É inimaginável pensar que o esforço de uma vida do engenheiro Joseph Ganz e o consequente aperfeiçoamento de um projeto simples por Ferdinand Porsche – com a produção em massa do VolksWagen, o “carro do povo” – fossem gerar frutos tão incríveis. O Fusca (Coccinelle na França, Maggiolino na Itália, Beetle nos EUA…), pode ser considerado o veículo de maior sucesso da indústria automotiva global até hoje.
História >> Dono de um carisma impressionante, no Brasil o Fusca tem uma passagem curiosa: ele saiu de linha em 1986. Após um pedido do ex-Presidente Itamar Franco, retornou entre agosto de 1993 e, já obsoleto em relação aos concorrentes, em 1996, definitivamente foi descontinuado. No México a produção de um modelo praticamente idêntico ao nosso, resistiu às evoluções tecnológicas até o ano de 2003. Dados de fabricação indicam que, no total, foram produzidos 21 milhões, 529 mil e 464 unidades do adorável carrinho de origem alemã.

Evolução >> Você lembra: em 1998, numa cartada de mestre de algum gênio do marketing, o New Beetle trouxe à tona o mito de linhas arredondas e faróis que mais parecem olhos bem abertos. O “Fusca” moderno, feito a partir de uma fusão de um Audi A3 com o veterano Volkswagen Golf, fez muito sucesso pelo mundo e, apesar de chegar aqui por um preço salgado quando comparado ao porte do veículo, até que vendeu bem. O tal New Beetle por um breve momento saltou para uma nova geração e a VW encurtou o nome, rebatizando-o apenas de Beetle.

Enfim… o neto do Fusca! >> Para manter viva a memória desse automóvel adorado por milhões de pessoas, a VW outra vez reinventou a lenda e, para agradar aos fãs de diversos países, adotou os nomes mais conhecidos em cada local. No nosso caso, o novo Fusca agora é Fusca novamente! Excetuando-se as linhas curvas da carroceria, as similaridades começam e terminam por aí, já que a nova máquina nada tem a ver com aquele carrinho de chassi com tubo central, semieixos oscilantes e motor refrigerado a ar.

Revendo conceitos >> O Fusca 2013 mantém a receita que deu certo e o compartilhamento de peças e conceitos (do Audi A3 e Golf) continuam a fornecer vida ao modelo. No mercado nacional ele chega em duas versões: uma com câmbio manual (R$ 76.600 de preço sugerido) e outra mais completa por R$ 80.990. Esta última traz o conforto da transmissão “DSG”, um conjunto automático de dupla embreagem que doa rapidez e comodidade nas trocas de marcha. A cereja do bolo é o motor 2.0 turbo TSi com 200 hp de potência, um propulsor moderno que já é agradabilíssimo na linha Passat/Jetta/Tiguan. No Fusca, um presente de ouro para quem gosta de carros espertos.

Se ele falasse, diria: “eu sou demais!” >> A nova máquina da VW está mais baixa, no entanto, ganhou em largura e comprimento. E isso é nítido aos olhos pelo porte mais imponente do carro. As dimensões mudaram, mas o estilo é o mesmo: linhas curvas e divertidas e charme em traços inconfundíveis. Comodidades como faróis de gás xenônio, sensores de estacionamento (frontal e traseiro), som da renomada marca Fender e conforto interno com bom acabamento, diferenciam o Fusca de outros esportivos. A suspensão é do tipo McPherson e há controle de estabilidade e tração para auxiliar o equilíbrio em situações que possam levar o carro ao limite. Freios ABS (antitravamento) e um bom pacote de airbags (frontais e laterais) complementam a segurança.

Você, o cara diferente do condomínio >> Se pretendes passar despercebido pelas ruas… então compre um sedã caretão e seja feliz. Se estás a fim de chegar e ser visto, o Fusca é ótima opção. Os faróis redondos continuam sorrindo na frente e as lanternas traseiras com iluminação em forma de “C” dão mais destaque à carroceria. Por dentro, couro, imitação de fibra de carbono, bancos anatômicos e ergonomia bem ajustada dão o tom a um ambiente, no mínimo, diferente. Não é um Fusquinha “retrô” ou coisa que o valha: o novo Fusca é uma recriação de bom gosto, uma evolução de geração, um novo caminho na história da marca. Quando a minha memória afetiva relembra do barulhinho do motor (que eu ouvia encaixado lá naquele buraco atrás do banco traseiro dos “velhos” Fuscas) e o sorriso do meu Pai pelo retrovisor…, não consigo fundir o novo com o antigo, o eficaz com o obsoleto; apenas revivo uma saudade renovada de alegria e sempre intensa, assim como o novo Fusquinha… (Fotos: divulgação)






