No olho do furacão da pandemia do Covid-19 – mais ou menos na metade do ano de 2020 – a escassez de semicondutores (os famosos ´chip´s´, pecinhas eletrônicas fundamentais na fabricação de veículos modernos) gerou prejuízos bilionários no mundo inteiro, pelo atraso das linhas de produção das montadoras de veículos e de tantas outras empresas de produtos eletrônicos, que necessitam de componentes similares. Muitas delas, inclusive, paralisaram as máquinas por semanas. Isso gerou sufocamento do fluxo de caixa e muitas demissões.
Naquele momento a questão pairava apenas no fato óbvio do estancamento das cadeias de produção pela ausência de mão de obra, afinal, todo mundo estava em casa lidando com aquele inesquecível problema global. Agora a questão é “geopolítica”, digamos assim… e o risco de interrupção generalizada ou em grande escala, está de volta.
A confusão maior ocorre entre os Estados Unidos e a China. Esta última é a maior mineradora de ´terras raras´ do nosso planeta e também, via a empresa Wingtech, proprietária da Nexperia, gigante produtora global de semicondutores. Já faz alguns meses que o governo chinês trava um embate com os EUA por causa das altíssimas tarifas da importação impostas por Donald Trump, que o faz para cumprir promessa de campanha e, logicamente, para proteger o seu próprio mercado.
No furor da temperatura do ringue, os chineses praticamente estancaram as exportações de semicondutores para o mundo inteiro, principalmente aos Estados Unidos. Como um centro importantíssimo na fabricação e distribuição de chip´s (a partir de insumos chineses) o setor automotivo europeu está com as barbas de molho, numa situação delicada que pode gerar largos prejuízos. A ACEA (associação automobilística da União Europeia) já divulgou nota à imprensa especializada externando a sua preocupação.
Numa decisão que também gerou comentários efusivos nas altas rodas dos setores automotivos dos EUA, UE e China, o governo holandês assumiu o controle da ´Nexperia Holanda´ (subsidiária da chinesa Wingtech) a fim de manter uma produção mínimas desses componentes indispensáveis, proteger processos tecnológicos e também livrar-se de possíveis novas sanções dos EUA diretamente contra a Nexperia e outras empresas firmadas na Holanda.
Enfim… o que dá para se perceber nesse caso, de maneira límpida como água, é que a guerra comercial entre China e EUA, está longe de terminar. A China domina a exploração e praticamente todo o processamento da extração das ´terras raras´ até a embalagem e exportação dos chip´s. Os principais fornecedores dos semicondutores já esgotaram os seus estoques e, com muita proximidade, deverá acontecer um sério garroteamento da produção automotiva, começando pela Europa e, gradativamente, estendendo-se ao mundo inteiro.
Gigantes como BMW e Volkswagen já acenderam o sinal de alerta e publicaram que, até agora, suas produções não foram afetadas, mas que, se em poucos dias esse imbróglio não for (ao menos parcialmente) resolvido, aí as paralisações serão inevitáveis. Caso a briga continue por muito tempo, o mercado brasileiro também será afetado. (Imagem: Microsoft Designer Creator IA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)





