Dentro do contexto automotivo, o ano de 2025 está terminando do jeito mais óbvio que poderia acontecer: marcas chinesas cada vez mais em alta e ´players´ tradicionais do ramo “se virando nos trinta”, como nunca se pôde imaginar. Existem neste panorama, dois movimentos bem evidentes: a ascensão fortíssima de empresas asiáticas como BYD, Geely e Chery, por exemplo, que vêm ganhando espaço de forma consistente no mercado global, especialmente com foco em veículos elétricos (EVs), híbridos e nas tecnologias autônomas. E o que se percebe no cenário paralelo é uma adaptação bem acelerada das marcas tradicionais, como Volkswagen, Toyota, Ford e Mercedes-Benz (dentre muitas outras…), totalmente pressionadas a inovar e reduzir custos, enfrentando forte concorrência em preço, tecnologia e velocidade de lançamentos.
Como tendência já solidificada, a aceleração pela eletrificação continuará em alta nos próximos anos, assim como, os fabricantes tradicionais – acostumados a trabalhar com enormes margens de lucro e com custos elevados – terão, sob pena de entrarem em processo de extinção, que se modernizar para reduzir os custos de fabricação e aceitar um novo patamar de lucros, evidentemente, mais baixo.
Outro aspecto vital para fabricantes de veículos será o domínio ou, pelo menos, as parcerias sólidas em assuntos relacionados à cadeia de suprimentos de baterias para automóveis eletrificados. Mais um ponto importante a ser considerado na luta pela sobrevivência de qualquer marca automotiva é a chegada (num futuro bem próximo, ressalte-se) das baterias em estado sólido – que serão mais duráveis, demandarão tempo de recarga mais curto e serão menos suscetíveis à incêndios do que as atuais baterias em ´estado líquido´. Essa evolução causará um estrago no valor de revenda de veículos eletrificados usados, mais ´antigos´, equipados com o conjunto tradicional (líquido).
A luta ferrenha contra a ofensiva global chinesa – que consegue entregar carros mais baratos em qualquer parte do mundo – forçou os gigantes grupos tradicionais a reestruturar os seus portfólios, investir em novas plataformas para modelos elétricos e, numa proporção jamais vista, a formar alianças para (tentar) recuperar o ritmo das vendas. Também por causa disso, existe a possibilidade de mudança de liderança no ranking global de produção e comercializações. Líderes históricos poderão descer de patamar até o final de 2027 e a perda de posições será motivada por boas ou más participações em regiões de alto fluxo de mercado (China, Brasil, Estados Unidos, Japão, Alemanha…) e pelo alto padrão de tecnologia entregue nos veículos.
Como fatores decisivos (novamente, para a sobrevivência das marcas) estão em primeiro plano a disponibilidade de produção e custo das novas gerações de baterias, capacidade de fabricação em larga escala, excelência em software/OTA, acesso amigável a mercados externos (incluindo tarifas de exportação/importação), custos logísticos suportáveis e política ambiental.
É fácil perceber que fabricar e vender automóveis já não se trata de um processo tão simples quanto era no passado, algo como cozinhar pães quentinhos e repassar aos clientes que tinham poucas opções de escolha. O jogo mudou: a ausência de um simples sensor sonoro de estacionamento dianteiro ou um pacote ADAS incompleto (sem piloto automático adaptativo, por exemplo), se configura como ponto de desistência de compra de um produto. Cada vez mais a procura por veículos completos e seguros se consolida como senso comum, como escolha mais desejada.
O ano de 2026, evidentemente, chegará com mais novidades automotivas e, logicamente, com a concorrência ainda mais acirrada, visto que os chineses ainda não atingiram o ponto desejado de um voo estabilizado de cruzeiro sob um céu de Brigadeiro, já que estão com dificuldades de atuar nos EUA e ainda com rede de concessionários em formação na Europa. Precisarão, portanto, dos próximos dois anos para conseguir o almejado equilíbrio. Para quem gosta de carros e curte, também, verificar o comportamento do mercado, dias incríveis virão no ano que se inicia.
Meu abraço de Feliz Ano Novo! Nos vemos acelerando por aí! (Fotomontagem: Agência FBA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)





