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Capri: de carro doméstico a bólido respeitado nas pistas

Conheça a história deste interessante Ford

Em abril próximo o idolatrado Ford Mustang completará 47 anos de idade. Ícone da pura esportividade, esse veterano pode ser considerado o modelo Ford mais bem sucedido na América do norte, já que ao longo de quase meio século o seu nome transformou-se em fortíssima identidade associada à performance. Mustang é sinônimo de velocidade, e isso basta.

Historicamente, até o início dos anos ´60 a imagem global da Ford já passava estilo agradável e confiabilidade dos seus produtos aos consumidores, no entanto, faltava a produção de veículos mais joviais que transmitissem um universo esportivo mais pujante. Como já dito, nos EUA o Mustang conseguira imprimir a sua presença de maneira avassaldora, fato confirmado com 1 milhão de unidades vendidas em apenas dois anos em território yankee. Faltava agora a conquista do ´velho mundo´. Nesse instante a Ford imaginou e pôs em prática um novo projeto que resultaria, também, num enorme sucesso na Europa: o Capri.

Nova vida

Inicialmente o empreendimento foi batizado de “Projeto Colt”, coisa que mudaria no futuro com a descoberta de que a nipônica Mitsubishi já havia registrado esta palavra. Inspirado na bonita região italiana de “Capri Island”, o veículo recebeu o seu segundo (e definitivo) nome.

Inspirado no sucesso do Mustang, o cupê de medidas compactas começava a surgir dentro de padrões muito mais europeus do que americanos. Deveria ser um carro menor, feito por um custo mais reduzido, mais econômico em consumo de combustível, no entanto, apesar das contenções do momento, tinha que ser avançado tecnologicamente. E assim a Ford o fez. Em 1964 deu-se a ignição do trabalho que viria a ser a primeira geração do Capri.

Para ingleses

Na metade da década de 60, o modelo Lotus Cortina reinava absoluto na Grã-Bretanha. Dentre os poucos carros esporte oferecidos nesta época, ele era o de maior destaque. Sentindo a demanda por veículos desse tipo, a Ford imaginou acertadamente que o Capri poderia ser tão bem sucedido na Europa quanto o Mustang já estava sendo nos Estados Unidos.

Desenho

Em 1964, projetistas americanos e europeus uniram-se para desenvolver as primeiras idéias de criação do Capri. No início de 1966 a Ford promoveu o veículo em “clínicas” nas cidades de Londres, Colônia e Milão. Com maquetes construídas em tamanho real, esses observatórios revelaram uma ótima aceitação do público em relação ao novo carro e isso foi o elemento deflagrador dos experimentos rumo à produção de fato. A partir desse instante, a Ford decidiu investir cerca de 20 milhões de Libras para viabilizar economicamente a chegada do Capri.

Em prática

Depois do desenho aprovado e da ótima ´primeira impressão´, John Hitchman, líder da equipe de engenheiros, desenvolveu protótipos equipados com motores de 1.300 e 2.000 cm³. Por causa da urgência em colocar o projeto em prática, Hitchman não perdeu tempo em desenvolver propulsores específicos para o Capri e sim, aproveitou boas opções já existentes em outras linhas. O motor de 1,3 litro foi herdado do Escort MK1, assim como o 1.600 cm³ e o de 2 litros vieram de outros modelos.

Bem acertado mecanicamente, o Capri já tinha sangue pulsando nas veias. Precisava somente de ajustes de design, já que, curiosamente, em análises e testes com pessoas, notou-se que muitas delas sentiam um pouco de claustrofobia quando sentadas no assento traseiro. A solução foi redesenhar as janelas de trás, dando amplitude e possibilitando a entrada de mais luz nesse compartimento. O resultado (também curioso) é que justamente as janelas problemáticas em forma de “C” ganharam bom destaque plástico, sendo uma das partes mais agradáveis do veículo.

Rumo ao topo

Uma apresentação prévia à imprensa em Bonn (Alemanha) deu-se no dia 21 de janeiro de 1969, no entanto, somente três dias depois, no Salão de Automóvel de Bruxelas, o Capri tornou-se a sensação do momento, muito aplaudido pelos visitantes. Nos próximos 18 anos, por causa de suas características marcantes, como economia, estabilidade e fácil manutenção, o Capri manteve-se sempre com bons números de vendas, permanecendo entre os dez mais vendidos da Europa entre 1969 e 1980, ou seja, com 11 ótimos anos de comercialização.

Fabricado em várias versões, ele iniciou sua vida com motorização de apenas 50hp, que lhe rendia muita economia, mas desempenho bem modesto. Logo no primeiro ano vendeu cerca de 240 mil unidades. Sedentos por mais potência, os consumidores exigiram mais força e a Ford respondeu com o Capri 1700 GT, agora com 75 cavalos e 150 km/h de velocidade final. Esse “GT” vinha com o capô pintado em preto, detalhe esportivo muito utilizado nessa época. A partir daí, a ascensão da potência foi alegrando aos entusiastas da velocidade. Vieram o Capri 2000, 2300 GT (125 a 185cv), 3000 GXL V6 (200km/h), RS 2600, chegando ao Capri II 3.0 (em 1981) e ao 2.8 Turbo.

Nas pistas

Contando com um variado universo de propulsores, boa aerodinâmica e peso relativamente baixo, ele foi um prato cheio para os preparadores de carros de corrida. O veículo chegou a ser equipado com os famosos motores “Cosworth”, além dos seus próprios originais que resultavam – após o ´envenenamento´ – em estonteantes 580 hp de potência! Desse jeito o Capri tornou-se figurinha carimbada nas pistas, fazendo memoráveis participações nas 24 Horas de Le Mans, Spa Francorchamps, Estados Unidos e em várias partes da Europa, com destaque para Portugal. No frigir dos ovos, a história comprovou que o Capri foi um carro doméstico de muito sucesso e, além de cumprir o seu papel principal, tornou-se um bólido respeitado nas pistas. (Fotos: divulgação)

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