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As “fraquezas” dos sistemas computacionais automotivos

Os automóveis, caminhões e ônibus atuais contêm, em média, entre 20 e 70 computadores, que controlam desde trem de força, freios, direção, aceleração, janelas, portas, etc… Todos estão conectados a uma rede interna. Hackers americanos recentemente fizeram testes para saber exatamente até onde vão as “fraquezas” dessas máquinas e, para que ninguém fique com dúvidas, publicaram os resultados. Os hackers envolvidos nessas pesquisas eram peritos em segurança computacional e levaram meses fazendo suas avaliações. Formaram grupos de trabalho, um dos quais inicialmente interessado em evitar furtos e chegaram à conclusão de que o acesso a veículos pela internet será cada vez mais fácil, pois os veículos estão cada vez mais eletrônicos e parecidos com computadores. 

Opinião >> Rich Modull, CEO da firma de pesquisa de segurança Securosis baseada em Phoenix, no Arizona (EUA), diz que: “Quanto mais tecnologia adicionarem ao veículo, mais oportunidades haverão para que sejam abusadas para efeitos criminosos. A história cada vez mais nos mostra que qualquer coisa com um chip de computador dentro dela é vulnerável”. Nos últimos 25 anos, os fabricantes de automóveis “computarizaram” funções como direção, frenagem, aceleração e mudanças de marchas. Sensores eletrônicos de posição do pedal acelerador, por exemplo, são muito mais confiáveis do que os velhos cabos de aceleração e as peças eletrônicas também reduzem peso e ajudam a economizar combustível.

Ford Escape foi um dos carros que teve o sistema ´invadido´ por hackers

 

Porém, há um outro lado… >> Charlie Miller, engenheiro de segurança baseado em Saint Louis e que trabalha para a ´Twitter´ e seu colega hacker Chris Valasek, diretor de inteligência de uma firma de consultoria de segurança computacional de Pittsburgh, entraram nos sistemas de um Toyota Prius 2010 e de um Ford Escape do mesmo ano através de um porto usado por mecânicos de manutenção. Disse Valasek: “Podíamos controlar direção, frenagem e aceleração até certo ponto, além de cintos de segurança, faróis, buzina, velocímetro e marcador de gasolina”. Ambos usaram um subsídio do governo federal para expor a vulnerabilidade dos computadores dos carros. Valasek e Miller publicaram um relatório inclusive com instruções de como entrar nas redes dos carros e o distribuíram numa convenção de hackers em agosto. Eles disseram que fizeram isso para chamar atenção dos fabricantes ao problema e para que tentassem resolvê-los.

Toyota Prius também foi alvo dos testes para detectar ´janelas´ vulneráveis

A Ford não comentou, além de dar uma declaração dizendo que leva o problema a sério, e de que Miller e Valasek precisaram de acesso físico aos carros para poder fazer o trabalho de ´hacking´. A Toyota disse que aumentou a segurança e que faz testes contínuos para manter-se à frente dos hackers. A companhia diz que seus computadores são programados para reconhecer comandos ruins e rejeitá-los. Há dois anos, pesquisadores das universidades de Washington e da Califórnia, fizeram trabalhos sérios entrando na rede de um carro de tamanho médio de 2009 através de seu celular, Bluetooth e outras conexões sem fio e até mesmo do seu CD-player. Stefan Savage, professor de ciência de computação da Universidade da Califórnia, San Diego, diz que ele e outros pesquisadores conseguiram controlar quase tudo menos a direção do carro. “Podíamos desligar os freios, ‘matar’ o motor e voltar a acionar os freios”. Savage não quis identificar a marca do carro, mas duas pessoas que sabiam do trabalho disseram que o carro era da General Motors com sistema de segurança OnStar, conhecidíssimo por usar tecnologia de celular para avisar automaticamente a ocorrência de um acidente. As pessoas envolvidas não quiseram ser identificadas porque não estavam autorizadas a falar publicamente sobre o assunto. A GM não quis comentar sobre a pesquisa, mas deu uma declaração dizendo que encara o assunto com muita seriedade e procura estratégias para reduzir seu risco. Uma das pessoas na GM disse que os engenheiros inicialmente deixaram de lado o trabalho dos pesquisadores, mas após lerem o relatório rapidamente tentaram fechar ‘buracos’ que davam acesso aos computadores do carro. Savage não crê que criminosos comuns possam ser capazes de tomar controle de carros em futuro próximo. Isso atualmente levaria muito tempo, expertise, dinheiro e muito trabalho para entrar na multiplicidade dos sistemas de computação. “Você está falando de um grupo rarefeito que tem os recursos e o dinheiro necessários”. (Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. / Zé Luiz Viera, By TechTalk / Fotos: divulgação)