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Luce, a inédita Ferrari elétrica rompe padrões e já chega criando polêmicas

Para quem gosta de carros, o nome ou o som da palavra ´Ferrari´, funciona como um gatilho de adrenalina ligado à velocidade, vitória, beleza estética e exclusividade. Foi assim que o seu fundador Enzo Ferrari, ao longo de décadas, construiu a marca automotiva mais desejada no universo dos automóveis esportivos.

Uma Ferrari passando na rua, de preferência na cor vermelha e com um monstruoso e barulhento motor V8 (ou V12) a combustão, representa para muitos, o símbolo máximo do prazer sobre quatro rodas. Mas as coisas mudam…, o mundo evolui e o mercado exige reposicionamentos das empresas. Será que o público vai aceitar uma Ferrari 100% elétrica e silenciosa?

Recentemente a marca apresentou o inédito modelo Luce, um esportivo totalmente elétrico que simboliza o início de uma nova fase de engenharia e inovação dessa empresa italiana. Nesse instante a Luce representa o ápice da estratégia multienergética da Ferrari, que adota a eletrificação como ferramenta de expansão tecnológica e carimbo da sua própria evolução.

A Luce inaugura um novo segmento alinhado à essência de performance e versatilidade da Ferrari. Do idioma italiano, seu nome representa “luz”, “clareza”, reforçando a ideia de uma filosofia construtiva completamente nova. Os principais componentes, incluindo motores e baterias, foram desenvolvidos internamente, resultando em mais de 60 patentes que garantem controle, exclusividade e suporte de manutenção no futuro.

A carroceria destaca áreas envidraçadas com para-lamas aerodinâmicos ´flutuantes´. Faróis e lanternas são integrados às superfícies e as rodas de 23 e 24 polegadas, são as maiores já usadas numa Ferrari de produção. A interface combina comandos mecânicos de precisão com telas avançadas da Samsung, além de um sistema de áudio com 21 alto-falantes e 3000 W.

Tecnicamente, a Ferrari Luce utiliza plataforma exclusiva e tecnologias, logicamente, herdadas do campo automobilístico da marca. Mesmo com massa de 2260 kg, o modelo entrega um desempenho alucinante: 0-100 km/h em 2,5 s, 310 km/h de velocidade máxima, 1050 cv de força total e autonomia superior a 530 km. A Luce possui quatro motores elétricos, um por roda, bateria de 122 kWh, suspensão ativa derivada do F80 e eixo traseiro direcional.

Um impressionante sistema de som cria uma identidade sonora autêntica desse carro 100% elétrico. É possível sentir e ouvir um ´ronco´ característico de uma Ferrari (mesmo que seja uma releitura adaptada à condição da propulsão elétrica) ou conduzi-la de maneira totalmente silenciosa.

Quanto ao design desse novo supercarro – que é o ponto mais polêmico do projeto – sugiro que, antes de você qualificar a Ferrari Luce como um carro bonito, feio ou desconectado dos princípios de estilo da marca, lembre-se das palavras do personagem Anton Ego, crítico de gastronomia do interessante filme “Ratatouille”, que assim falou: “De certa forma, o trabalho de um crítico é fácil: nos arriscamos pouco e temos prazer em avaliar com superioridade os que nos submetem seu trabalho e reputação. Ganhamos fama em críticas negativas que são divertidas de escrever e ler, mas a dura realidade que nós, críticos, devemos encarar, é que, no quadro geral, a mais simples porcaria talvez seja mais significativa do que a nossa crítica. Mas há vezes em que um crítico arrisca de fato alguma coisa, como quando descobre e defende uma novidade. O mundo costuma ser hostil aos novos talentos, às novas criações. O novo precisa ser incentivado”.

Isso aconteceu depois que Anton Ego frequentou o restaurante Gusteau’s, degustando um delicioso prato feito pelo inseguro cozinheiro Linguini que, na verdade, era guiado por puxões nos cabelos, feitos pelo espetacular chef Remy, um talentosíssimo rato que foi considerado como “o melhor chef de cozinha da França”.

Então…, o que dizer de um projeto desenvolvido pelos melhores profissionais do mundo durante meia década? A Ferrari Luce foi criada por Jony Ive e Marc Newson, integrantes da renomada ´LoveFrom´ em parceria com o ´Ferrari Design Studio´. Partindo do zero, eles desenharam a primeira Ferrari com cinco lugares e com um imenso porta-malas de 600 litros. O objetivo é conquistar clientes que queiram desfrutar, junto aos seus familiares, de novas tecnologias, exclusividade e muita performance vinda de uma Ferrari.

Quando observo a Ferrari Luce, sinto a mesma coisa que me ocorreu quando vi pela primeira vez o Fiat Uno. Ele tinha a carroceria esquisita que lembrava uma ´bota´ e destoava do design de todos os carros na época. Transformou-se num dos maiores casos de sucesso da indústria automotiva global. A metamorfose do tempo transformou aquele patinho feio em lenda italiana. A Ferrari Luce, à primeira vista, causa essa mesma sensação: uma espécie de repulsa estética, um choque de estilos, mas, ao mesmo tempo, um encantamento que somente uma Ferrari consegue exalar… (Fotos: divulgação Ferrari / Instagram: @acelerandoporai.com.br)