Os números que vou expor a seguir são assustadores e, infelizmente, reais, ratificados por dados cruzados entre departamentos de trânsito e hospitais gerais. E sempre são divulgados, também, pela ANAMT (Associação Nacional de Medicina do Trabalho). Vamos lá!
Anualmente, cerca de 35.000 pessoas morrem em acidentes de trânsito no Brasil. São quase 100 óbitos por dia! Quase 1,3 milhão de condutores de motocicletas são hospitalizados por ano e, no total, incluindo as outras categorias da CNH (carteira nacional de habilitação), uma média de 200 mil motoristas são aposentados precocemente por se tornarem inválidos após um acidente. Incluídos nesse mar de sangue, estão vítimas completamente inocentes, como os pedestres, ciclistas, passageiros de vans e ônibus etc.
Diferentemente de países como os Estados Unidos, por exemplo, aonde existem casos de aposentadorias por invalidez com recebimento financeiro proporcional à idade, ou seja, com o ´benefício´ parcial, no Brasil, o “sufocado” INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) paga o valor total da aposentadoria. E isso tem pesado cada vez mais aos cofres públicos, leia-se, ao bolso dos pagadores de impostos. A questão principal é que, apesar de campanhas educativas e outras tantas tentativas de marketing e propaganda, esses números têm crescido.
Quem dirige cotidianamente em grandes centros urbanos no Brasil, testemunha com altíssima frequência algum acidente de trânsito todos os dias. São quatro os principais motivos dessas ocorrências: imprudência associada a excesso de velocidade, uso do celular ao volante, embriaguez por álcool; e distrações oriundas de outros tipos de drogas, incluindo os fortes medicamentos de ´tarja preta´. E assim o caos diário no trânsito brasileiro vai acontecendo meio na surdina, quase que imperceptivelmente.
Muitos motoristas desrespeitam placas e semáforos. Faixas pintadas no asfalto parecem ser um convite às infrações aqui no Brasil. Em determinados pontos urbanos, creio que somente cercas metálicas, guard-rails ou até muros de concreto serviriam para conter o impulso irresponsável de algumas pessoas. Curiosamente, durante um test-drive feito em Berlim (Alemanha), já vi soluções desse tipo: obstáculos físicos que impedem em 100% a possibilidade de uma infração ao volante.
Além dessas soluções mais radicais, a tecnologia, pouco a pouco, segue auxiliando motoristas no mundo inteiro com o intuito primordial de diminuir ou evitar acidentes. Com previsão para ser lançada na China até o final desse ano, uma plataforma de condução 100% autônoma para ´robotáxis´, já se encontra em fase final de testes. O sistema está sendo desenvolvido pela Lotus Robotics e CaoCao Mobility, com apoio da gigante chinesa Geely.
O programa piloto de avaliação e ´calibração´ do sistema está acontecendo desde o início nas cidades de Suzhou e Hangzhou, utilizando tecnologia de direção autônoma de nível 4, ou seja, sem nenhuma intervenção humana. A Lotus Robotics e a CaoCao Mobility já rodaram quase 14.000 km com pleno sucesso nessa colaboração que reúne a tecnologia de direção autônoma da Lotus Robotics com a experiência em transporte compartilhado da CaoCao.
Esse projeto envolve um carro de porte médio não tripulado e com direção totalmente autônoma e, segundo as divulgações dos testes, o modelo demonstrou a segurança e a confiabilidade do sistema. O veículo é capaz de se livrar de situações inesperadas como uma travessia ´relâmpago´ de um pedestre e consegue trafegar em vias urbanas sem dependência de mapas, mas atingindo uma alta precisão de navegação. O sistema também tem auxílio de IA (inteligência artificial).
O futuro, portanto, será esse: avanços tecnológicos que ajudarão na prevenção inteligente de obstáculos, diminuição significativa de acidentes e coordenação operacional da máquina com um mínimo de erros. Enquanto isso, o sangue escorre no asfalto quente, dando o tom da rotineira e tantas vezes cruel, música urbana… (Imagem: Microsoft Designer Creator IA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)