A equação é diretamente proporcional: em países aonde a certeza da punição impera, ante a convicção de que ´tudo geralmente acaba em pizza…´ (caso do Brasil), o comportamento no trânsito é muito mais civilizado. E não há quem me convença do contrário: o jeito com que um povo lida com o trânsito é o termômetro social mais assertivo que pode existir. Dados como IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), ´renda per capita´, mortes por assassinato a cada 100 mil habitantes, parâmetros de PIB, dentre outros indicativos, deixam clara essa realidade entre lugares violentos e não-violentos.
E os números não mentem… Infelizmente, o Brasil ocupa uma posição de destaque quando o assunto é infração de trânsito. Não somente por causa dos acidentes consolidados em si (esses, chamados de ´sinistros´ por órgãos de trânsito e seguradoras), mas pelo comportamento cotidiano ao volante.
As principais infrações de trânsito no Brasil continuam as mesmas: excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas, falta de uso do cinto de segurança, celular ao volante, desobediência às sinalizações, embriaguez por álcool ou outros tipos de drogas. Bem mais comuns do que se possam parecer, os estados de distração ou total desatenção ao volante são muito praticados entre motoristas usuários de medicamentos de ´tarja preta´, que são pegos cometendo sérias infrações em decorrência do estado de torpor causado pelas reações adversas de alguns psicotrópicos.
No geral, para a tristeza de muitas famílias e prejuízo aos cofres públicos – ressalte-se, estes sempre alimentados pelo dinheiro suado dos cidadãos pagadores de impostos – o Brasil anualmente se depara com uma avalanche de problemas relacionados às infrações de trânsito. É uma questão de bom senso (e da falta disso…), de educação doméstica e escolar, de doses cavalares de irresponsabilidade e, como dito no início, certeza quase que absoluta da impunidade ou do cumprimento de penas brandas.
Com dados obtidos no anuário da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Detrans, Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Observatório Nacional de Segurança Viária e HGE Alagoas (hospital geral do Estado de Alagoas), separei alguns índices tenebrosos que continuam ocorrendo anualmente no Brasil em decorrência de um trânsito violento. E você: é um motorista consciente com a sua vida e, principalmente, com a vida alheia?
1) Em 2024, o Brasil registrou mais de 6 mil mortes e 84 mil feridos em acidentes de trânsito.
2) Em média anual, cerca de 150 mil condutores (maioria esmagadora, motociclistas) se tornam “pessoas inválidas” perante o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Portanto, são aposentados precocemente por causa de sequelas oriundas de acidentes de trânsito, sobrecarregando a folha de pagamento dessa instituição pública, pagadora da aposentadoria da população inativa.
3) Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo foram os Estados com maior número de acidentes.
4) Dentre as principais causas de acidentes, as colisões traseiras foram o tipo mais comum entre carros de passeio.
5) A maioria dos acidentes ocorre entre a sexta-feira e o domingo, com prevalência maior nos horários entre 17 e 19h
6) O impacto econômico dos acidentes rodoviários em 2024 foi estimado em mais de R$ 16 bilhões! E a taxa de mortalidade no trânsito brasileiro aumentou 2,3% no último ano.
7) A BR-116 – famosa Rodovia Régis Bittencourt – continua liderando os acidentes no país. Essa via tem movimento de caminhões pesados durante o ano inteiro, praticamente nas 24 horas.
8) A BR-101 – no trecho entre Maceió (AL) e Recife (PE), com sinalização deficiente, péssima construção, inclinações acentuadas e muitas curvas inesperadas, atualmente é a campeã de tombamentos de cargas de caminhões no Brasil.
9) Segundo os dados da PRF, foram registrados 9.483.949 autos de infrações em 2024. O excesso de velocidade (6.561.685 multas) é a principal infração cometida por motoristas brasileiros. O Rio de Janeiro é o Estado campeão em multas: 2,1 milhões de infrações em 2024.
10) As operações de combate à criminalidade realizadas pela PRF em parceria com outras polícias brasileiras, sempre resultam na apreensão de toneladas de maconha, cocaína e crack, além de milhares de comprimidos de anfetamina, armas de fogo e munições. (Imagem: Microsoft Designer Creator IA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)





