por exemplo – diretamente no monobloco. Essa característica típica de carros de corrida não foi observada por Colin Chapman como um problema e sim como um traço fiel e necessário a qualquer Lotus, mas isso causava incômodo, pois o mecanismo gerava barulho dentro da cabine.
Outra minúcia do Elite eram as suas janelas. Por causa de um inusitado desenho curvo, os vidros não conseguiam ficar embutidos nas portas. A solução era retirá-los e guardá-los atrás dos bancos em duas bolsas de couro feitas pela própria fábrica.
Com uma carreira que durou oficialmente entre o período de 1958 até 1963, por suas numerosas vitórias nas pistas e pela sua elegante silhueta, o Lotus Elite fez bela carreira e marcou seu lugar na história. Sua aceleração de 0-100 acontecia em pouco mais de 12 segundos e a velocidade máxima (com o motor original, sem preparação especial) era de 185 km/h. Esse raro inglês deixou saudade e hoje é bem cotado em leilões de carros antigos mundo afora. (Fábio Amorim/Fotos: divulgação)












