buru-rodas

Marcas tradicionais começam a ficar ofuscadas pelos novos ´players´

Consumidores fiéis a determinadas empresas, aqueles com comportamento previsível, já não existem mais. No Brasil, mais ou menos até o ano de 2005, as famosas fabricantes apelidadas de “quatro grandes” (Ford, Volkswagen, Fiat e Chevrolet) detinham o maior pedaço do bolo, com uma folga de fazer os diretores das multinacionais gargalharem de alegria com os polpudos lucros das filiais terceiro-mundistas. Quase tudo mudou.

Quem acompanha de perto o segmento automotivo nacional consegue relembrar com total clareza a chegada de empresas de origem francesa, japonesa e sul-coreana. A Renault, por exemplo, introduziu o Clio, um compacto que talvez seja o veículo mais resistente do planeta. Hyundai e KIA inundaram as estradas brasileiras com o Tucson e a Besta, ambos extremamente duráveis e de baixíssima manutenção. Com força total, as japonesas também se instalaram por aqui: Suzuki, Mitsubishi, Nissan e, principalmente, Toyota e Honda despejaram ótimos produtos nas vitrines nacionais.

Noutro passado inimaginável, quando Citroën e Peugeot eram, de fato, marcas chiques e pouco acessíveis, também vi brilhando nas ruas os imponentes C5 e 508. E, no universo em que só existia a singular constelação das estrelas Corcel, Fusca, 147 e Chevette, foram surgindo nomes estranhos, possibilidades diferentes, preços competitivos. O panorama, enfim, tomou outro rumo.

Olhando mais um pouquinho pelo retrovisor da história automotiva, dá para relembrar uma das marcantes falas do ex-Presidente Fernando Collor que, com ironia e bom humor, chamou os veículos nacionais de “carroças”. Dizem que o fez após guiar um VW Santana… Ressalte-se: foi ele, Collor, que teve a visão de abrir o mercado para os veículos importados. A partir dessa democratização dos carros de luxo, o segmento automotivo brasileiro só fez crescer em qualidade e número de vendas.

Antes disso, não existiam muitas opções nos ´showroom´s´. Tudo era bem definido. Afinal de contas: por que fugir do óbvio e trocar o certo pelo duvidoso? As escolhas sempre ficavam, majoritariamente, entre Ford, Chevrolet, Volkswagen e Fiat. Os outros eram apenas os outros… principalmente num tempo em que não havia as redes sociais, que agora tanto possibilitam o acesso a informações sobre inúmeros produtos.

O momento atual coloca em evidência as novas marcas chinesas. A indústria da China nasceu praticamente na mesma época em que o Brasil começou no ramo, ou seja, nos anos 1950. De lá para cá, apenas continuamos obedecendo ordens das matrizes das marcas em diversas partes do globo. Os chineses assumiram a posição inicial de copiadores e, com muito esforço, atingiram um patamar de ótima excelência fabril. A coisa deu tão certo que agora, para diversificar a renda e sair um pouco do sufoco gerado pela aguerrida concorrência dentro da própria China, algumas marcas estão vendendo tecnologia para a fabricação de carros elétricos e híbridos para famosas e antigas empresas ocidentais. Essa novidade é, ao mesmo tempo, uma surpresa inusitada e mais uma jogada de sucesso dos chineses no incerto cenário automotivo atual. (Fotomontagem: Agência FBA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)