Na minha visão, o Classe C está para a Mercedes-Benz assim como o BigMac é emblemático no McDonald´s. Produto número 1, esse sedã é o carro mais vendido da MB desde 1982, ano que marca o início da primeira geração. O projeto teutônico denominado “W 201” vigorou entre 1982 e 1993 e a sequência assim continuou: W 202 (1993-2000); W 203 (2000-2007) e W 204 (2007-2014). Seguindo a nomenclatura, a nova fornada que surge carimbada como “W 205” começa a identificar a 5ª geração deste Mercedes que é, teoricamente, a terceira porta de entrada (depois da Classe A e B) para a marca automotiva de maior prestígio no mundo.
Completamente novo >> O nome e o conceito comercial continuam os mesmos para esse carro, mas a concepção construtiva do Classe C atual, mudou totalmente. O design é um aspecto bem marcante da nova fase e também assinala, não digo um caminho inédito, mas uma adequação da marca alemã em extrapolar (no campo do desenho industrial) um pouco os seus costumes tradicionais para ir beber em fontes mais modernas. O Mercedes Classe C foi inspirado em linhas irmãs que compõem atualmente a família “S”, e está bem bonito. A formatação da traseira (tal qual a da Classe CLA) é a prova incontestável de que a marca foi, outra vez, no limite do seu estímulo artístico encontrando um acordo de paz entre o tradicionalismo (primordial para a manutenção da sua identidade) e a modernidade necessária para atrair novos (e jovens) clientes.
Medidas >> Em relação à geração anterior, o novo sedã tem dimensões mais generosas: está 10 cm maior no comprimento geral (de para-choque a para-choque), ganhou 8 cm a mais na distância entre os eixos e está 4 cm mais largo. Isso o deixou com um porte um pouquinho mais elegante. Aos ocupantes dos assentos traseiros, o conforto foi ampliado, mas, no total, esse veículo é adequado apenas para quatro pessoas. Um quinto passageiro adulto não ficará à vontade sentado no meio do banco de trás, pois um enorme túnel divide o assoalho traseiro em duas partes, inibindo qualquer tentativa de acomodação aconchegante por ali. Complementando o contexto sobre o ambiente interno, a arquitetura é bem feita, os detalhes de acabamento são primorosos, mas a ergonomia é apenas normal, bem distante da perfeição que somente os italianos têm a ousadia de fazer. A base do motorista é focada na esportividade com os comandos “olhando” para o condutor, mas a posição de dirigir é cansativa já em médios percursos: o banco muito rente ao solo, incomoda. No mais, o volante em alumínio com a base achatada, os assentos frontais (com abas laterais que impedem o movimento do corpo) e os diversos botõeszinhos retrô de controle no painel, agradam no visual e funcionalidade.
Engenharia >> Ofertado aqui no Brasil nas versões C 180 Avantgarde, C 180 Exclusive (as duas primeiras como motor 1.6, 156 cv de força e 25.kgf.m de torque), C 200 Avantgarde (2.0, 181 cv e 30 kgf.m) e C 250 Sport (2.0, 211 cv e 35 kgf.m), o novo Classe C traz caixa de câmbio automática 7G Tronic, suspensão dianteira independente FourLink e direção elétrica. Além de muitos componentes das suspensões feitos em alumínio, outras partes do carro também são compostas desse material, caso do capô, teto, tampa do porta-malas e para-lamas dianteiros. Tudo isso reduziu em 60 kg o peso geral da estrutura, o que beneficia a performance.
Para definir o capítulo ´segurança´, vou repetir o clichê que é mais batido do que cabeça de prego: a ´sopa de letrinhas´ é imensa! As abreviaturas ESP, EBD, ABS, ASR, ETS, BAS, HSA, além de Brake Drying, Priming e Torque Vectoring Brake, regem o carro da melhor maneira possível para se evitar um acidente. Simplificando, as siglas acima indicam a presença de controles eletromecânicos de tração, estabilidade, torque, frenagem…, tudo focado em corrigir ou minimizar um possível erro humano. O modelo tem até um sensor de fadiga que identifica o cansaço do motorista e recomenda uma parada para um cafezinho… E há 7 airbags em todas as versões. Nisso ele é completo.
Receita acertada >> O Classe C é mais ou menos como aquela pedida certa no cardápio do restaurante desconhecido: um filé com fritas dificilmente sai errado da cozinha. É um modelo bem acertado em suspensão, com aparatos tecnológicos muito atuais e agora ganhou em design e conteúdo mecânico. Os motores da linha têm o auxílio do turbocompressor para colaborar na diversão. Durante o test-drive oferecido pela Mercedes-Benz em São Paulo, somente foi exposta para avaliação a versão ´top´ (C 250 Sport), que disponibiliza 5 tipos (Eco, Comfort, Sport, Sport + e Individual) de regulagens de condução que moderam (ou soltam as rédeas) de itens ligados à economia e performance. Por dentro há combinações de madeira, couro legítimo, tecido sintético (que imita couro), alumínio e plástico, tudo feito nos globais padrões respeitáveis da Mercedes-Benz.
Frigir dos ovos… >> Inquestionavelmente, é um bom automóvel, pronto para desfilar na cidade e também viajar com conforto, lembrando que tanto ele (quanto o BMW Série 3, seu maior oponente) foram projetados para deslizar nas pistas-tapete da Alemanha. No Brasil, sofre-se com a firmeza da suspensão desses carros em conflito com o nosso vergonhoso asfalto. Equilibrado em todos os aspectos, ele tem aceleração agradável, mas não envolvente. Tem capacidade honesta de fazer curvas, mas não é uma montanha russa grudada aos trilhos e freia com decência, mas não tem a ousadia de um Porsche nesse aspecto. Se é para gastar com um esportivo de fato…, opte pela versão C 63 AMG que ainda chegará para completar a família. Os preços das configurações já expostas à venda no Brasil são os seguintes: C 180 Avantgarde e C 180 Exclusive (R$ 138.900); C 200 Avantgarde (R$ 154.900) e C 250 Sport (R$ 189.000). (Fotos: divulgação)











