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Será que Detroit, a capital do automóvel, vai falir?

Os três grandes fabricantes de automóveis norte-americanos, GM, Ford e Chrysler, hipotecaram tudo que tinham quatro anos atrás e assim conseguiram não falir. Hoje, porém, Detroit (a cidade onde nasceram, tornaram-se bilionários, quase quebraram e estão retornando a uma ótima saúde financeira), está também quase falida. Mas será que vai falir mesmo? É até mesmo muito possível – afinal, ao contrário de suas mais famosas indústrias, a cidade não pode pagar suas dívidas com os veículos que elas fabricam, ou mesmo trazer de volta o quase meio milhão de habitantes que perdeu.

Cidade continua famosa pelo seu importante salão de automóvel. Acima, imagem da gigante que perdeu meio milhão de moradores nos últimos anos

 

Detroit deve quase 20 bilhões de dólares a bancos, aos quais precisaria pagar 1,1 bilhão por ano mas só consegue pagar cerca de cem milhões. Além disso, tem um déficit de 327 milhões em fundos de pensão e debêntures. A cidade estava com tantos problemas que no ano passado teve de tomar emprestados 80 milhões do Bank of America para poder manter sua iluminação pública funcionando.

Sua dívida de impostos estaduais está no limite e a única maneira de arranjar dinheiro é atrair mais trabalhadores e serviços a seus bairros. Na década de cinqüenta, a cidade tinha mais do dobro do que os 700 mil habitantes atuais. Com altas taxas de criminalidade, tem mais gente saindo do que entrando. E na cidade, sem muita vontade de sair, há 18.000 aposentados que recebem dos velhos tempos. Steve Miller, que já conseguiu resolver problemas sérios de outrora grandes empresas, diz que “Mesmo que eles (Detroit) consigam pagar tudo que devem, não terão resolvido todos os seus problemas. As aposentadorias e as obrigações de saúde de uma população de dois milhões não poderão ser resolvidas com apenas 700.000 pessoas.”

O governador de Michigan, Rick Snyder sabe do assunto, simpatiza com todos os envolvidos, mas diz que os problemas são grandes demais. O governador não diz se haverá cortes em aposentadorias e seguro de saúde, mas é provável que esta situação seja aliviada pelo estado. Com um pouco de sorte, uma dívida um pouco menor após a concordata talvez a cidade renasça, como fizeram a GM e a Chrysler, que também passaram isso. O ex-vice presidente da GM, Bob Lutz, acha que a falência de Detroit poderá ter o mesmo caminho da ressurreição dos Três Grandes, desde que as vendas deles continuem a subir, juntamente com o resto da cadeia industrial. “Poderá e deverá ser um novo começo,” diz Lutz. “A partir do zero, mas a vida vai continuar.” (Zé Luiz Vieira/By Tech/Fotos: divulgação)