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Clássico da semana: Lotus Seven, o inglês peso-pena

O britânico Anthony Colin Bruce Chapman (*9/5/1928 – 16/12/1982), fundador da marca esportiva Lotus Cars, durante várias décadas figurou como um dos mais geniais profissionais do setor automotivo. Pode-se dizer que o ápice da sua carreira ocorreu no final dos anos ´50, data do lançamento da sua maior invenção, o ´Lotus Seven´, espartano carro esporte com carroceria ultraleve e preço baixo.

Nas primeiras versões, peso total não atingia 500 kg

 

Pré-Seven >> Antes de apresentar o Lotus Seven (sua obra prima) ao público, Colin Chapman sempre manteve o foco em aperfeiçoar outros modelos já expostos à venda. O Lotus 6, por exemplo, obteve enorme sucesso entre os amantes de carros rápidos, divertidos e baratos. O “6” agradou demais pelo seu baixo preço e enorme versatilidade, já que era um automóvel de fácil manejo, manutenção bem em conta e, além de servir para o uso cotidiano, era um ótimo competidor em corridas de rua e subidas de montanha. Mas o público queria mais. E teve!

Colin Chapman: criador genial do setor automotivo

 

O lendário ´Seven´ >> Os usuários do Lotus 6 sentiam necessidade de mais potência, estabilidade e segurança em frenagens. Os esforços de Chapman e sua larga experiência oriunda de anos de trabalho na Real Força Aérea Britânica, culminaram no aperfeiçoamento do ´6´ e no inevitável surgimento do seu legendário sucessor.

Versão dos anos ´60 com chamativas rodas amarelas

O Lotus Seven vinha equipado um motor Coventry Climax, um 4 cilindros de apenas 1.172 cm³. Como a massa do Seven era baixa demais (menos de 500 kg nas primeiras versões), a relação peso-potência doava exatamente aquilo que os amantes da velocidade queriam: rapidez e emoção.

Painel espartano: esportividade ao extremo

 

Aperfeiçoamento >> O Seven – que foi fabricado entre 1957 e 1972 – teve os problemas de freios sanados com a adoção de discos nas quatro rodas e a estabilidade melhorou com o uso da suspensão do tipo ´Dion´. No ano de seu lançamento (1957) e em muitos outros posteriores à essa data, o Lotus Seven tornou-se um glorioso vencedor em corridas nas pistas e subidas de montanha contra o relógio.

Bólido preparadíssimo: supercampeão em corridas de todos os tipos

 

Mercado >> Na década de ´50 havia uma lei inglesa que determinava que “carros vendidos em forma de kit ficariam isentos dos impostos de compra”. Dessa maneira, o astuto Chapman começou a comercializar o Seven com grande sucesso. As partes se encaixavam com geometria perfeita no painel e no chassi tubular de aço. Com pouco trabalho, o comprador tinha ao seu desfrute um incrível conversível que era pura diversão.

Mais uma visão do interior simplificado do Seven

 

Evolução e problemas >> As suspensões do Seven ganharam aperfeiçoamento recebendo ´enxertos´ do Nash Metropolitan e o motor foi herdado dos Ford Anglia e Prefect. Ao gosto do cliente, havia a possibilidade de o bólido vir com motores BMC-A (do Austin) ou Climax. Excepcionalmente estável em curvas e com ótima aceleração, ele sempre agradou mais do que decepcionou, mas, como nem tudo é perfeito, a máquina tinha um “calcanhar-de-aquiles”: seu chassi de ferro e aço tinha uma tendência a enferrujar e, em várias ocasiões, o carro chegava a rachar, literalmente desabando!

Versão moderníssima do eterno clássico

 

Multiplicação >> Juntamente com o Allard e o AC Cobra, o Lotus Seven foi um dos esportivos mais replicados do mundo. Após 1972 (fim da sua fabricação), dezenas de pequenas empresas, além de diversos apaixonados individuais em suas garagens, copiaram o Seven e criaram evoluções desse adorável e veloz automóvel. Após começar com um pequeno motor de apenas 1 litro, o Lotus Seven recebeu diversas motorizações (veja abaixo). Nos anos ´90 e ´2000, algumas réplicas do Seven ganharam propulsores incrivelmente fortes, como os da moto Suzuki Hayabusa (dois em um, fundidos como um V8) ou unidades turbinadas com 500 cv, um absurdo para um veículo tão leve.

Foto de propaganda de época do Lotus Seven: liberdade antes de qualquer coisa

 

Curiosidades >> A mesma lei inglesa (citada acima) que dispensava impostos de carros vendidos em kits, era confusa, já que a ausência da cobrança desses tributos estava vinculada à não existência de um manual de instruções para a montagem do carro. Esperto, Colin Chapman desenvolveu então um manual de ´desmontagem´ do Lotus Seven e na hora da venda do kit recomendava ao cliente que seguisse as instruções de trás para a frente…

Nas pistas, páreo duro durante anos

 

Propulsores >> Veja a seguir as motorizações oficiais utilizadas pela Lotus no Seven.

Série 1 >>(1957 > 1960): Lotus Seven F (1.172 cilindradas) e de 28 a 40 cv / Carburador Solex ou duplo SU H2;

(1958 > 1960): Coventry Climax, 1.100 cm³, 75 cv;

(1959 > 1960): BMC-A, 948 cm³, 37 cv; ou Healey Frog de 43 cv;

Série 2 >> 1961 a 1962 : “Super Seven” de 1.340 cm³, Ford 109E Cosworth Mk. V 85 cv (dupla carburação Weber 40DCOE2);

1962: Ford 100 E de 1.172 cm³ (28 a 40 cv);

1962: Ford 116 E de 1.498 cm³ de 66 cv; 1500 Cosworth (MkIX) de 125 cv; 1500 Cosworth (Mk XIV) 100 cv;

1963: BMC-A, 948 cm³, 37 cv; ou Healey Frog de 43 cv;

1968: Ford 105E de 39 cv;

1968: Série 2 1/2: motor Ford 225 E de 1600 cm³ e 84 cv.

Série 3 >> 1969: motor Lotus Holbay CFR 1600 (versão preparada de motor Ford 2255 E) de 120 cv;

1969 : Lotus Twin-Cam de 1.558 cm³ e 115 cv;

1970: Ford 2255 E de 1.600 cm³ e 84 cv;

 

Série 4 >> Ford 2255 E de 1.600 cm³ e 84 cv;

Lotus Twin-Cam de 1.558 cm³ de 115 e 125 cv;