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CLÁSSICO DA SEMANA: Armstrong Siddeley Hurricane (1946-1953)

Durante algum tempo realizando fusões com outras empresas, o conglomerado inglês ´Hawker Siddeley´ passou por várias atuações distintas até começar a trabalhar no ramo de produção automotiva. Isso se deu no final da Segunda Guerra Mundial, aonde se iniciou a construção dos automóveis da marca “Armstrong Siddeley”.

Ao término desse confronto bélico, um dos primeiros modelos lançados foi o ´Hurricane´ (Furacão, em inglês), um cupê conversível com carroceria de duas portas, projetado para comportar até quatro pessoas.

Parte técnica >> O Armstrong Siddeley Hurricane foi fabricado oficialmente entre 1946 e 1953, mas surgiu já em 1945, experimentalmente, baseado no modelo Lancaster. Seu chassi (que tinha o defeito crônico de enferrujar na parte traseira) oferecia suspensão dianteira independente com barras de torção e eixo traseiro montado com molas helicoidais.

Motorização >> As primeiras fornadas do Hurricane vieram equipadas com um motor de 2 litros (1.991 cm³) e 4 cilindros. O volume dos pistões era pequeno, daí, sua potência limitada apenas a 70 hp. Essa unidade possuía as válvulas no cabeçote e ficou durante 3 anos em linha. Em 1949 o fabricante decidiu fazer um up-grade na motorização. Apesar da escolha de um bloco de 6 cilindros, as mudanças geraram apenas um ligeiro aumento da cilindrada para 2.309 cm³ (2.3 litros) e uma modesta ampliação da potência, que saltou dos 70 para 75 cv.

Estrutura >> Como a maioria dos veículos da época, esse carro era feito de maneira bem artesanal. A carroceria era de aço e os moldes internos geralmente recebiam acabamento de madeira e metal, com utilização de ferro e alumínio.

Vida curta >> Entre 1946 e 1953 foram feitas pouco mais de 2.500 unidades do Armstrong Siddeley Hurricane. Ele era um bom carro, feito com projeto tradicional e reconhecida robustez; e até oferecia charmes extras com opções diferentes de carrocerias (fechada com teto rígido de aço e conversível com capota de lona), mas a concorrência nessa época era grande, pois a maioria das empresas britânicas tinha intuito, também, de exportar veículos ao mercado norte-americano, daí, a existência do Hurricane não foi lá muito fácil.

Curiosidades >> Pesado e lento, esse modelo tinha velocidade final limitada em apenas 120 km/h e, em testes de arrancada, ele demorava quase meio minuto para sair da imobilidade e atingir os 100 km/h!

Outro detalhe técnico muito peculiar dele era a sua caixa de transmissão opcional “Wilson”, que trazia um inteligente sistema pré-seletor das marchas, funcionando desse jeito: o condutor escolhia as trocas por intermédio de uma alavanca manual e depois, para executar – de fato – as mudanças, utilizava uma espécie de pedal incomum que eliminava o modo de embreagem tradicional. Isso deixava as trocas mais suaves que as feitas em caixas de câmbio comuns e tornou-se um sucesso tão grande, que a ideia foi revendida para carros de corrida, utilitários de grande porte e até para veículos militares.

Estranho, mas competente, não muito belo, porém, honesto nos seus propósitos, o Armstrong Siddeley Hurricane tem o seu lugar cativo na galeria de clássicos inesquecíveis. (Fábio Amorim/Fotos: divulgação)