Antes da 1ª Guerra Mundial, a marca inglesa Singer era apenas uma fabricante de bicicletas e o seu primeiro automóvel com 4 rodas foi construído em 1905. O veículo foi projetado por Alexander Craig e tinha um pequeno motor de 2 cilindros e opções de 1.853 ou 2.471 cm³.
Evolução >> Nesse mesmo período a empresa começou o desenvolvimento de um 4 cilindros (2,4 litros) advindo de uma concepção de engenharia da Aster. Em 1907, a Singer abandonou alguns projetos antigos e iniciou uma nova série de dois modelos com motores de 3 e 4 cilindros das empresas White e Poppe, dessa forma, os carros com motorização Aster foram descartados, dando lugar (em 1909) a uma nova família de automóveis maiores.
Até 1911 a fabricante inglesa equipou seus carros com motores White e Poppe e, neste mesmo ano, surgiu um novo 4 cilindros (1.100 cilindradas) alimentado com motor próprio da Singer. A famosa “Série 10” (´10´ em referência à sua potência) continuou após a 1ª Guerra e foi redesenhada em 1923, que já saía (desde 1922) com um novo motor de 6 cilindros enfatizado pela sua eficácia e por possuir “válvulas de sobrecarga”.

Novos projetos >> Em 1921 a Singer assumiu a marca ´Coventry Premier´ e continuou a vender uma variedade de carros sob esse mesmo nome até 1924, quando passou a focar seus projetos em veículos leves e de pequeno porte. Com o apelido de “Júnior”, esse novo modelo com motor de apenas 850 cm³ praticamente aposentou o Singer “10”. Os negócios na marca foram bem, a ponto de, em 1928 ela chegar ao patamar de 3ª maior montadora britânica, atrás apenas da Morris e da Austin.

Mais crescimento >> A Singer continuou firme durante a década de ´20; adquiriu outras empresas para ampliar o seu parque fabril, contratou engenheiros, desenhistas e operários da linha de base, chegando a produzir uma média de 9.000 carros/ano. Em 1929, com 7 fábricas e 8.000 funcionários, ela conseguia manter uma produção de 28.000 unidades por ano, mas a concorrência com a Austin, Morris, Hillman e (a partir de 1932) com a Ford, começou a se tornar dura demais. Mesmo assim, a marca seguiu adiante se reinventado e desenvolvendo o modelo ´Júnior´ (com motor 1.5 com válvulas na “cabeça”).
Em 1935 a família “9” evoluiu passando a se chamar “Bantam”, carros bastante parecidos com os Morris e destacados por serem os primeiros a usar uma caixa de câmbio ´Synchromesh´, com três marchas para a frente e ré. Como praticamente todas as marcas da época, a Singer também queria demonstrar força nas corridas. A prova “Le Mans Tourist Trophy”, em 1935, foi desastrosa para a montadora: três dos quatro carros “Série 9” inscritos, saíram da corrida com um problema crônico no sistema de direção.

Fim de uma era >> Em 1936, W.Bullock (diretor da empresa), juntamente com seu filho (que era gerente geral em 1931), renunciou ao comando da empresa após severas críticas de acionistas na assembleia geral anual. Sem viabilidade financeira, a “Singer Co Limited” foi dissolvida em dezembro de 1936.
Curiosidade >> Em 1912 um conhecido engenheiro mecânico chamado Lionel Martin (da empresa Bamford & Martin) comprou um Singer 10 durante o evento “Olympya Show” para experimentar esse carro em corridas. Martin queixava-se que o seu Rolls-Royce Silver Ghost era pesado demais para competições, daí, adaptando os eixos, suspensões e o comando de válvulas, conseguiu atingir 110 km/h com um desses. Lionel Martin gostou muito do Singer 10 e conseguiu ótimos resultados nas pistas, principalmente na famosa subida de montanha chamada de “Aston Clinton”. Inspirado pela desenvoltura do pequeno “10”, Martin construiu em 1913 o seu próprio carro. Utilizando partes do Singer 10, chassi de Isotta Fraschini e motor Coventry Simplex, o engenheiro Lionel Martin (em homenagem a ele próprio e à tradição da prova), batizou a sua híbrida criação de “Aston Martin”. O resto é pura história…






