buru-rodas

Carros autônomos: mais seguros, baratos e ´bem educados´

15_a-c-1

Não dá mais pra tratar dos veículos autônomos, elétricos e/ou híbridos como se fossem assuntos do futuro, pois eles são o presente mais racional da mobilidade sobre rodas. Já existem, estão à venda e agradam a quem tem experimentado pioneiramente. Para justificar parte do título desse artigo, a de que os veículos podem ser mais ´bem educados´ do que os seres humanos, me explico com um fato que presenciei recentemente no trânsito de Maceió (AL). Na famosa Av. Fernandes Lima (principal artéria urbana da capital alagoana) vi uma jovem senhora conduzindo um antigo modelo da Citroën e dando um “trancão” num Volkswagen Gol. Fui testemunha ocular: a manobra da moça foi involuntária, sem a menor intenção de prejudicar o outro veículo. Adivinhe qual o desfecho da situação? O (também jovem) condutor do Gol partiu para o revide e só sossegou quando repetiu a manobra para “descontar” o mal feito… Ambos saíram perdendo pelo constrangimento e violência da situação. Assisti tudo bem de perto e, do ocorrido, constatei o que já é sabido: a estupidez é, provavelmente, o traço mais marcante da personalidade humana. Agora vamos às máquinas e às ´inteligências artificiais´ que elas oferecem em nome da segurança no trânsito.

15_a-c-2

Tecnologia >> Tecnicamente, se aquele veículo (da moça) fosse equipado com sensores de ´Alerta de Ponto Cego´ (obrigatório por lei em vários países europeus), nada teria ocorrido, pois ela seria avisada para não praticar a manobra de risco. Alertas de ponto cego funcionam com a presença de uma luz amarela ou cor de laranja em formato triangular nos dois retrovisores externos e, às vezes, até no retrovisor interno também. O mecanismo geralmente é auxiliado por um útil alarme sonoro que age em paralelo com as luzes.

15_a-c-3

Já testei vários carros com esse equipamento e posso afirmar: é o tipo da coisa que, assim como os airbags e os freios ABS, deveria ser exigida dos fabricantes de automóveis pelo governo brasileiro, dada a praticidade e utilidade disso. Além de evitar um ´trancão´, o Alerta de Ponto Cego serve, por exemplo, para não derrubar uma moto ou fugir de uma grave colisão com algum veículo que esteja quase mordendo o seu pescoço sem que você perceba. É um equipamento simples, já plenamente desenvolvido e que poderia ser barateado quando produzido em larga escala.

15_a-c-4

Novos mercados virgens >> O sonho do carro zero quilômetro já não é tão ardente, principalmente, entre a população jovem do primeiro mundo. No Japão, por exemplo, uma parte significativa dos cidadãos entre 18 e 29 anos, antes de pensar em possuir um automóvel, preferem investir o seu dinheiro em tecnologia pessoal (computadores, smartphones…), em viagens e na aquisição de uma residência. O carro vem muito depois. O conceito de veículos compartilhados ou alugados apenas por algumas horas, está mais vivo do que nunca.

15_a-c-5

Marcas pioneiras em veículos autônomos, puramente elétricos ou híbridos continuam investindo bilhões de dólares no aperfeiçoamento dessas tecnologias. Fazem isso porque são boazinhas? Certamente, não. Prefiro acreditar na velha máxima de que “no capitalismo não existe almoço de graça”. As gigantes do setor estão de olho em mercados estupendos – e ainda virgens – que poderão ser atendidos com perfeição e baixo custo. Há milhares de idosos mentalmente sãos, mas conscientes de que já não possuem reflexos para encarar o atual trânsito selvagem das cidades grandes, assim como existem outros milhões de consumidores deficientes visuais e mais uma enorme fatia de possíveis compradores que têm necessidades especiais e, portanto, dificuldade para a locomoção.

A questão geopolítica do uso do petróleo nos combustíveis fósseis que geram energia para os automóveis, por mais força lobista que tenha, logo esbarrará na consciência ambiental que somente cresce nos quatro cantos do mundo, portanto, oferecer veículos mais baratos, quase que totalmente seguros e, com possibilidades de versões autônomas, elétricas ou híbridas, será, simplesmente, uma questão de sobrevivência no mercado e não de escolha. A californiana Tesla atualmente possui os mais belos e eficazes modelos elétricos do mundo. Seus carros ainda são bem caros, mas, se comparados aos preços de apenas meia década passada, já estão bem mais acessíveis. Outras empresas gigantescas, como a General Motors, Toyota (que já investiu US$ 1 bilhão no Uber!), BMW, Mercedes-Benz, Renault, Ford, Volkswagen (que aplicou US$ 300 milhões na Gett, empresa similar a Uber), Hyundai e Volvo, correm a largos passos para finalizar o aperfeiçoamento das suas tecnologias, para poder oferecer carros autônomos quase 100% infalíveis e que, além de poluir pouco, sejam recicláveis ao fim da vida útil.

15_a-c-7

Novas perspectivas >> O mundo evolui e as ideias não param de fervilhar. E no contexto das competições acirradas, vale a máxima “adapte-se ou morra!”. Aqui no nordeste, em Fortaleza (CE) o projeto “VAMO” (de compartilhamento de carros elétricos) está funcionando e crescendo. A titânica empresa Shell desenvolveu um carro-conceito que faz quase 50 km/litro de gasolina. E panoramas radicais abrem-se diante dos nossos olhos: a ´Câmara Baixa do Parlamento holandês´ (espécie de congresso organizado deles) já aprovou a proibição de licenciamento de veículos movidos a gasolina ou óleo diesel a partir de 2025! Percebeu que isso não é papo de futuro? Carros autônomos farão do trânsito um lugar menos hostil, sem trancões, sem ´espertinhos´ furtando a vaga alheia no estacionamento, sem motoristas irresponsáveis que ´furam´ sinais vermelhos, enfim, sem tanta fúria correndo nas veias… (Fotos: divulgação)

15_a-c-8