Cerca de 50% do mercado nacional é composto de hatches compactos. Deste conjunto, 20% das unidades encontram-se na categoria “popular”, ou seja, veículos que possuem uma medida entre 3,8 e 4,2 m e que custem entre R$ 20 e 30 mil. É justamente nesse intervalo que o Clio se enquadra e, para alavancar suas vendas, a Renault do Brasil fez algumas alterações para mantê-lo vivo na concorrência contra as versões mais simples de Gol, Uno e Palio, considerados os seus principais oponentes.
Ressaltando a economia de combustível e o baixo custo de utilização como trunfos principais, a fabricante francesa indica que o novo Clio 2013 é o seu sexto veículo com etiqueta nível “A” perante a escala de medição do Inmetro. A empresa (que expande sua rede, atualmente com 235 concessionários) aposta em serviços diferenciados para ampliar sua participação no mercado, dentre eles o “Pro +” (ajustes técnicos específicos para frotistas) e o “Renault minuto” (pit stop de manutenção com duração máxima de duas horas).

Novos investimentos >> Segundo Gustavo Schmidt (vice-presidente comercial), a Renault anda bem atualmente. Até o final de outubro, por exemplo, a indústria brasileira havia crescido apenas 7% enquanto a multinacional francesa atingiu 34% de crescimento. Entre 8 de dezembro de 2012 e 7 de fevereiro de 2013 a fábrica de São José dos Pinhais (sul do Brasil) estará fechada para ampliação de sua linha e esse intervalo recheado de investimentos vai garantir, de acordo com Schmidt, um aumento na produção 47 para 60 veículos por hora, o que resulta em mais 100 mil carros ao ano. A produção do Clio não é afetada, já que o modelo é feito na Argentina.

O Clio em destaque >> A Renault diz que as 4 maiores razões de compra do Clio são: 1º) preço; 2º) consumo; 3º) conforto e 4º) design. Esse último ponto deve ser revertido a partir de agora, já que o carro mais barato da marca aqui no Brasil é o primeiro a ostentar o novo padrão global de design da marca. Como você pode verificar nas fotos, principalmente a dianteira mudou bastante: o formato da grade é a estrela do projeto, assim como faróis e para-choques também são novos. A tampa traseira foi redesenhada e outros detalhes do interior como o console central, desenho do painel de instrumentos e tecidos dos bancos também mudaram. A lateral da carroceria permanece a mesma e as rodas (aro 13 e 14 polegadas) também receberam novos traços.

Mimos extras >> O Clio é um modelo simples e de entrada, geralmente o primeiro carro de muitas famílias. A empresa agora quer incrementar o produto e ampliar a sua linha de atuação perante novos clientes. Para isso, lança junto com o carro alguns acessórios que visam equipar melhor o modelo, como por exemplo, os kits “Sport”, “Look” e “Estilo” que envolvem em cada contexto, faróis com máscara negra, spoilers traseiro e dianteiro, capas para retrovisores e saias laterais. Há, também, adesivos para a capota e capô que doam um aspecto mais esportivo.

Motorização >> O executivo Ivantídio Mendes (chefe do projeto do motor desse modelo), assinala que o novo Clio 2013 está mais moderno e econômico. A fábrica extinguiu a possibilidade do motor 1.6. Agora só há Clio zero quilômetro com propulsor 1.0. Para melhorar a performance os pistões foram redesenhados, as novas bielas chegam herdadas do motor Renault 1.2 16V turbo, as bronzinas são novas, assim como a junta do cabeçote também mudou para se adequar à maior taxa de compressão. Como upgrade tecnológico, a unidade de 80 cv (potência máxima com etanol) e 10,5 kgf.m (torque máximo) recebeu o 5º bico injetor (para otimizar a partida a frio) e conta agora com inéditos injetores de pulverização de combustível. A bomba de óleo também é nova e, para colaborar na refrigeração, os pistões recebem uma injeção de óleo por baixo. Segundo Ivantídio, o novo Clio flex 2013 consegue marcas interessantes de consumo: 10,7 km/l (cidade) e até 15,8 km/l (estrada)

Inovações, perdas e ganhos >> Para um popular, o Clio é bem equipado. Equiparado às versões mais simples de VW Gol e Fiats Uno e Palio, ele se impõe com um novo computador de bordo com 8 funções (inédito no segmento e nas faixas de preços iniciais), tem garantia de 3 anos, ganhou tacômetro (medidor que monitora a economia de combustível no painel) e é o mais potente entre os carros “mil” (1.000 cm³).

Um dos pecados é o seguinte: a Renault (em suas apresentações à imprensa) sempre foca a ´segurança´ como assunto fundamental em seus projetos, o que é um paradoxo nesse lançamento, pois, nem como opcional, o novo Clio pode vir com ABS (sistema de freios antitravamento) e airbags (bolsas infláveis), ambos itens obrigatórios por lei a partir de 1º de janeiro de 2014. Outro detalhe ininteligível é o preço do ar-condicionado do novo carro: R$ 2.500, equivalente a 10% do valor do modelo. Enfim…, para quem está buscando um veículo econômico e com manutenção de custo baixo, o Clio se reinventa para manter-se vivo na briga dos hatches compactos. O cardápio é esse: Clio Authentic 1.0 16V (duas portas) R$ 23.290; Authentic 1.0 16V (4 portas) R$ 24.290 e Expression 1.0 16V (4 portas) R$ 24.950.






