buru-rodas

CLÁSSICO DA SEMANA: Ford Sierra Cosworth RS-500 (1987)

Se você gosta de carros esportivos e, antes disso, de ralis, certamente já ouviu falar no Ford Sierra Cosworth RS-500. Bem sucedido nesse ramo, após várias vitórias em diversos campeonatos tornou-se uma lenda das pistas, inclusive, do WRC (mundial de rali).

O Sierra (convencional) nasceu no início dos anos ´80 para substituir o já cansado Ford Cortina. Exatamente em 1985 a marca norte-americana causou uma surpresa nos fãs ao lançar a versão ´Cosworth RS´, feita em sociedade com a tradicional parceira fabricante de motores de corrida.

O Sierra Cosworth RS passou dois anos sendo testado e ´afinado´ da melhor maneira possível. A Ford precisava obter um veículo pronto à homologação para as corridas de rali do temeroso ´Grupo A´, que reunia as feras mais fortes do segmento. Numa fusão entre o capitalismo norte-americano e o tradicionalismo inglês em provas de competição, os ajustes finais do bólido ficaram por conta do braço esportivo da britânica Aston Martin, especificamente, a equipe de corridas Trickford. Desse jeito, essa máquina com aparência nervosa e estranha (por causa do enorme aerofólio traseiro) ficou definitivamente pronta em 1987.

A Ford fabricou então 500 unidades, número mínimo exigido pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para a aguardada homologação.

Evolução >> As primeiras unidades pré-RS 500 saíram com 204 cv de potência, mas as novas, já equipadas com um turbocompressor Garrett T31/T04 ganharam mais 20 hp na configuração mais ´mansa´ saída de fábrica. Seu motor de 2 litros (1.993 cm³) era uma unidade de 4 cilindros em linha e 16 válvulas. Do tipo que suporta desaforo, após uma preparação mais radical no modelo para ralis, esse propulsor chegava fácil ao triplo da potência! Mesmo em sua roupagem original, os números eram incríveis para um hatchback dos anos ´80: zero a 100 em 5,7 segundos e velocidade máxima arranhando os 250 km/h!

Características >> O Sierra Cosworth RS-500 que iria encarar os obstáculos do WRC, era notavelmente bem preparado. Para suportar os trancos de um torque mais alto, a Ford criou uma linha de montagem diferente que englobava a adoção de caixas de câmbio especiais, feitas pela Borg-Warner. O motor de competição tinha um bloco mais espesso para lidar com os rigores da pista e o resfriamento do conjunto se dava por um radiador de água muito maior, assim como um intercooler de fôlego mais extenso. Seu motor também tinha um segundo conjunto com 4 injetores de combustível, realimentados por uma poderosa bomba de gasolina.

As suspensões eram diferenciadas e muito mais duras que o convencional, com molas e amortecedores de maior capacidade de absorção e reforços de aço e alumínio em toda a estrutura. Apelidado de “cauda de baleia”, o enorme aerofólio traseiro realmente tinha uma função aerodinâmica em altas velocidades. O pára-choque frontal também foi redesenhado para auxiliar na refrigeração e fluxo de ar do motor e cabine.

Frigir dos ovos… >> Essa carismática e apaixonante máquina de corridas foi fabricada apenas em três cores: preto (maioria), branco e azul claro. Das 500 unidades feitas, supõe-se que ainda haja metade delas em perfeito funcionamento, inclusive as de provas de rali que sofriam uma incrível metamorfose, tornando-se verdadeiras cascas de metal despojadas de qualquer item supérfluo de conforto.

Apesar de ser um legítimo Ford, portanto, de origem norte-americana, esse modelo é considerado um carro inglês. Com vida curtíssima (fabricado na Inglaterra apenas entre março e agosto de 1987), o Ford Sierra Cosworth RS-500 segue, pouco a pouco, firmando a sua presença lendária perante os apaixonados pela marca. (Fábio Amorim/Fotos: divulgação)