buru-rodas

Inteligência Artificial já participa da fabricação dos automóveis

Muito tem se falado sobre o papel da Inteligência Artificial (IA) e o receio de milhões de profissionais de todas as áreas que, há algum tempo, temem ser substituídos por máquinas. Acredito que existe um certo exagero na precocidade dessa possibilidade. É bom lembrar que a ´IA´ foi criada por humanos e, pelo menos por enquanto, ainda não funciona ou evolui de maneira autônoma. No universo automotivo ela já está presente em diversas etapas, principalmente, na pré-produção.

Para se ´parir´ qualquer novo automóvel que será fabricado em larga escala, existe, antes de tudo, uma conversa entre diretores de uma marca, que ali discutem detalhes de mercado, foco nos carros da concorrência, custo de produção, público alvo, preço final, dentre outros detalhes. Após esse resumo, engenheiros e designers começam a agir: esboços em antigas pranchetas com lápis e caneta ´nanquim´, pequenas maquetes moldadas em argila exibem as primeiras ideias que vão sendo eliminadas até a chegada de um protótipo no tamanho real, na proporção de 1:1 (um para um).

A partir daí estudos aerodinâmicos são aprofundados e aspectos de ergonomia, arquitetura interna, estrutura eletrônica e de motorização vão se fundindo num rascunho final, que, por sua vez, entra em fase de testes para, enfim, consolidar-se num novo lançamento automotivo. Esse processo ainda existe, custa caro e demanda tempo. A questão é que novas fabricantes, principalmente as chinesas, que começaram copiando tudo de todos e hoje estão brigando pelo protagonismo, conseguiram – com o auxílio da Inteligência Artificial – encurtar esse caminho. Como? Utilizando-se de extensas bibliotecas virtuais com absolutamente todos os dados de erros e acertos de design, tipos de motores, queixas de consumidores, preferências de cor, possibilidades de carrocerias, etc etc…

A belíssima essência da alma humana encontra-se quase em xeque-mate, lutando contra algoritmos que funcionam com estímulos de IA. É a perfeição emocionante de um texto de Camões versus a eletrônica fria e calculista vomitando poesias artificiais que, sim, podem gerar espanto (e até admiração) nos cérebros humanos. Carros em moldes de argila e maquetes com esqueleto de madeira em salas de criação de uma nova máquina motorizada, parecem coisa de ficção científica retratando uma humanidade que já passou. Tudo muito sem sal ou açúcar, pois o mercado exige rapidez e lucros e ações enérgicas contra a concorrência.

Sentar e chorar não é a solução ideal, assim como mergulhar em depressão pela possibilidade da extinção da inteligência humana como viabilizadora de novas ideias, também não. Há muitas décadas que a tecnologia invisível vem salvando vidas pela atuação dos sistemas de segurança automotivos. Tudo isso foi criado por algum cérebro humano e genial, assim como, o nascimento e o aperfeiçoamento da Inteligência Artificial surgiram de uma faísca da sabedoria de alguma pessoa ´de carne e osso´. Teremos que conviver com isso.

Só espero que a cerveja, o filé à parmegiana e uma outra coisa que muito aprecio (mas que a ética, boa educação e o bom senso me proíbem de aqui divulgar…) não sejam substituídos por cápsulas. Enquanto isso, vou fazendo como a água que desce, teimosa, por entre as pedras de uma bela cachoeira: me adaptando para me manter vivo… (Imagem: Microsoft Designer Creator IA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)