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CLÁSSICO DA SEMANA: Austin 7, o inglês popular de maior sucesso

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Mesmo com a sua empresa em processo de concordata, Sir. Herbert Austin investiu dinheiro do próprio bolso para dar continuidade ao projeto de realização de um antigo sonho: fabricar um ´carro do povo´, um minúsculo veículo popular que atendesse, principalmente, às pessoas que não tinham muito poder aquisitivo. Seu inovador automóvel não obteve o sucesso estrondoso do VW Fusca ou do Ford T, por exemplo, mas, sem dúvida, consagrou-se como um dos compactos de maior êxito de toda história automotiva.

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Começo >> O Austin 7 foi inicialmente fabricado em 1922 indo até 1939, quando teve a produção interrompida devido ao início da 2ª Grande Guerra. No começo, talvez pelos costumes de época em se consumir, no mínimo, um veículo de porte médio (já que os grandes eram maioria), as pessoas não deram muito crédito ao “Seven”, no entanto, após comprovadas a economia, robustez e versatilidade, o vento de popa começou a soprar na vida do ousado empresário e as vendas fluíram da melhor maneira. A história conta que quase 300 mil unidades desse compacto foram comercializadas na Inglaterra, um feito heróico numa época em que, muitas vezes, um bom carro não conseguia atingir meras 15 mil unidades.

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Sucesso pelo mundo >> É importante ressaltar que a ideia de Herbert Austin foi tão bem aceita que começou a ser exportada. Além de esmagar os concorrentes do Reino Unido, o Austin 7, no bom sentido do lucro capitalista, causou estrago em outros mercados, como os Estados Unidos, França, Alemanha e até Japão, locais aonde foi fabricado e revendido.

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O licenciamento para a produção era concedido e o ´7´ renascia, inclusive com outros nomes. Nos EUA chamou-se Austin 7 mesmo, na França foi rebatizado de “Rosengarts” e no solo germânico, a iniciante BMW o revendia como ´BMW Dixi”, que foi o seu 1º carro. No Japão a coisa foi mais delicada. Os orientais do ´país do sol nascente´, já famosos por copiar ideias motorizadas do ocidente, segundo documentos de época, plagiaram o projeto do Austin 7 e assim começaram a surgir no mundo os primeiros veículos da marca Nissan.

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Raio X da máquina >> O número “7” é uma alusão aos 7,2 hp de potência que as primeiras versões desse carro ostentavam debaixo do capô. A essência desse veículo era a construção ultraleve do seu chassi e demais componentes da carroceria e suspensão, mas, tudo feito para suportar as escassas e mal feitas estradas dos anos ´20 e ´30. Pesando apenas 360 kg, o Austin 7 dava um show de economia e desenvoltura. Apesar de não ultrapassar os 80 km/h, dava conta do recado, indo e vindo, transportando pessoas e cargas sem o menor problema.

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Uma das características desse veículo foi a grande quantidade de carrocerias disponíveis para ´vestir-lhe´ o chassi em formato de “A”. Seu motor possuía 4 cilindros em linha e iniciou com apenas 696 cm³ de cilindrada. Seria hoje em dia conhecido como um “0.7” (com menor deslocamento do que um motor 1.0). Esse primeiro tinha apenas 7,2 cv. Depois, em processo evolutivo, saltou para 747 cm³ e 10,5 cv de força. O bloco era feito de ferro fundido, mas o cárter, numa clara preocupação com o peso e a qualidade construtiva, era de alumínio. Sua caixa de transmissão (com marchas parcialmente sincronizadas) tinha 3 velocidades. Depois ganhou um câmbio melhor de 4 velocidades.

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Sua suspensão traseira era composta por molas elípticas suspensas e, na frente, a solução dava-se por feixe de mola transversal elíptico montado centralmente. Os primeiros veículos da série não vinham, sequer, com amortecedores e os freios (apesar de já atuarem nas quatro rodas) dividiam-se numa operação de acionamento com as mãos para as rodas da frente e com o pé direito para as duas rodas de trás. O esquema de uso da dupla embreagem era mais um segredo a se aprender para se utilizar com perfeição esse revolucionário carrinho.

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Frigir dos ovos >> Esse curioso veículo chamava muita atenção nas ruas e, na maioria dos casos, comportava apenas dois adultos em seu interior, mas, também oferecia versões maiores para quatro pessoas ou microvans para transporte de cargas.             Sir. Herbert Austin jamais se deu por vencido até ver o seu sonho tornar-se realidade. A história conta que o astuto empresário enxergou em Stanley Edge (um desenhista de apenas 18 anos, na época ainda não chamado de “designer”) o talento necessário para ajudá-lo na criação do carro. E assim foi feito.

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A lenda diz que a luxuosa mesa de bilhar na casa de Austin transformou-se na prancheta de desenho de Edge, que cumpriu na arquitetura do carro, exatamente aquilo que o empreendedor desejava. A coisa não parou por aí. Algumas soluções (simples e eficazes de engenharia) que vinham no Austin 7, foram copiadas por fabricantes ingleses de carros de corrida e o sucesso na Europa firmou-se como um dos maiores já obtidos pela indústria automotiva. (Fábio Amorim/Fotos: divulgação)

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