buru-rodas

Clássico da semana: De Tomaso Mangusta

Alejandro de Tomaso, piloto de corridas argentino, tinha um sonho e decidiu – a todo custo – realizá-lo. Após experimentar nas pistas diversos tipos de carros, começou sua saga para criar um bólido esportivo realmente diferenciado, com altíssima performance e design inusitado.

Itália via EUA >> No final da década de ´50, De Tomaso mudou-se dos Estados Unidos para a Itália e continuou o seu esforço na busca pelo sucesso. Após mexer por muito tempo em esportivos italianos, dando-lhes vida nova com ajustes especiais de suspensão e ampliação de potência em seus motores, finalmente nasceu a ´De Tomaso Automobili´, empresa que transformaria em realidade os anseios desse incansável argentino.

Início difícil >> O projetista/piloto, caso fosse um homem sem fibra, teria desistido no meio do caminho, já que foram vários os protótipos que não tiveram continuidade e outros tantos projetos que não saíram do lugar. Sua boa hora, no entanto, chegou por intermédio do ´De Tomaso Mangusta´, uma fera de linhas limpas e agressivas criadas pela batuta do designer Giorgetto Giugiaro e do estúdio Ghia.

Sucesso >> Fabricado entre 1967 e 1971, o Mangusta agradou muito pela ótima performance oferecida pelos motores Ford V8. A máquina foi ofertada com propulsores de 4,7 litros (4.728 cm³ e 289 polegadas cúbicas) e 5 litros (4.949 cm³ e 302 polegadas cúbicas), que desenvolviam (na sua maneira mais ´pura´, sem grandes preparações), entre 221 e 306 hp de potência, o que fazia o carro acelerar de zero a 100 km/h em apenas 5,9 segundos e atingir máxima de 250 km/h! Nada mal para um projeto dos anos ´60.

Falhas e vendas >> Produzido artesanalmente e montado um a um, o Mangusta foi bem nas vendas. Dividido (principalmente) entre os mercados da Europa e Estados Unidos, nos 5 anos em que passou ´em linha´, teve uma exata produção de minuciosas 400 unidades. Bem baixinho e largo, o Mangusta vinha com freios a disco nas 4 rodas e tinha duas estranhas portas tipo ´asa de gaivota´ que resguardavam o motor e o compartimento de bagagem. Por pesar apenas 1.185kg e – muitas vezes – ser equipado com motores muito possantes e preparados para corridas, o comportamento desse esportivo metia medo em muita gente, principalmente por uma característica de instabilidade em altas velocidades. Mesmo assim, isso não foi um empecilho para as vendas e o Mangusta pode ser considerado o 1º e mais importante De Tomaso, justamente porque foi o sucesso dele que serviu de catapulta para o bom andamento da De Tomaso Automobili por muito tempo.

Curiosidade >> Bem humorado, Alejandro de Tomaso aproveitou-se de uma situação inusitada para batizar esse carro. Mangusta deriva da palavra ´Mangusto´, um mamífero carnívoro que se alimenta principalmente de cobras. Um acaso fez com que chegasse por engano à fábrica de Alejandro, uma encomenda de vários motores Ford V8 que seriam destinados aos famosos ´Cobra´ de Carrol Shelby. Ele não perdeu tempo e chamou o seu carrão de ´Mangusta´, o devorador de serpentes!