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Carros elétricos: perdas, ganhos e expectativas…

Consolidação dos elétricos deverá demorar, mas a tendência é irreversível

Exatamente como no mundo da moda, o universo dos veículos automotores sempre se depara com fins de ciclos e superações tecnológicas que aposentam tendências obsoletas, gerando renovação. Isso envolve, principalmente, design, segurança e custos. A chegada gradativa do carro elétrico já está representando um impacto (de costumes e financeiro) perante à realidade dos automóveis a combustão.

Mas a ideia não é nova… No século XIX, mais precisamente em 1898, o genial engenheiro austríaco Ferdinand Porsche desenvolveu e colocou para funcionar o modelo Egger-Lohner C.2 Phaeton, com conjunto motriz 100% elétrico! Não era o único do momento. Outros fabricantes também tentaram, mas a época estava mais propensa a adotar projetos com motores a combustão.

Tempo de recarga e autonomia limitada ainda são dois problemas a serem resolvidos nos novos carros elétricos

Novo panorama >> Sempre acreditei que os híbridos se tornariam maioria nessa nova fase, mas atualmente os modelos totalmente elétricos já começam a aposentar as versões com trens de força misto (motor a combustão associado a um propulsor elétrico).

A única razão disso é o menor custo de produção, já que tanto os componentes dos motores elétricos, quanto as indispensáveis baterias (de íons de lítio), por estarem se avolumando em escala de fabricação, estão caindo de preço. Pois bem… o grande ´lucro´ que a humanidade terá com a adoção de frotas elétricas será a qualidade do ar e a diminuição da poluição sonora.

Motor elétrico é mais leve, eficiente, menor e demanda muito menos manutenção do que um propulsor a combustão.

Outro lado da moeda >> Diversas questões vão além desse aspecto moderninho e ´ecologicamente correto´ de se possuir um veículo 100% elétrico. A feitura dos enormes pacotes de baterias (que pesam, em média, meia tonelada) produz CO2 no seu ciclo de fabricação. O reabastecimento dos carros advém, muitas vezes, de energia com péssima origem (queima de carvão ou óleo diesel). O descarte das baterias também é uma questão ainda sem boas soluções de reciclagem e, por fim, a autonomia dos veículos ainda é um fator limitante quando se pensa em longas viagens por locais sem infraestrutura de postos de reabastecimento, caso do Brasil e maior parte do mundo.

Uma das questões discutidas no universo dos elétricos: a energia de recarga às vezes é proveniente da queima do óleo diesel ou do carvão…

Tempo de mudança >> As mais assertivas bolas de cristal ainda não conseguem prever uma data para a substituição dos veículos a combustão por similares elétricos. Milhares de aviões, navios, trens, ônibus, caminhões, carros, motocicletas, motores estacionários, geradores, usinas termoelétricas… e enormes frotas militares – todos alimentados por combustíveis de origem fóssil – ainda estão em plena atividade nos quatro cantos desse mundão de Deus…

Nesse “sanduíche” de partes elétricas, dá para você ter noção do tamanho do pacote de baterias que pesa cerca de 500 kg!

A tendência dos elétricos, sim, é forte, e os carros estão surgindo como precursores nessa mudança de conceitos, mas a consolidação dessa nova era, certamente vai demorar. Ainda conversaremos muito sobre isso. (Fotos: divulgação BMW e Mercedes-Benz / Instagram: @acelerandoporai.com.br) 

Egger-Lohner C.2 Phaeton: um Porsche elétrico criado no final do século XIX !!