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CLÁSSICO DA SEMANA: Kurtis Sport, o “foguete” que durou apenas dois anos

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O Kurtis Sport, obra prima de Frank Kurtis, além de se configurar em mais um dos destaques aqui na seção “Clássico da semana”, certamente também vai se integrar à lista dos carros “Anônimos & Imortais” dado o seu obscurantismo aqui no Brasil. Lá fora, principalmente nos Estados Unidos, este conversível foi um dos expoentes mais elogiados no pós-segunda Guerra, pela sua beleza e, principalmente, pela qualidade construtiva. Fabricado apenas entre 1948 e 1950, o Kurtis Sport nasceu da erupção de ideias que fervilhavam na Califórnia no fim dos anos ´40.

Linhas discretas e ótima aerodinâmica eram duas características marcantes
Linhas discretas e ótima aerodinâmica eram duas características marcantes

 

Jovem talento >> Os americanos, sempre apaixonados por carros e corridas, estavam sedentos por novas máquinas e o momento foi muito propício para um entusiasta e talentoso projetista. Americano de nascença, Frank Kurtis, filho de um ferreiro croata, já nos anos ´20 tornou-se um mestre na funilaria, pintura e mecânica. Envolvido desde cedo com o mundo dos automóveis especiais, Frank iniciou sua carreira na “Cadillac Don Lee”, do empresário Donald Musgrave Lee, uma loja especializada na construção de carros personalizados para as estrelas de Hollywood.

Equipado com motor Ford V8, o Kurtis Sport atingia com facilidade os 220 km/h
Equipado com motor Ford V8, o Kurtis Sport atingia com facilidade os 220 km/h

 

Faca e queijo na mão >> Aproveitando o ambiente propício para dar formas aos seus sonhos, Frank Kurtis não somente tornou-se um mestre na arte de moldar e soldar peças de chassi e carroceria, como bebeu na fonte de um dos mais geniais designers do mundo: Harley Earl, futuro chefe de design da General Motors e pai do lendário esportivo Corvette. Harley, cuja família era proprietária da “Earl Automobile Works” (uma empresa de carrocerias) foi generoso com Kurtis, ensinando alguns truques fundamentais da boa construção de um carro, com ênfase no aproveitamento aerodinâmico, como você pode notar pelas formas desse modelo.

Larga faixa de aço escovado servia para proteger a carroceria e também como adorno estético
Larga faixa de aço escovado servia para proteger a carroceria e também como adorno estético

 

Mais um passo >> Após um breve período trabalhado para Howard A. Darrin, ajudando-o a criar a carroceria do Packard Darrins no fim da década de ´30, Frank Kurtis já era um construtor independente de carros para os atores mais exigentes de Hollywood.

Muito charmoso, esse conversível vinha com teto de lona ou de aço escamoteável
Muito charmoso, esse conversível vinha com teto de lona ou de aço escamoteável

Nessa época o projetista começou a fazer sucesso criando o seu primeiro veículo, um carro exclusivo equipado com motor Mercury e feito sob encomenda para Bill Hughes, um rico pecuarista dos EUA. A história conta que Kurtis vendeu esse automóvel por apenas US$ 900 e ficara impressionado com o seu valor de revenda: US$ 3.300 para o segundo dono, chegando a atingir quase US$ 9.000 no repasse para um terceiro proprietário! Essa valorização o motivou, enfim, a criar o que ele desejava que fosse “o carro de passeio insuperável”.

Fabricante disponibilizava o modelo para venda em ´kit´, para ser montado na própria garagem em casa
Fabricante disponibilizava o modelo para venda em ´kit´, para ser montado na própria garagem em casa

 

O nascimento do Kurtis Sport >> Já tido no mercado como o ´Pai da Customização´, F.Kurtis utilizou-se de peças já patenteadas (incluindo o largo uso de motores Ford V8) e traçou um lindo conversível de duas portas com desenho extremamente limpo e privilegiado na aerodinâmica.

Detalhes aproximados do para-choque frontal e da discreta grade com barras horizontais
Detalhes aproximados do para-choque frontal e da discreta grade com barras horizontais

Bem sucedido também no campo das corridas de automóveis, Kurtis utilizou todo o seu conhecimento nesse ramo para embarcar no novo projeto. O resultado não poderia ter sido melhor: centro de gravidade baixo, portanto, com muita estabilidade, pouca torção de carroceria e uma dose necessária de conforto na suspensão para seduzir, principalmente, os clientes norte-americanos.

Interior bem acabado e com amplo espaço: coluna de direção tinha regulagem
Interior bem acabado e com amplo espaço: coluna de direção tinha regulagem

 

Equipamentos >> O Kurtis Sport trazia capota móvel de lona, mas também oferecia um teto rígido escamoteável de aço. Sua caixa de transmissão era oriunda dos veículos da Ford, assim como a maioria dos KS fabricados vinham com motores Ford V8 apimentados com ligeiras preparações para ampliar torque e potência.

Completíssimo: ótimo painel de instrumentos trazia 8 mostradores
Completíssimo: ótimo painel de instrumentos trazia 8 mostradores

O interior mantinha um nível respeitável de luxo e esbanjava espaço para os ocupantes, com couro e aço escovado no acabamento. Destaque para o completíssimo painel de instrumentos (com 8 mostradores) e para a coluna de direção que já trazia possibilidade de ajuste para uma melhor condução.

Motor Ford V8 com cabeçotes Edelbrock: preparo de fábrica para ampliar a potência
Motor Ford V8 com cabeçotes Edelbrock: preparo de fábrica para ampliar a potência

 

Fim da linha >> O carro de Frank Kurtis era bom, bonito e até podia ser comprado em forma de kit para ser montado na própria garagem de casa, mas ele não estava sozinho no mercado. Entre 1948 e 1950, além de surgirem outras opções parecidas, o empresário precisava de uma otimização na sua linha de produção para atender a demanda, coisa que não ocorreu, levando ao fim um ótimo projeto de uma máquina que atingia, com facilidade, mais de 220 km/h sem desconforto.

Veja o traquejo construtivo: saídas dos escapamentos eram integradas ao para-choque traseiro, com canos escondidos
Veja o traquejo construtivo: saídas dos escapamentos eram integradas ao para-choque traseiro, com canos escondidos

 

Curiosidades >> Frank Kurtis era, de fato, talentoso no que fazia. Nos anos ´50 criou carros de corrida para participar da famosa prova “500 Milhas de Indianápolis” e, entre cinco edições que correu (1950-1955), seus bólidos venceram nada menos que quatro vezes!

O talentoso projetista em cartaz que o homenageia no "Hall da fama"
O talentoso projetista em cartaz que o homenageia no “Hall da fama”

Engenhoso como sempre, viu que não conseguiria competir de igual para igual no segmento de conversíveis de luxo, daí partiu para a fabricação de utilitários pesados, usados em sua grande maioria nos serviços de pista em aeroportos mundo afora. (Fotos: divulgação/Motortrend).

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