
Hoje (4/3) a cidade de Maceió – mais especificamente nas avenidas Muniz Falcão e Av.Rotary, que se interligam – ganhou três novas lombadas (ou quebra-molas, como queira). Uma delas (absurdamente!) construída na junção inferior de uma ladeira que, desde o meu tempo de menino, sempre foi perigosa. Nada melhor do que a citação do veterano jornalista Bob Sharp, lá de São Paulo, para definir o que é uma lombada. Eis a pérola: “É um recurso burro e antinatural para reduzir a velocidade do tráfego”.
“Quebra-molas”, “ondulação transversal” ou “lombada”, não importa o nome, todos são verdadeiros obstáculos que causam acidentes e atrasam o fluxo. Aqui no Brasil essa brincadeira de mau gosto começou nos anos 80, quando o então Prefeito de Curitiba, Jayme Lerner, lotou aquela cidade com esses nefastos calombos que, inclusive, aumentam a poluição, já que os veículos têm que voltar a acelerar após passar sobre as lombadas.
Esse recurso (utilizado a esmo por Prefeituras e órgãos de trânsito) de todo Brasil foi proibido pelo novo Código de Trânsito, mas ainda permanece por causa de uma resolução do Contran ocorrida logo em seguida à esta proibição, no final dos anos 90. E, como muitas idéias importadas (sem regras) pelo Brasil, a lombada não virou exceção. Na Alemanha ou Nos Estados Unidos também existem lombadas, só que as especificações técnicas das que são feitas por lá são milimetricamente levadas a sério. Aqui, encosta-se uma usina móvel de asfalto e o tratorista faz um calombo (mais ou menos) do tamanho “correto”. Coisa que só o ´olhômetro´ nacional pode aferir…

Pois bem, as lombadas eletrônicas (causadoras de tantas confusões por indícios de furtos nas chamadas “indústrias de multas”) seriam a melhor opção para uma redução de velocidade em áreas de risco, como a rua de uma escola ou de um asilo de idosos, por exemplo. Desnivelar o piso por onde anda o automóvel pode ser um perigo mortal. Como relembrou o amigo Bob Sharp, no dia 11 de outubro de 2001 (um antes do Dia das Crianças), São Paulo viveu uma tragédia que envolveu o atropelamento de 10 crianças, causando duas mortes e muito estrago físico e emocional. A causa? Um carro desgovernado após passar por uma lombada! Além de travar o fluxo, a altura de uma lombada exige que os nossos carros sejam mais altos. Suspensão elevada significa menor estabilidade e maior resistência da carroceria ao arrasto aerodinâmico, culminando em perigo e alto consumo de combustível. Outra louca conseqüência de uma lombada é o sofrimento extra que um doente ou acidentado sendo transportado numa ambulância, passa ao topar com essa incongruente edificação. Elas aumentam o desgaste das pastilhas de freio, quebram amortecedores, desalinham o sistema de direção, atrasam o trânsito e ainda causam (ao menos aqui em Alagoas), desequilíbrio social. Qualquer comunidade que se sinta incomodada com o trânsito, imediatamente fecha a rua e exige “a solução das soluções”: a lombada!
Lombada de asfalto é sinônimo de perigo e problema. Antes as eletrônicas, recalibradas para um máximo de 80 por hora. Contabilize aí uma perda de 50% causada pela lerdeza da maioria dos motoristas e aí teríamos um fluxo reduzido a 40 km/h em qualquer lugar, de um jeito mais civilizado, calmo e não tão irracional. Abaixo as corcovas!




