Um dos trunfos mais impactantes da marca Jeep (desde os anos ´40) é a sua capacidade de encarar e superar obstáculos. Sempre fez isso com tanta competência que o nome ´Jeep´ se tornou sinônimo de veículo ´off road´. Apesar da fama global e de sua robustez inquestionável, a empresa hoje é apenas a 6ª colocada no mundo nesse segmento de carrões que topam qualquer desafio. Evidentemente, essa importante subsidiária da Fiat Chrysler Automobiles, tem planos de voltar ao topo da lista, e se mexe pra isso, logicamente, lançando novos produtos e aperfeiçoando modelos já consagrados, que é o caso do Cherokee.
Renovação >> Com heranças europeias, o novo Cherokee 2014 vem montado sobre uma plataforma da italiana Alfa Romeo, que é a mesma utilizada no Dodge Dart vendido nos Estados Unidos. A manobra técnica é comum hoje em dia, já que o compartilhamento de projetos e peças termina barateando o preço final dos carros. Bem diferente da estética frontal comumente encontrada na atualidade, o novo Cherokee está ousado demais nesse quesito.
Os faróis em LED fininhos (mas com alta capacidade de iluminação) são contrastantes com a tradicional sequência de sete barras verticais que formam a grade característica da Jeep. Elas são enormes. São dois carros em um: a traseira tem uma linguagem bem mais clássica e conservadora e a dianteira dá um salto à frente do tempo. É até agradável frontalmente, mas essas soluções radicais de design podem ser perigosas, pois tendem a ser cansativas em pouco espaço de tempo.
Perfil da máquina >> Confiável e cheio de estilo, o Cherokee volta ao mercado nacional para concorrer, na opinião da Jeep aqui no Brasil, com o Hyundai Santa Fé, Volvo XC60 e o Kia Sorento, no entanto, creio que o Range Rover Evoque será o oponente mais difícil desse carro.
Construído em Ohio (EUA), o modelo vem equipado com uma derivação do motor V6 Pentastar 3.6. A unidade agora tem 3.2 litros e oferece 271 hp de potência, além de torque de 31,5 kgf.m. A transmissão da força às rodas é administrada por uma caixa de câmbio automática de 9 marchas da alemã ZF. Depois disso, o sistema de tração 4X4 Active Drive 1 começa a atuar em compartilhamento com o ´Selec-Terrain Modes´, que fornece vários modos de resposta ao piso enfrentado na ocasião. Esse andamento se adequa à neve, barro, lama, areia, etc…, tudo selecionado manualmente, no entanto, o modo ´Auto´ pode reger a orquestra do jeito mais fácil e sem a interferência do condutor.
Somente na versão Trailhawk (top de linha), há o ´Active Drive Lock´, uma composição ainda mais radical de tração para encarar trilhas extremas. A Trailhawk traz o selo “Trail Rated”, espécie de chancela de graduação em trilha que a Jeep somente coloca em modelos mais especiais.
Por dentro >> Aqui é que está a diferença. Além de ter debaixo da manga a histórica capacidade off-road da Jeep, o Cherokee é muito confortável por dentro e, consequentemente, agradável em ciclos urbanos no asfalto. Tem bom acabamento, com costuras decentes, ergonomia bem trabalhada e um refinamento elegante em todos os aspectos internos. Um dos mais marcantes é o silêncio e a vedação de pó na cabine. Durante o test-drive no interior de São Paulo, guiei essa máquina em estradas de barro envolto em grossas nuvens de poeira geradas pelo comboio dos carros dos outros jornalistas. Quase nenhum barulho e, muito menos, sujeira dentro do carro. Ponto positivo.
O painel é moderno, com computador de bordo, tela central com GPS e desenho de instrumentos que, segundo a turma de design da Jeep, foi inspirado nos mostradores dos primeiros modelos dos anos ´40. O sistema de som também é completo e boa parte dos comandos e monitoramento do veículo pode ser administrado em hastes na coluna de direção e nos botões agregados ao volante.
Enfim… >> O Jeep Cherokee tem o seu lugar ao sol. Modelo famoso em diversas partes do mundo, no Brasil será vendido em três versões: Longitude (R$ 159.900, bancos em tecido, aro 17”); Limited (R$ 174.900, bancos em couro + teto solar) e Trailhawk (R$ 189.900, versão mais completa com ganchos de reboque, composição interna de tecido + couro e sistema de tração mais vigoroso). Dependendo da versão (e dos opcionais), ele vem completíssimo, com Park Assist (estacionamento sem o uso das mãos), câmera de ré + sensor frontal, freio autônomo para descidas e prevenções de colisão no trânsito em baixa velocidade, aceleração sem intervenção do motorista em subidas de trilhas, etc…
Segundo o fabricante, há nesse conjunto mais de 60 itens de segurança ativa e passiva. O monobloco tem 65% da estrutura feita em aço de alta resistência, há sete airbags, controle eletrônico de estabilidade, freios ABS com agregados de assistência dentre vários outros itens extras. Dócil na baixa e arisco quando solicitado à emoções mais intensas, o Cherokee está renovado na sua quinta geração e merece respeito pela tradição. (Fotos: divulgação)






















