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Reabastecimento do carro pesa cada vez mais no bolso do brasileiro

Apesar do alto nível tecnológico, do uso de materiais mais modernos (e leves) e também de estudos muito mais aprofundados de aerodinâmica, os automóveis modernos não são tão econômicos quanto os consumidores gostariam que fossem.

Um SUV médio compacto com motor flex, por exemplo, consome – em média – 1 litro de gasolina a cada 7 quilômetros percorridos em roteiro urbano. Lembrando que cada litro desse combustível fóssil já chega aos postos brasileiros com 30% de etanol na sua mistura… Se esse mesmo veículo estiver abastecido somente com álcool, o consumo sobe um pouco mais. Numa conta rápida, para se conseguir percorrer 350 quilômetros, serão necessários 50 litros de gasolina. Se cada litro custa R$ 6,39, isso significa um total de R$ 319,50. Custo bem alto por cada quilômetro percorrido, concorda?

Façamos uma comparação com um carro 100% elétrico. Em alguns locais do Brasil, o preço de 1 kWh custa apenas R$ 1,00. Se um modelo compacto possui bateria de 50 kWh, o custo para se recarregar o conjunto é de apenas R$ 50,00. Ao se dividir esse valor por uma autonomia hipotética de 270 quilômetros, teremos pouco menos de R$ 0,19 de gasto por cada quilômetro rodado. Uma economia absurda em relação a um veículo a combustão!

Tenho acompanhado esse panorama de perto e constatado que, até mesmo pessoas com bom poder aquisitivo, hoje em dia, se importam, sim, com o montante de dinheiro desembolsado na hora do reabastecimento do seu veículo no posto de combustível.

Até o momento, pelo menos no Brasil, os veículos híbridos (plugáveis ou não) estão mantendo vantagem de venda em relação aos modelos puramente elétricos. Algumas questões explicam isso: receio de uma superdesvalorização do carro 100% elétrico quando na condição de veículo usado e fora da garantia; falta de infraestrutura na rede de recarga, ainda com pouquíssimos pontos de reabastecimento em ambientes urbanos e menos ainda em trajetos em estradas; e agora (o mais novo ´vilão´…) que é a proibição (ou limitação de permissão) de instalação de box de recarga elétrica residencial, principalmente em subsolos de edifícios. Órgãos como o Corpo de Bombeiros e o CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) levantaram questões de segurança e estão vigilantes quanto às normas de instalações. O assunto já virou até discussão política em câmaras de vereadores Brasil afora…

O ponto principal é a mudança real de comportamento do consumidor brasileiro, que, pouco a pouco, tem migrado para um estilo mais econômico de mobilidade, refletido diretamente na escolha de um veículo eletrificado para o uso no dia a dia. Muito atenta a isso, recentemente a Volvo Cars (empresa de origem sueca, mas hoje pertencente ao conglomerado chinês Geely) abriu a pré-venda do seu novo SUV XC70, um híbrido plug-in (PHEV) que, segundo os dados técnicos preliminares já divulgados pela marca, quando utilizado no seu modo puramente elétrico, tem autonomia superior a 200 km, ou seja, em paralelo à reserva de gasolina para alimentar o motor a combustão, surgirá no mercado como uma das melhores opções híbridas da atualidade.

Como tenho dito constantemente, marcas tradicionais que continuam insistindo em oferecer apenas modelos tradicionais a combustão, tenderão à estagnação e obsolescência. O mundo mudou… (Fotos: divulgação Volvo Cars / Instagram: @acelerandoporai.com.br)