Já falei outras vezes por aqui que os produtos chineses são os que possuem a qualidade mais variável do mundo. Dividem-se assim: péssimos, razoáveis, bons, ótimos e excepcionais. Por exemplo, os modernos iPads ou aquele fantástico celular “de última geração” são feitos, aliás, muito bem produzidos na China. E esse universo se amplia em vários outros utensílios despejados em praticamente todos os mercados do planeta.
Outro dia eu estava numa boa loja norte-americana de roupas masculinas e minha escolha por duas ótimas camisas legítimas “made in USA” acabou se revelando uma compra de olhinhos puxados… Após abrir a mala no Brasil constatei as discretas etiquetas “made in China”, mas, confesso: não me arrependi porque elas são, de fato, boas, duráveis e de excepcional qualidade.
O novo JAC
Do mesmo jeito, no setor automotivo chinês existem “marcas” e “Marcas” que fabricam carros. A JAC Motors, por exemplo, é a principal e a mais vendida entre os veículos de passeio daquele país. Há menos de um mês ela trouxe ao Brasil o “J5”, inédito sedã que deverá disputar mercado principalmente com três figurinhas já carimbadas por aqui: Nissan Sentra, Fiat Linea e Honda City, ambos numa faixa de preço que ultrapassa pouco mais de R$ 50 mil.
Sinceramente, não se pode dizer que o JAC J5 já seja um produto de excepcional qualidade, no entanto, três coisas pode se afirmar sobre ele nesse instante: é durável, bem construído e bonito. Nesse último quesito as fotos falam por si.
Detalhes
Desenhado na Itália, o J5 tem porte muito imponente e disputa espaço nas vitrines com carros mais caros e maiores. A carroceria é bem charmosa com linhas harmoniosas que não cansam. A traseira, especificamente, tem design acertadíssimo e o detalhe das lanternas LEDs é um trunfo a mais do modelo chinês. A dianteira segue o padrão global da JAC. Subjetivamente, os traços frontais sugerem o desenho de uma máscara folclórica chinesa. Falando nisso, os faróis são recobertos com uma máscara negra.
Por dentro
Não espere dele um acabamento primoroso como o de um Mercedes-Benz, mas o aconchego dos bancos (construídos pela Johnson Controls, a mesma empresa que fornece para a Honda) e a disposição ergonômica dos comandos é bastante agradável. De série o carro vem com revestimento aveludado nos assentos, muito mais adequado ao calor nordestino. Para quem acha que couro é sinônimo de requinte, por mais R$ 1.600 é possível ter esse opcional.
O valor de um J5 zero quilômetro divulgado no site da marca é de R$ 53.800 (lembrando sempre que esse preço pode variar nas regiões do Brasil devido ao frete e diferenças de alíquotas de impostos). Os outros dois opcionais disponíveis para o carro são as rodas de liga leve com aro 17” (R$ 1.390) e pintura metálica (ou branca) por R$ 1.290 adicionais. O sedã tem nível de acabamento condizente com o seu preço e se equipara com a concorrência. Alguns plásticos e outros tecidos de boa qualidade forram o interior e painel sem grandes alardes de beleza ou sensibilidade ao toque, mas com a dignidade de um bom produto. Por dentro, disparado, a melhor coisa que o J5 tem é o sistema de ar-condicionado digital, ultraeficiente, silencioso, com sopro muito forte e com direito à saída de ar para os ocupantes do banco traseiro.
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Considerações finais
O JAC J5 anda bem e até tem um ronco esportivamente incomum, mas nada que incomode mesmo em longos trajetos. A receita é urbana. Para uma mobilidade coerente visando conforto com economia de gasolina, a máquina vem com motor 1.5 16V de 4 cilindros com 125 cv e torque de 15,5 kgf.m. Se achou pouco, a empresa promete versão turbinada para breve. De proporções médias, o modelo mede 4.590 mm de comprimento e oferece 2.710 mm de distância entre-eixos. O espaço para os ocupantes traseiros é bom. Seu porta-malas disponibiliza 460 litros de capacidade.
Passei quatro dias experimentando o J5 e constatei algumas coisas que enumero a seguir: 1) a aparência externa é de carro muito mais caro; 2) a suspensão é bem acertada e existe uma boa conversa entre comandos do volante com chassi e sistema de freios; 3) a caixa câmbio manual de 5 marchas (apesar do som plástico dos engates) é bem escalonada e silenciosa. Como todo JAC, o J5 possui sistema de freios ABS (com auxiliar EBD + disco nas 4 rodas) da alemã Bosch, assim como toda a parte elétrica/eletrônica vem da Delphi, fornecedora da General Motors no mundo todo. A direção é hidráulica, os retrovisores são elétricos e todos os vidros possuem sistema de 1 toque para subir e descer.
Já ia me esquecendo de falar da tal “faca” do título da matéria. Chineses não sabem fazer facas de boa qualidade. Ainda não encontrei nada que prestasse nesse sentido aqui no Brasil, mesmo assim, comprei uma que me seduziu pelo design e fui cortar umas laranjas. Resultado? O cabo de uma faquinha chinesa vagabunda ficou solto na minha mão! A partir daquele dia prometi jamais comprar qualquer produto da China, mas o tal J5 me fez repensar esse assunto. IFA
MAIS: Para conhecer melhor os carros da JAC Motors, acesse: http://www.jacmotorsbrasil.





