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Ofensiva japonesa inclui investimentos na Índia e aposta em novos combustíveis

A Índia – terceiro maior mercado automotivo do mundo, somente atrás da China e EUA – e também o país mais populoso da Terra, é um lugar repleto de contradições: mostra-se uma nação tecnologicamente avançada, pois detém várias ogivas de bombas atômicas e gera diversos dos matemáticos mais proeminentes da atualidade, mas, ao mesmo tempo é a nação com o maior índice de estupros contra mulheres e tornou-se famosa, também, por causa de graves problemas sanitários.

Dentro do segmento automotivo, aquele país tem uma característica peculiar: ainda não se abriu para receber os veículos elétricos chineses, portanto, é um ambiente propício a fornecer bons lucros aos fabricantes de automóveis com motorizações tradicionais a combustão.

Os indianos têm uma queda bem acentuada por motos e carros japoneses. Confiam na tradição e durabilidade das famosas montadoras Toyota, Suzuki e Honda, mais do que qualquer outra marca. Por lá, por exemplo, a Suzuki produz diversos veículos que são vendidos com a chancela “Toyota” na tampa do porta-malas. Essas duas (que detêm a impressionante marca de quase 40% do mercado local de quatro rodas) irão investir cerca de US$ 11 bilhões para impulsionar a produção e a capacidade de exportação dos seus veículos feitos na Índia.

A também tradicionalíssima japonesa Honda, confirmou que fará da Índia uma das suas importantes bases de fabricação e exportação para um dos seus carros elétricos que está em vias de desenvolvimento. Assim como na China, a Índia oferece uma gigantesca força de trabalho a um custo de mão de obra bem menor que nos países ocidentais.

A Índia, tal qual a África do Sul, tentam, mas ainda não conseguiram se firmar como polos industriais automotivos de projeto e fabricação locais. Enquanto isso não acontece, abrem espaço para a chegada de quem já entende do ramo e pretende investir rios de dinheiro por lá.

Outro acontecimento automotivo que chamou bastante atenção essa semana, foi a apresentação da 9ª geração da Hilux, picape média que é (juntamente com o Corolla) o maior sucesso de vendas da Toyota. A marca nipônica, por intermédio de sua filial na Austrália, exibiu a novíssima Hilux, absolutamente mudada em (quase) todos os aspectos. Eu disse “quase”, pois o conhecido e confiável motor turbodiesel 2.8D de 48 válvulas e 4 cilindros, foi mantido no portfólio desse utilitário.

O que mais chamou atenção foi a ampliação dos chamados “trens de força” na nova linha Hilux. A Toyota confirmou que já em 2026 oferecerá uma configuração 100% elétrica alimentada por bateria e com tração 4X4 permanente e, a partir de 2028, chegará uma opção com célula de hidrogênio como combustível. O que “ficou no ar” foi a ausência de uma configuração híbrida plugável, que é a escolha que mais cresce no mercado dos eletrificados hoje em dia. Dentro desse contexto, a Ford anunciou essa semana que em 2027 chegará a picape Ranger híbrida plug-in, inclusive com motor flex desenvolvido pela equipe de engenharia do Brasil.

O que se percebe é um movimento contraofensivo em relação às fabricantes chinesas. Nitidamente, Honda, Suzuki e Toyota “ficaram de molho” somente observando os mercados por um bom período, até longo demais… Perderam muitas vendas para empresas como a Xpeng, Zeekr (Geely), BYD e Chery. Agora tentam participar do jogo dos eletrificados com mais ênfase. Num caminho sem volta, os carros com combustíveis alternativos já viraram uma nova tendência global. E a adaptação, principalmente das grandes e mais tradicionais marcas automotivas, está sendo inevitável. A briga está cada dia melhor e quem ganha com isso são os consumidores, pelo acesso a novos modelos, inéditas tecnologias e preços mais em conta. (Fotomontagem: Agência FBA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)