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CLÁSSICO DA SEMANA: Talbot-Lago T150C SS

Até o final dos anos 1930, carrocerias de carros de passeio eram verdadeiras obras de arte ambulantes, com desenhos que vinham da ousadia dos designers da época e também do gosto dos clientes endinheirados, que, em busca de exclusividade, modificavam o que podiam para ter um carro único. Um dos automóveis mais charmosos do fim dos anos ´30 é o francês Talbot-Lago T150C SS, espécie de escultura que se movia sobre rodas.

Fabricado por apenas dois anos (1937-1939), esse belo cupê de duas portas foi um dos oponentes mais duros dos (espetaculares – e lindos) Mercedes-Benz 540K e Bugatti Type 57 Atlantic (dois ícones do design automotivo global). A junção (do que restou em 1935) das marcas Sunbeam, Talbot e Darracq, gerou o Talbot-Lago T150C SS. A participação do engenheiro Anthony Lago no empreendimento forçou a mudança do nome da companhia para “Talbot-Lago” e a coisa começou a andar quando os projetos de Walter Becchia foram introduzidos no contexto.

Becchia desenvolvera com sucesso um sistema de suspensão independente, além de 3 possibilidades de motores: o T11 (2.000 cm³), T17 (3.0) e o T23 de 4.000 cilindradas. Com a mão na massa, Anthony Lago aprimorou um motor de 6 cilindros e o mesmo já serviu para equipar algumas versões de corrida montadas no chassi do T150, carros estes que fizeram enorme sucesso nas pistas, culminando então, nas configurações SS (Super Sport) da marca.

Como era de praxe na época, várias empresas encarroçadoras criaram novas estruturas externas para vestir o funcional T150. As principais foram a Saoutchik e Figone & Falaschi e o ponto culminante da excentricidade e bom gosto desse modelo ficou mesmo com a versão T150C SS, uma esplêndida escultura móvel.

Esse esdrúxulo carro foi apelidado pelos franceses de ´Goutte d´Eau´ (Gota d´água), mas o T150C SS “não era apenas um rostinho bonito”, já que o seu desempenho empolgava: o motor de 6 cilindros e 4 litros (4.0) levava-o a uma velocidade máxima de 185 km/h. Seu preço era considerado muito alto para a época, daí, mesmo nos anos ´30, era raro. Originalmente, somente duas versões saíram da linha de montagem e a – limitadíssima – série de 5 unidades do Goutte d´Eau fazem dele um dos carros antigos mais cobiçados do mundo.

Ótimo em corridas, o Talbot-Lago T150C SS marcou uma proeza na sua carreira. A história conta que uma unidade saiu diretamente do showroom e foi competir na duríssima “24 Horas de Le Mans” de 1938, conquistado um honroso 3º lugar na sua categoria.