Antes de mais nada, um detalhe que vale a pena ser lembrado: o termo SUV vem da abreviatura em inglês ´Sport Utility Vehicle´ (Veículo Utilitário Esportivo). Não somente no Brasil, mas no mundo inteiro, esse foi um dos conceitos automotivos deturpados, já que a maioria dos carros ´utilitários´ denominados de ´SUVs´, são apenas veículos com vocação para a mobilidade familiar e, nem de longe, poderiam ser qualificados como ´esportivos´.
É o caso do Renault Boreal. O modelo de tamanho médio tem espaço de sobra para quatro adultos ou, para dois adultos na frente e três crianças nos assentos de trás. Ótimo para quem quer transportar a família com um bom nível de conforto e trecos de todos os tipos num respeitável porta-malas com excelente capacidade volumétrica. Esse citado compartimento entrega 552 litros e apresenta uma boa modularidade com um fundo falso (que descortina um pavimento inferior). Tem, também, tomada de força e ganchinhos para segurar alças de sacolas. Tudo isso com a comodidade da abertura e fechamento elétrico da tampa do porta-malas.
A relação peso-potência do Renault Kardian é de 9,01 kg para cada ´cavalo´ de força, a partir de uma média entre as potências mostradas a seguir. A massa total é de 1.438 kg e a unidade bicombustível de 4 cilindros e 1.300 cm³ doa entre 156 cv (c/gasolina) e 163 cv (abastecido somente com etanol). Apesar de não ser tão pesado, o Boreal sofre com essa equação, justamente na eficiência energética.
Pisando muito leve no acelerador, a média de consumo em ciclo 100% urbano foi de apenas 4,7 km/litro. É muito pouco para um veículo que está inserido num segmento de “SUVs” médios com trens de força eletrificados, caso das opções chinesas, principalmente das marcas BYD e GWM, com os modelos Song Plus/Pro e Haval H6, respectivamente.
Faço uma observação – muito válida em dias de combustíveis a preços estratosféricos: o Boreal tem um tanque que comporta 50 litros. Levando-se em consideração a minha média obtida durante a avaliação (4,7 km/litro de etanol), esse Renault não oferece nem 250 km de autonomia total. Já o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) aponta 7,8 km/litro de etanol no seu adesivo colado no para-brisa, dado que, pessoalmente, não acredito ser possível de ser atingido em condições normais de condução.
Logicamente, o Boreal é um modelo de concepção tradicional, com motor a combustão, mas esse é um dos motivos que tem levado clientes a optarem por automóveis asiáticos, geralmente híbridos plugáveis (e praticamente na mesma faixa de preço) por serem até – cinco vezes – mais econômicos.
Pontos fortes >> Sem dúvida, há dois detalhes construtivos positivos e relevantes: o seu design é muito agradável, com belas linhas e uma divisão muito exata na distribuição de volumes. O Boreal é bonito por todos os ângulos.
O outro acerto do projeto é a ótima calibração do sistema ADAS, com um funcionamento muito equilibrado entre controlador automático de velocidade (piloto automático adaptativo) e frenagem autônoma. Em conjunto, atuam com bastante precisão. Acredito que seja o melhor sistema do tipo num carro de produção nacional.
No geral… >> O Renault Boreal hoje representa um esforço dessa famosa marca francesa (a menor do ramo dentre as mais tradicionais) em busca de um resgate qualitativo dos seus produtos. A Renault tem essência esportiva, já que foi multicampeã na Fórmula 1, trazendo os resultados desse grande laboratório para os seus veículos. Mas ela conserva algumas características que destoam de novas marcas, como por exemplo, um isolamento acústico pouco eficiente, vibração excessiva (sempre refletida nas alavancas de câmbio) e elevado consumo de combustível.
Falo isso com propriedade, já que uma das máquinas da minha modesta garagem é um instigante Renault Sandero RS. Portanto, o Boreal expõe nesse momento uma nova fase da Renault do Brasil, que hoje é associada à chinesa Geely. O objetivo é mostrar um melhor nível de concepção construtiva para atrair novos compradores ou trazer de volta os antigos clientes.
A “família” Boreal se divide em três opções: Evolution (R$ 179.990); Techno (R$ 199.990) e Iconic (versão testada) por R$ 214.990. A configuração de topo oferece painel e tela multifuncional (ambas com 10 polegadas), sistema de som Harman Kardon, câmera 360 graus, alerta de ponto cego e aviso e correção de manutenção na faixa.
O motor 1.3 turbo-flex atua em parceria com um câmbio automatizado de dupla embreagem e há os modos de condução – Eco/Confort/Sport/Smart/Personalizado – que variam proporcionando mais ou menos entrega de força, mais ou menos economia, etc. As rodas de 19 polegadas são calçadas com pneus 205/55.
Conforto ao rodar, boa equalização dos freios, suspensão macia, teto solar panorâmico, chave com sensor de aproximação (e afastamento), ótima posição de dirigir e avisos emergenciais atentos para pequenas e grandes possibilidades de colisões ou atropelamentos.
O Boreal é muito bem equipado e imponente. No meu entender, só pesou contra nessa balança o alto consumo de combustível em relação a concorrentes diretos, como o Jeep Commander ou Toyota Corola Cross, por exemplo. Produto interessante. Provavelmente, o melhor Renault nacional fabricado até agora… (Fotos: divulgação Agência FBA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)



















