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Campagnola: um lendário guerreiro italiano da Fiat/Iveco

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Herdeiro da tradição off-road Fiat pós-II Guerra, o Campagnola (agora assinado como um legítimo Iveco – marca subsidiária da Fiat) fez muito sucesso na Europa, principalmente na Itália, aonde foi criado, entre 1951 e 1987. Depois de mais de 20 anos dado como descontinuado oficialmente, esse lendário 4X4 renasceu em 2009 a partir de uma versão melhorada do Iveco Massif. Manteve, como desde o início, a sua essência fora-de-estrada e foi concebido para uso profissional em lugares inóspitos.

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Principais características técnicas >> Feito para transportar apenas 4 pessoas, o Iveco Campagnola mantém o autêntico espírito 4×4, mas já foi reprojetado com toques modernos. Sua aparência robusta e extremamente carismática, nasceu da fundição de talentos do estúdio Giugiaro com o ´Centro Stile Fiat´.

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Disponível apenas com 3 portas, o simpático utilitário tem distância entre eixos de 2.452 mm, 4,2 m de comprimento, 1,75 m de largura e 2m de altura. Ele somente sai equipado com o motor Daily 3.0 Euro 4 HPT de 4 cilindros e 16 válvulas. Esse turbodiesel, reconhecido como um dos mais duráveis do mercado, doa 176 hp de potência e tem torque de 40 kgf.m. A distribuição da força às rodas é administrada pela transmissão FPT 2840 de 6 velocidades.

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Estilo e equipamentos >> Disponível nas suas duas cores históricas (Verde Sage e Marfim), o Campagnola oferece recursos mais frequentemente encontrados em carros comuns do que em veículos off-road. O interior tem vidros dianteiros elétricos, estofamento em tecido e couro, ar-condicionado, rádio/CD player e sistema de GPS opcional. Do lado de fora, o logotipo “Opening Edition” é acompanhado de uma plaqueta de identificação que designa a série de produção limitada. Para completar o charmoso estilo despojado, as rodas de ferro são pintadas na mesma cor da carroceria. O Campagnola traz, ainda, dispositivo de bloqueio do diferencial traseiro e freios ABS.

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Tradição Fiat Off-Road >> O retorno deste automóvel em 2009 também fez renascer um antigo slogan publicitário de 1951, ano em que a Fiat lançou a primeira geração: “Ir a qualquer lugar num veículo que não precisa de estrada”. Sem dúvida, a memória das lendárias viaturas militares leves usadas ??durante a II Guerra Mundial, como o Jeep Willys, mostrou-se um horizonte inspirador para a marca italiana. A história do Campagnola, até hoje considerado um ícone da Fiat no ambiente off-road, está ligada na Itália com a do seu irmão gêmeo fabricado pela Alfa Romeo.

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Fiat e Alfa projetaram dois modelos análogos, nomeados em termos militares de “AR 51” (a sigla é uma abreviação para Autoveicoli da Ricognizione e o número uma referência ao seu ano de introdução, 1951), ambos com motores de 1.900 cm³. Para o uso civil, a Fiat escolheu o nome menos agressivo de Campagnola e a sua ´rival´, Alfa Romeo, adotou a nomenclatura “Matta”, algo como o Coringa de um jogo de cartas. Apesar de características técnicas bem similares, somente o Campagnola conseguiu um sucesso extraordinário, enquanto o 4×4 da Alfa foi descontinuado em 1955 com apenas 2.059 unidades produzidas. O fator decisivo para determinar a preferência pelo modelo Fiat foi o seu preço. O Alfa tinha um pouco mais de tecnologia e tornou-se caro demais.

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História e tradição >> O Fiat Campagnola D (desenhado por Dante Giacosa) estreou em 1951 com um preço de 1,6 milhão de Liras. Em novembro deste mesmo ano, ele cruzou a África saindo da Cidade do Cabo para a Argélia em 11 dias, 4 horas e 54 minutos, superando todas as adversidades e estabelecendo um novo recorde mundial. Esse modelo tinha motor a gasolina de 53 hp, transmissão reversa de 4 marchas (2ª, 3ª e 4ª sincronizadas), diferencial traseiro bloqueante e atingia velocidade máxima de 100 km/h. Seu consumo médio era de 12,1 litros à cada 100 quilômetros rodados e ele pesava 1.250 kg.

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Em 1953, recebeu uma nova versão com motor 1.9 a diesel de 40 hp; em 1955 surgiu o Campagnola A (AR 55) com 63 hp (versões a diesel e gasolina) e em 1960 o ´Campagnola B´ já era capaz de transportar 6 pessoas com bagagens. Daí em diante, a evolução continuou até parar em 1973 com 39.086 carros fabricados, dentre os quais, 7.783 movidos a diesel. Em 1974 estreou o novo Campagnola que foi fabricado até 1979. Esse último estava tecnicamente bem avançado e muito mais confortável, conseguindo transportar até 7 pessoas. Seu motor de 4 cilindros em linha (1.995 cm³) oferecia 80 hp e caixa manual de 4 velocidades totalmente sincronizada. No início dos anos ´80 foram lançadas as versões com o teto e laterais em tecido removível.

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O Fiat Campagnola (hoje Iveco Campagnola…) teve um significado muito especial para a Itália do pós-guerra, pois foi fundamental para a reconstrução do país na década de ´50. Era um meio de transporte perfeito para uma nação ainda carente de infra-estrutura viária adequada e ainda está bem vivo na memória dos italianos. Foi usado largamente pelo Exército e pela Defesa Civil daquele belo país. E também se tornou famoso como um ´Papamóvel´, vestindo farda branca e decorado com as insígnias do Vaticano. Foi usado pelos Papas João Paulo II e mais recentemente por Bento XVI. O Campagnola também participou em numerosas missões de paz internacionais em todos os continentes. (Fotos: divulgação)

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