A primeira (e última) vez que um time de futebol conseguiu me arrancar uma lágrima foi em 1982 na Copa da Espanha. Não dá pra esquecer daquele ´Itália 3 X 2 Brasil´ no dia 5 de julho. A ´Squadra Azzurra´ (que venceu a Alemanha na final daquele ano), passou pelo pau do canto na primeira fase, arrastando-se em empates contra a Polônia, Camarões e Peru. O problema é que houve uma pedra no nosso caminho chamada de Paolo Rossi…, o implacável carrasco que marcou os três gols italianos. Não me contive com a eliminação e a inocência dos 12 anos me permitiu chorar. De lá pra cá, confesso: mesmo tendo assistido ao “tetra” e ao pentacampeonato da Seleção, as maiores emoções que vivi em jogos de futebol ocorreram aqui mesmo em Maceió ao torcer pelo CSA em vibrantes duelos contra o Galo da Pajuçara nos anos ´70 e ´80. A época era outra: Pêu, Jorginho Siri, Jacozinho, Zé Preta, dentre outras feras, jogavam bola no pé! Debaixo d´água, com chuteiras de chumbo e sem frescuras adicionais, esses (verdadeiros) titãs do futebol geravam espetáculos dignos. Mas isso passou.
Do mesmo jeito que o futebol (tema que trato em avaliação distanciada, pois não entendo muito do ramo), os automóveis estão cada vez mais perdendo uma espécie de essência viril que servia de intermediadora de emoções entre o condutor e a máquina. Antes da globalização e, portanto, do não-compartilhamento de projetos e filosofias de trabalho, cada marca de carro tinha suas características bem próprias. O barulhinho do fechar de portas da Ford, por exemplo, era único. Assim como o delicioso “cleck” das mudanças de marchas de alguns modelos da Alfa Romeo. Hoje em dia, sem saber, você pode estar guiando um veículo que compartilhe caixa de câmbio, motor, plataforma e centrais eletrônicas com outro da concorrência. O resultado disso? É o mesmo que uma mulher linda que não sabe beijar… Há uma mesmice tão imperativa no setor automotivo atual que o rodar dos carros se confunde, eliminando, por fim, àquela diferenciação que seduzia e instigava a escolha de uma ou outra marca. Volto a falar da Seleção.
Num ato de coragem (enfrentar estradas nacionais não é moleza…), encarei com o Gugão, meu sobrinho, 2.200 quilômetros entre Maceió e Fortaleza. Lá fomos assistir o desarrumado Brasil encarar a ajustada Colômbia de James Rodriguez. Por muita sorte, vencemos! E a viagem foi compensadora. Algumas constatações no bate papo de volta: Fred levou a pior por não receber uma bola redondinha sequer, Neymar foi tirado da Copa por um ´totó´ maldoso (pergunte ao seu Pai o que é isso) e, claramente, o nosso meio de campo esteve ineficaz durante toda a campanha de 2014. Que saudades do Zico, Sócrates e Roberto Dinamite…
O lado bom da aventura veio da França. Concluí um test-drive de longa duração num Citroën C4 Lounge THP. Esse sedã (que custa R$ 80.500 e que venceu o último comparativo feito pela revista “4 Rodas” contra o Chevrolet Cruze, Honda Civic, Toyota Corolla e Nissan Sentra), é um bom exemplo de que algumas ´joint venture´ podem dar certo. A versão THP (top de linha) tem motor 1.6 BMW turbo de 4 cilindros e 165 cv. A unidade entrega silêncio e conforto nas baixas rotações e é feroz quando exigida em trabalhos forçados. Uma delícia de carro: ótima ergonomia, excelente nível de conforto, desempenho excepcional e economia respeitável. Gastei 162 litros de gasolina (outro trunfo: ele não é ´flex´ e fez quase 14 km/l) para ir e voltar do Ceará. Uma bela opção de sedã que me gerou uma surpresa inesperada, bem maior que a indigesta eliminação por 7 X 1…






