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Teste: Honda City Touring satisfaz, mas não seduz tanto… Será que isso basta?

O segmento de sedãs médios e compactos, como é o caso do City, continua a manter o seu público cativo, principalmente aqui no mercado nacional. É bem verdade que os SUVs (utilitários esportivos) hoje dominam acima de todas as categorias na maior parte do mundo, mas há quem goste das composições automotivas clássicas que trazem porta-malas amplo e carroceria bem definida com três volumes.

No Brasil, esse nicho é disputado de maneira aguerrida pela Volkswagen (Virtus), Hyundai (HB20S), Chevrolet (Ônix plus), Nissan (Versa) e também podemos incluir o Fiat Cronos. Conheço bem todos os carros citados acima, mas alguns atributos positivos do Honda City – como a confiabilidade mecânica, custo de manutenção acessível e baixo consumo de combustível – o colocam num patamar um pouco acima da concorrência.

Em alguns dias de ´test-drive´ me impressionei com alguns detalhes dele, como o silêncio ao rodar, a boa visibilidade dos espelhos retrovisores e áreas envidraçadas em geral, ergonomia e, principalmente, baixo consumo. Guiando de maneira leve, é fácil ultrapassar – pelo menos – 10 km/litro em percurso urbano. E isso faz a diferença num país que oferece combustíveis com preços estratosféricos.

Escadinha >> O Honda City é ofertado no Brasil nas versões LX, EX, EXL e Touring, esta última a topo de linha aqui apresentada nessa matéria. Ambas vêm equipadas com o mesmo conjunto mecânico: câmbio automático CVT (continuamente variável com simulação de trocas de 7 marchas) e motor 1.5 flex de 4 cilindros, naturalmente aspirado com potência máxima de 126 cv, torque de 15,8 kgf.m e com injeção direta de combustível. A configuração de entrada, segundo informações contidas no site da Honda do Brasil, começa em R$ 117.500, chegando ao limite de R$ 150.800 na opção mais cara.

O que agrada? >> Seguramente, o silêncio ao rodar em baixas rotações, a boa ergonomia e um padrão muito satisfatório de consumo de combustível, são os três trunfos do Honda City sedã. Boa vedação acústica, ótima visibilidade para o motorista em todos os ângulos e espaço generoso para quatro adultos são outras características positivas desse carro.

Alguns pecados capitais… >> Apesar da inquestionável qualidade dos seus produtos, os veículos da Honda possuem um ponto em comum: ao se cair num buraco, o barulho do impacto é transmitido com estardalhaço para o interior do carro. E isso incomoda. Além dessa questão, o câmbio CVT (quando exigido em altas rotações) parece funcionar em desconexão com o motor. Numa pisada mais forte em retomadas, por exemplo, dá a impressão de que o carro ficou e o propulsor foi embora sozinho. Com o City é assim também, o que é uma pena…

Detalhes técnicos >> O sedã de origem japonesa entrega, sim, um bom conjunto tecnológico e mecânico. O chamado “Honda Sensing” é a pedra preciosa desse aparato, já que reúne eficazes sistemas de assistência ao motorista, utilizando câmeras e radares para monitorar o trânsito e a pista. Isso ajuda a prevenir colisões. O modelo avaliado oferecia Controle de Cruzeiro Adaptativo (ACC), Sistema de Frenagem para Mitigação de Colisão (CMBS) e Sistema de Assistência de Permanência em Faixa (LKAS). Isso é muito importante, principalmente para motoristas distraídos. Vale a pena investir.

Conteúdo >> Homologado para cinco ocupantes, o Honda City Touring tem espaço de sobra para quatro adultos, graças à sua distância de 2,60 m de extre-eixos. Os ocupantes dos assentos traseiros são beneficiados por um assoalho quase plano, com proeminência mínima do túnel central. O porta-malas também é generoso, oferecendo 519 litros de capacidade, e o tanque de combustível comporta 44 litros.

Juízo final… >> Para quem está procurando um sedã médio/compacto nessa faixa de preços até R$ 150.000, o Honda City sedã é uma opção muito interessante. Acelera bem, freia com equilíbrio, proporciona bom padrão de conforto com sua direção elétrica e ar-condicionado digital de duas zonas, mas merecia uma ambientação interna mais moderna. A Honda continua insistindo num tradicionalismo exageradamente conservador. Atualizou o design externo dos seus carros nos últimos cinco anos, mas, por dentro, ainda deixa a desejar.

O painel de instrumentos do City sedã é interessante, pois exibe ambiente digital; mas o restante tem aspecto antiquado, a começar pelo desenho do volante, da tela multimídia ´quadradona´ e das saídas do ar-condicionado com estilo antiquado. Os materiais lembram uma tendência dos anos ´1990 e se posicionam anos-luz atrás, por exemplo, daquilo que os modernos veículos chineses oferecem nesse instante. Mas isso não é um pecado somente da Honda: a Toyota comete o mesmo erro. Os produtos são ótimos, de inegável qualidade, mas o interior ainda emperra em botões esquisitos, teclas e alavancas que já foram extintas pela concorrência.

No geral, um sedã bem agradável para o dia a dia: fácil de estacionar, com usabilidade simplificada e a chancela respeitável da Honda no porta-malas, o que garante boa negociação quando na condição de carro usado. (Fotos: Agência FBA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)