A marca inglesa Bristol começou a fabricar automóveis após a 2ª Guerra Mundial. Curiosamente, um momento histórico gerou – especificamente no modelo Bristol 400 – uma condição incomum, já que esse carro, aparentemente forjado nos escritórios britânicos da empresa, nada mais era do que um alemão BMW 328 com a assinatura da marca da Grã-Bretanha na sua carroceria.
História >> Voltando no tempo encontra-se exatamente o BMW 328 que havia sido bem exportado para a Inglaterra, lá finalizado e vendido sob a marca ´Frazer Nash´. Em meados de 1944/45, a Frazer Nash formou uma joint venture com a Bristol Aircraft Company (uma empresa fabricante de aeronaves) no intuito de começar um grande negócio na área de fabricação de carros.
Executivos dessas duas empresas correram para Munique para verificar as condições da destruída (pois, bombardeada na guerra) fábrica de carros da BMW e lá conseguiram adquirir projetos completos de automóveis e até de motores. Estavam, portanto, com a ´faca e o queijo na mão´ para iniciar uma empreitada na construção de um novo veículo.
Mão na massa >> De posse do material, o engenheiro da BMW, Fritz Friedel, pôde concluir a parte mecânica e o projeto do motor ´328´ finalmente chegou ao fim com um protótipo funcionando em 1946. No ano seguinte a BAC (Bristol Aircraft Company) assumiu o controle acionário desse empreendimento e mudou de nome para ´Bristol Cars´, iniciando então a primeira série do Bristol 400, que melhorou significativamente a partir da 2ª fornada, em 1948.
Inglês ou alemão? >> O veículo “inglês” tinha carroceria bem compacta para os padrões da época e seu desenho era aerodinamicamente competente e com aspecto refinado, sendo exposto na sua maioria das vezes na cor preta. Outras cores usadas foram o verde, cinza, vinho e branco.
O conjunto mecânico era uma cópia descarada dos BMW série 3. O Bristol 400 tinha motor e suspensão dianteira do BMW 328, carroceria ´inspirada´ no 327 e suspensão traseira idêntica à do 326. A cereja do bolo com recheio de falta de personalidade estava na grade dupla e vertical, uma cópia descarada do estilo alemão da BMW. Mesmo assim, com carrocerias variadas feitas pela Zagato, Farina, Hyde e Touring, o Bristol 400 foi aceito no mercado como um bom e robusto automóvel.
Curiosidades >> Mesmo equipado com um motor 2.0 com 6 cilindros em linha, esse carro era lento: precisava de quase 20 segundos para sair da imobilidade aos 100km/h e não passava de 135 km/h de velocidade final. Foi fabricado entre 1947 até 1950. Em 1961, quando a Bristol abandonou os motores BMW 328 ela permaneceu no conceito mecânico híbrido e importado, pois, ao invés de fabricar seus próprios propulsores ou, ao menos utilizar unidades inglesas, optou pelos fortes V8 da norte-americana Chrysler.











