Para desenvolver a sua futura picape média elétrica, a Ford buscou inspiração na Fórmula 1, adotando o conceito de “falhar rápido, aprender mais rápido”. A aerodinâmica, um dos pontos essenciais na busca da eficiência energética, é outro aprendizado que vem das corridas, onde o ar pode ser tanto o maior aliado como o inimigo mais implacável. Mais da metade do time de aerodinâmica da marca veio do mundo da Fórmula 1.
Historicamente, os túneis de vento são usados ao final de um projeto para validação de design, quando pouco pode ser alterado. A Ford inverteu esse processo, usando o túnel de vento como ferramenta de desenvolvimento desde o início do projeto. A construção do veículo de teste foi feita com um sistema modular do tipo “Lego”, que permite trocar em questão de minutos peças impressas em 3D e usinadas; desde protetores de chassi até a grade frontal e suspensão.
Esse ritmo acelerado permitiu à equipe perseguir as metas de custo, eficiência da bateria e autonomia, além de reunir dados para aprimorar a capacidade de simulação. Mas testar mais rápido é apenas metade da batalha. Era preciso também pensar mais rápido. Para processar o enorme fluxo de dados dos sensores, o kit de ferramentas digitais aerodinâmicas foi reconstruído do zero, gerando um movimento contínuo de informações e visualizações personalizadas. Toda a equipe podia ver os dados do túnel de vento em tempo real e compará-los com as simulações. E, ao contrário da Fórmula 1, não havia regras para limitar o processamento, a quantidade de horas ou o tipo de supercomputador que poderia ser usado.
Esse kit de ferramentas inspirado na F1 permitiu encontrar ganhos aerodinâmicos que poderiam permanecer ocultos, como os três exemplos a seguir:
Superfície Virtual – A linha do teto foi esculpida cuidadosamente para liberar o ar em alta velocidade em perfil de gota, que se estende sobre a caçamba. Isso cria uma “superfície virtual”, permitindo que o ar passe inteiramente por cima da caçamba. Para o ar, ela não é mais uma picape, mas uma silhueta aerodinâmica.
Espelho de 2,4 km – A inovação geralmente vem da simplificação. Em vez de usar motores separados para o ajuste do vidro e o rebatimento elétrico, essas funções foram fundidas em um único atuador. Com isso, foi possível reduzir toda a peça em mais de 20% e adotar um formato mais aerodinâmico, que adiciona cerca de 2,4 km de autonomia. Não parece muito, mas esses ganhos se somam.
Assoalho invisível – A parte inferior de uma picape é tipicamente um pesadelo aerodinâmico. O seu assoalho foi tratado como um carro de corrida, com parafusos embutidos em cavidades minúsculas e chassi meticulosamente projetado para dirigir o ar ao redor dos pneus dianteiros e da suspensão. Embora não seja possível fazer a turbulência do pneu desaparecer totalmente, é possível gerenciá-la. Guiando a turbulência do pneu dianteiro diretamente para os pneus traseiros, evita-se que os pneus traseiros criem seu próprio “buraco” no vento, com um ganho adicional de 7,2 km de autonomia.
A nova picape foi projetada como um sistema único e integrado. Para atender às metas de autonomia e custo, a carroceria teve de ser meticulosamente esculpida desde o início. Se fosse usada simplesmente a carroceria de uma picape existente, a física não funcionaria. O veículo agora está sendo testado em pistas e ruas do mundo real para garantir que cada detalhe funcione perfeitamente, trazendo aprendizados para aperfeiçoar a produção. O fluxo de ar gerado por meio desse trabalho não pode ser visto, mas o cliente certamente sentirá a diferença ao dirigir. (Fotos: divulgação Ford Brasil / Os direitos autorais de divulgação das imagens dessa matéria são de responsabilidade legal – única e exclusiva – de Ford Brasil e do seu time de comunicação. / Instagram: @acelerandoporai.com.br)







