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Clássico da semana: o venenoso inglês Allard J2

Entre 1936 e 1954, Sydney Allard – construtor de carros e comerciante do sul de Londres (Inglaterra) – fabricou cerca de 1900 unidades de automóveis que levavam o seu sobrenome na carroceria. Com uma nomenclatura bem organizada a partir das letras do alfabeto grego, Sydney criou, por exemplo, o “K”, o “L”, “M”, “N…”, no entanto, o veículo de maior sucesso dentre as suas invenções foi o “J2”, esportivo que teve, também, uma derivação J2 “X”.

Americanos compradores >> Mais uma vez na história dos automóveis clássicos, o mercado norte-americano aparece como o celeiro mais fértil para que algum negócio desse certo nesse ramo. Allard então vislumbrou a possibilidade de introduzir no universo yankee um carro leve, pequeno e esportivo, que servisse especificamente para os amantes de provas de velocidade, como ralis, subidas de montanha ou mesmo provas de longa duração.

Nascimento do Allard J2 >> Praticamente feito à mão, o roadster J2 (que foi fabricado entre 1949 até 1954) tinha carroceria em alumínio que vestia um chassi levíssimo com suspensões independentes. Sydney projetou o J2 pensando exatamente naquilo que poderia agradar aos americanos: estrutura leve, direção ágil, charme numa carroceria aberta e, principalmente, fôlego de sobra avalizado por potentes motores V8 americanos. O primeiro J2 foi equipado com um propulsor Ford “Flathead” V8 (cabeça chata). Após sentir dificuldades em importar esses motores para a Inglaterra, montar os carros e devolvê-los aos Estados Unidos nas exportações, Sydney Allard decidiu preparar a “casca” quase completa e vendê-la aos EUA faltando somente o motor. Por lá, além dos Ford (maioria), o Allard J2 e J2X também foram equipados com unidades Chrysler, Buick, Cadillac e Oldsmobile.

Desempenho >> Evidentemente, como se tratava de um automóvel para competições, os motores e câmbios, assim como suspensões e pneus eram modificados para as corridas. O J2 tinha excepcional relação entre peso e potência, o que favorecia um desempenho espetacular nas competições. Segundo os dados disponíveis sobre essa marca inglesa, os J2 chegaram a ter versões de 3,6 a 5,4 litros (3.600 a 5.400 cm³), atingindo máxima entre 192 e 201 km/h, com respeitável aceleração de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos.

Histórico >> Nos anos 1950 o Allard J2 provou ser um excepcional competidor nas pistas. A fábrica construiu apenas 90 unidades do J2 e mais 83 do J2X, ambos conversíveis de dois lugares. Um dos feitos mais incríveis do carro foi um 3º lugar (geral) em Le Mans 1950. Para promover a sua marca, o próprio Sydney Allard participou do Rali de Monte Carlo em 1952 guiando um Allard P1 sedã. Participando de quase 320 corridas entre 1949 e 1957, o J2 aparece com 40 primeiros lugares, 32 segundos, 30 vezes em 3º e 25 vezes em 4º lugar, sem desprezar outras boas colocações que o bólido britânico conseguiu em sua carreira.

Curiosidades >> Sydney Allard foi um incansável construtor de sonhos e conseguiu marcar o seu nome na história automotiva pela persistência em fazer carros de boa qualidade. Sem medo de errar, podemos afirmar que o Allard J2 serviu de inspiração para a criação de bólidos até bem mais famosos do que ele, como o AC Cobra, o Corvette e o Lotus Seven. A história confirma que, após experimentar um Allard J2 V8 Ford, o lendário Carrol Shelby teve a ideia inicial do AC Cobra. O mesmo aconteceu com Zora Duntov (Pai do Corvette), que participou de corridas com o impressionante J2, aprovando-o na totalidade.

A produção da marca Allard findou-se com a morte do fundador em 1966. No mesmo dia do seu falecimento, um incêndio noturno destruiu a maioria dos arquivos de produção e peças sobressalentes da fábrica. Em 1991 o nome “Allard” foi comprado por uma empresa, mas a nova produção jamais começou. Desde 1994 que há réplicas do Allard feitas na Inglaterra, Canadá e EUA que repetem fielmente as características originais desse belo clássico esportivo. / Fábio Amorim