Carlo Abarth, empreendedor que transformava carros comuns em esportivos vencedores, fez o seu sobrenome ficar famoso pelo sucesso de alguns bólidos nas corridas. A história da lenda Abarth começou nos anos 1960 e continua até hoje em diversos veículos da Fiat. No Brasil, o único a ostentar essa chancela atualmente é o Cinquecento (ou 500, como queira).

A versão Abarth vem equipada com o bom motor 1.4 turbo de 16 válvulas, o mesmo que equipa o Punto e o Bravo na versão ´T-Jet´, só que com alguns cavalos a mais, no caso, 167 hp para o minúsculo 500 e 152 cv para os outros dois citados.


Esportivo puro >> O 500 Abarth que foi lançado no início deste ano no Brasil ao preço sugerido de R$ 79.300, hoje é ofertado no site da Fiat a partir de R$ 94.000. A subida no cardápio deu-se graças à inflação nacional associada à alta do dólar, já que esse carro é importado.

Inegavelmente, a composição estética dele é atraente: os bancos são do tipo concha revestidos em couro, os pedais são feitos de ferro e cobertos de alumínio, as rodas de liga leve vem calçadas com pneus 195/45 aro 16, as pinças de freios são pintadas em vermelho e há chamativas faixas laterais exibindo a ´linhagem´ Abarth. A impressão visual, de fato, é marcante e chama bastante atenção no trânsito.


Mecânica >> Como dito acima, esse Cinquecento mais apimentado vem com motorização de 4 cilindros em linha montado transversalmente. A taxa de compressão é de 9.8:1, a cilindrada exata é de 1.368 cm³ e a potência e torque máximos são, respectivamente, de 167 cv e 23,5 kgf.m.

Segundo os dados técnicos fornecidos pela Fiat, esse pequeno esportivo acelera de 0-100 km/h em 7,7 segundos no modo de condução ´normal´ e crava 6,9 segundos quando a tecla ´sport´ é acionada no painel. A velocidade máxima, de acordo com a montadora italiana, fica em 213,5 km/h com limitação eletrônica para preservar o motor de quebras. Sem dúvida alguma o conjunto é interessante e tem se mostrado eficaz e agradável no Punto e Bravo T-Jet e também desperta saudade para quem já guiou o Linea com esse mesmo propulsor.

Limitações >> A grande questão, específica desse câmbio manual de 5 marchas que equipa o 500 Abarth vendido no Brasil, está nas relações longas demais. Os engates até são precisos, mas a queda de giros entre as mudanças ascendentes faz a brincadeira perder a graça e se tornar um ponto negativo num contexto de charme tão interessante.

Imagino o seguinte: geralmente quem tem folga financeira para comprar um carro desses (que custa R$ 94.000), antes da disponibilidade do dinheiro, almeja extrair uma diversão bem acima da média, o que não é o caso do 500 Abarth, pois ele somente começa a ficar divertido quando os giros passam a subir gradativamente da terceira marcha em diante. Antes disso, como quase todo motor de 16 válvulas, ele somente se torna agradável depois que toda a câmara de combustão está cheia, com o fluxo dos gases do turbo começando a fazer efeito.

Solução >> Há na Europa uma versão acima dessa, chamada de Fiat 695 Biposto, que tem esse mesmo motor 1.4 T-Jet, só que com 190 cv e com uma caixa de marchas sequencial de corridas, inclusive feita com anéis sincronizados que suportam trocas emergenciais sem o uso da embreagem e sem danos para a transmissão ou motor.

O 695 Biposto não possui o assento traseiro e é desprovido de luxos, como sistema de som, vidros elétricos, ar-condicionado, etc… Além disso, ele pesa apenas 997 kg, detalhe que já fornece uma relação de peso/potência bem mais interessante. Este sim incorpora o verdadeiro espírito do escorpião, símbolo lendário da Abarth que decora os veículos dessa divisão.
Aqui no Brasil o 500 Abarth concorre com o (ex-Citroën) DS-3 e Suzuki Swift Sport. Na medição final dos pesos e medidas desse Fiat compacto, a suspensão merece destaque positivo pela estabilidade e a direção elétrica também, pela ação muito direta, lembrando, sem exageros, um kart. (Fotos: divulgação)






