Quem já viajou aos Estados Unidos, pôde constatar nos últimos anos que os megarrevendedores de automóveis zero-quilômetro estão, gradativamente, mudando a forma física dos seus negócios de veículos.
Revendas enormes (ainda bem comuns no Brasil) estão dando espaço a novos ambientes muito mais modernos e compactos, como por exemplo, pequenos “showroom´s” em meio a lojas de shopping center´s ou apenas um terreno grande com uma base arquitetônica reduzida – que congrega uma equipe mínima de funcionários – e com todo o estoque de carros novos debaixo do céu, literalmente expostos ao sol e à chuva. Pode observar: já existem alguns revendedores fazendo isso aqui no Brasil. E o motivo é claro: redução de custos.
Com um ambiente menor, os gastos com conta de energia elétrica, manutenção de central de ar-condicionado, limpeza de vastas vitrines, calçadas e telhados enormes… reduzem-se a um terço, ou menos! Muitos concessionários situados em lugares populosos como Tóquio (Japão) e Paris (França), por exemplo, há anos já optaram por revendas ultracompactas de carros novos, reservando os seus serviços de revisão e manutenção em locais mais amplos em bairros periféricos e distantes do centro dessas grandes capitais. A Renault foi pioneira nisso na França e a Honda também iniciou esse movimento no Japão. Outras começam a imitar o que já deu certo.
Já é possível enxergar com os próprios olhos a dificuldade das operações logísticas de entrega de carros novos dos grandes fabricantes aos seus concessionários, principalmente nos centros urbanos. Como no Brasil os produtos, em sua maioria, são escoados por vias terrestres a bordo de grandes caminhões. No caso dos carros, eles chegam nas famosas carretas apelidadas de “cegonhas”; aí a coisa se complica ainda mais, justamente por causa do tamanho desses veículos de transporte que, atados por leis municipais, já não podem circular – muito menos estacionar para descarregar – em vias movimentadas das cidades.
Novas soluções, no entanto, começam a surgir a partir das complicações do processo. Com muita dificuldade, os motoristas dessas carretas optam em parar e descarregar em ruas menos movimentadas, mas a comodidade de ter o caminhão operando em frente à revenda de carros novos, está cada vez mais difícil de acontecer. Proprietários de concessionárias têm utilizado o serviço terceirizado de guinchos do tipo “plataforma” para trazer seus carros da carreta até as lojas. Muitos optam pelo risco de rodar alguns quilômetros com o automóvel zero km pelas movimentadas avenidas, com o seu ´pisca-alerta´ ligado, correndo o perigo de uma colisão ou um indigesto arranhão num veículo ainda sem placa.
No início de 2019 a Fiat foi pioneira numa experiência que ainda persiste em alguns locais do Brasil e começa a ser aceita pelo público. A marca de origem italiana abriu a primeira “concessionária digital” do país. Escolheu a Avenida Pacaembu em São Paulo e chamou muita atenção das pessoas, gerando bons negócios. Ao invés de um prédio enorme e cheio de funcionários, foi disponibilizada uma loja compacta com menos de 300 m² e com o atendimento praticamente 100% digital do começo ao fim da escolha e compra de um carro zero km.
O Brasil ainda tem tradição de lojas grandes com a figura do ´gerente-geral´ para receber os clientes e direcionar o atendimento; assim como o país ainda segue as normas das matrizes no exterior, a exigir padrões arquitetônicos antiquados em estética e tamanho. Mas isso deverá mudar, já que existe, também, uma nova tendência dos grandes ´players´ em eliminar os seus intermediários nas vendas de carros novos, justamente para poder negociar com preços mais baixos, o que é uma maneira de encarar a acirrada concorrência, por exemplo, dos fabricantes chineses.
Fora isso, já existe há muitos anos um movimento fortíssimo nos EUA e Europa de reparadores (oficinas) independentes que desejam – e têm condições de receber e revisar – veículos novos dentro do prazo de garantia de fábrica, mas não o fazem por causa do impedimento das concessionárias que alertam sobre cláusulas contratuais que expõem a perda dessa garantia, caso o carro seja mexido por algum técnico fora da revenda da marca. É outro paradigma que começa a ruir no universo automotivo global. São novos tempos a incomodar antigas posturas… (Imagem: Microsoft Designer Creator IA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)





