Já mostrei aqui no site e também na Gazeta Auto o lindo (e único exemplar existente em Alagoas) Rolls-Royce Silver Dawn 1950. A bela máquina que pertence ao amigo Mário Leão, foi encomendada há 65 anos pelo milionário argentino Carlos Jacmeyer e, como iria rodar em Buenos Aires, veio com o volante do lado esquerdo, do ´tipo exportação´, fugindo da tradicional receita inglesa que até hoje conserva a direção do lado direito. Esse carro chegou a Alagoas nos anos ´70 e continua na mesma coleção da família Leão.
O que me chamou a atenção nessa configuração bicolor foi o fato deste Silver Dawn (Madrugada de Prata) ser conversível. A chamada carroceria ´ Drophead´ é raríssima nessa série. Entre 1949 e 1955, apenas 760 carros desse tipo foram produzidos, dos quais, somente 28 com o teto removível. O modelo Silver Dawn foi o primeiro carro da Rolls-Royce a ser oferecido com a parte básica da carroceria e chassis compatíveis com a estrutura do Bentley Mark VI. Esse compartilhamento do conjunto durou até 1952 e o uso comum das estruturas seguiu até o término da produção (em 1955) no Bentley R.

O Silver Dawn foi um dos carros mais exportados pela Rolls-Royce. Os modelos com volante do lado esquerdo tinham a alavanca de mudança de marchas na coluna de direção (chamada de ´Royal´ no nordeste do Brasil), enquanto as unidades de “mão direita” mantinham a alavanca de mudanças no chão bem perto da porta. Com praticamente a mesma carroceria, os Bentley MK VI e ´R´ foram equipados com um sistema de escapamento único. Já o Bentley com a série de chassis “SRH” vinha com escapes duplos, que extraiam do seu motor de 6 cilindros em linha um som mais ameaçador.
Falando nesse espetacular e silencioso propulsor, entre 1949 e 1951, o Rolls-Royce Silver Dawn vinha com 4.257 cilindradas. A partir de 1951, o volume foi ampliado para 4.566 cm³. De 1949 a 1951, o único carburador utilizado foi o Stromberg, substituído por um Zenith a partir de 1952. E também até o final de 1952, tanto os Bentley como os Rolls-Royce Silver Dawn somente vinham com câmbio manual de 4 marchas, passando a ser oferecidos a partir daí, também, com caixa automática. A suspensão era independente na frente usando molas helicoidais, enquanto na parte traseira eram utilizadas molas de lâmina. Até 1953 o Silver Dawn tinha um chassi montado em partes separadas e rebitadas, depois disso, começou a sair de fábrica com junções soldadas. Os freios a tambor eram operados hidraulicamente na frente e de modo mecânico na parte de trás. Belo, silencioso e raro, o Rolls-Royce Silver Dawn é um dos clássicos ingleses colecionáveis mais cultuados hoje em dia. (Fotos: divulgação)







