Certos projetos nascem por acaso, e essa é, mais ou menos, a história do Lotus Esprit, esportivo inglês com carroceria reta e cheia de ângulos radicais. Esse carro ficou em produção durante 28 anos (1976 a 2004), ou seja, pode ser caracterizado como um grande sucesso de público com suas 10.675 unidades construídas.
Mais um desenho italiano >> Colin Chapman (proprietário da inglesa Lotus) desejava, no início dos anos ´70, ingressar com força no mercado dos superesportivos, o dos veículos caros, de produção limitada e, evidentemente, que despertassem paixões pela beleza do desenho e alta performance. O designer italiano, Giorgetto Giugiaro, apresentou-lhe um desenho de um carro esporte com carroceria muito ´limpa´, nariz rebaixado e ângulos retos que instigavam os sentidos de quem o olhava pela primeira vez. Ao ver os croquis do Giugiaro com a proposta de uma estrutura com pintura negra adornada com faixas douradas, Chapman não hesitou em colocar adiante os traços da prancheta para a linha de produção.
Início da carreira >> Montado com jantes de liga leve em formato de ´Cruz de Malta´, o Esprit foi mostrado ao público (apenas como carro-conceito) em 1972, mas, somente no Salão de Paris de 1975, é que o modelo foi oficialmente lançado para entrar na linha de montagem na metade do outro ano, em 1976. A primeira geração do Esprit ficou conhecida como “S1” e, é claro, sua fundamentação mecânica seguiu a velha receita que os ingleses, como Colin Chapman, já usavam: menor resistência possível ao ar e peso mínimo.
Estrutura >> O Esprit S1 foi construído em cima de um chassi de aço preparado para receber uma carroceria de plástico reforçada com fibra de vidro. Tudo junto pesava menos de 1 tonelada. A marca decidiu utilizar o motor Lotus 907, uma unidade de 4 cilindros e 2.000 cm³ que doava (em sua versão original, sem preparações adicionais), 160 cv de potência. Parece pouco, mas essa conjuntura permitia uma aceleração de 0-100 km/h em menos de 8 segundos e uma velocidade final que chegava perto dos 230 km/h.
A Lotus usava uma transmissão de 5 velocidade que já fora aprovada em outros veículos da Maserati e Citroën e, dentre os itens de série, os ótimos freios a disco (nas 4 rodas) garantiam segurança no momento de necessidade de correção em curvas mais rápidas.
007, o garoto propaganda >> Tudo andava bem na vida do Lotus Sprit e ele já começava até a roubar algumas vendas da Ferrari e da Porsche nos Estados Unidos e Europa. Para melhorar a situação, em 1977 o esportivo apareceu numa versão fictícia de submarino no filme “The Spy Who Loved Me” (O espião que me amava), com o agente secreto britânico James Bond, o 007, se desvencilhando dos inimigos dentro de um versátil Lotus que andava até debaixo d´água… As vendas (e a fama) cresceram por isso.

Sucessão de gerações >> Além de Giorgetto Giugiaro, Peter Stevens e Julian Thomson, outros projetistas da Lotus, ajudaram a desenvolver 26 versões diferentes desse carro, que foi, ao longo dos anos, crescendo em qualidade construtiva e tecnologia embarcada e, evidentemente, em potência.
Espetacular nas curvas e com poderoso poder de retomada, no decorrer de sua carreira, o Esprit ganhou turbocompressor e foi sendo montado com materiais muito mais leves, sem esquecer que o seu design foi evoluindo também, adequando-se à cada época até encerrar o ciclo em 2004 com uma versão V8 fortíssima que viria a concluir a história de um ícone inglês que gerou muitos fãs no mundo e que, como vários outros esportivos, foi criado pela inspiração de algum talentoso artista italiano. (Fotos: divulgação)












