Pelos aspectos técnicos, a Ferrari F40 é um cupê esportivo de duas portas, tração traseira e motor V8. Sob a visão histórica, esse bólido italiano é um dos mais importantes da marca do ´cavalinho rampante´, pois foi o último veículo encomendado pessoalmente pelo fundador da empresa, Enzo Ferrari.
Missão importante >> Concebido para ser o sucessor da Ferrari 288 GTO, o modelo F40 surgiu num momento significativo na vida de Enzo Ferrari. No final dos anos 1980, então com 90 anos de idade, Enzo tinha convicção de que os seus dias estavam chegando ao fim. Aquele instante coincidia com o aniversário de 40 anos da fundação da companhia e o período não era nada interessante para a marca nas pistas de corrida, com explícito favoritismo de McLaren e Williams, por exemplo, na Fórmula 1. Enzo queria algo emblemático, que levantasse a auto-estima da empresa e marcasse a importante data.
Gestação bem planejada >> Com traços meticulosamente elaborados pelo renomado estúdio Pininfarina, o sucessor do adorado 288 GTO veio ao mundo causando impacto. A frente ultra rebaixada chamava atenção e trazia faróis escamoteáveis, além de grupo auxiliar coberto com bolha acrílica, mas, a meu ver, a parte mais impactante desse bólido era o seu gigantesco aerofólio traseiro. Além de imponente, um adorno de estabilidade muito especial para um carro com incrível coeficiente aerodinâmico de 0,34. Outro detalhe chamativo no design era a tampa transparente do capô traseiro, que deixava o enorme (e belo) motor V8 bastante exposto.
Histórico >> No final dos anos 1980 (início de ´90), o maior oponente da Ferrari F40 era o poderoso Porsche 959. A marca precisava, portanto, de algo que fosse além do seu tempo. Depois de ter figurado no meio da imprensa como a obra-prima de Enzo Ferrari, a F40 foi, na verdade, uma reconhecida e honesta assinatura de tudo aquilo que a marca italiana tinha feito até então. Muito simplificada por dentro, tinha bancos tipo concha (de competição), volante de três raios (também de corrida), dispensava sistema de som, tapetes e ar-condicionado e nem mesmo maçanetas internas foram instaladas para se abrir as portas. Um mecanismo com uma cordinha de nylon fazia esse trabalho. Tudo em nome do purismo e da essência mais apurada do espírito Ferrari de corridas. Entre 1987 e 1992 (intervalo de nascimento, fabricação e descontinuidade de linha), ela manteve o título de carro de rua em produção mais rápido do mundo. Foi o primeiro esportivo a quebrar a barreira dos 322 km/h e era, também, o veículo mais potente e caro da Ferrari durante esses anos. Inicialmente, pretendia-se fabricar apenas 400 unidades pintadas em vermelho, mas o sucesso foi tão grande, que a produção foi ampliada para 1.315 carros. Hoje é possível ver F40´s amarelas, pretas e até brancas.
Motor e carroceria >> A concepção da F40 foi muito focada na perfeição aerodinâmica. A partir do motor da 288 GTO, a Ferrari desenvolveu uma versão ampliada de 2.900 cm³. O propulsor V8 turbo desenvolvia 478 cv de potência. Combinado ao uso de materiais leves como kevlar, fibra de carbono e alumínio, a F40 conseguia números incríveis para a época: zero a 100 km/h em menos de 4 segundos e máxima acima dos 320 km/h!
Uma marca indelével >> Por fim…, esse interessante carro esportivo conseguiu cumprir o seu objetivo: carimbou com honras o aniversário de 40 anos da marca, impôs-se perante a concorrência como o mais rápido do mundo e cravou presença marcante em todas as exposições e corridas que participou, com várias vitórias inclusive. Como se tivesse sido planejada para vencer, a F40, por vários motivos, encaixou-se perfeitamente no último desejo do velho comendador Enzo Ferrari. (Fotos: divulgação)











