A cada ano, desde 2006, a IBM vem prevendo as cinco inovações que ela acredita que terão um grande impacto sobre a vida das pessoas nos próximos 5 anos. Para sua lista dos “Five in Five” deste ano, a IBM relacionou suas previsões aos cinco sentidos humanos. Por trás de todas elas está a crença da empresa na computação cognitiva, pela qual os computadores aprenderão em vez de apenas seguir uma programação passiva, possibilitando sistemas que ampliarão e aumentarão cada um de nossos cinco sentidos.
A tecnologia de telas de toque está em sua infância, mas já é parte de nossa vida diária e a IBM crê que ela se desenvolverá até incluir retroalimentação háptica (ática?) num ponto em que poderemos sentir a textura de objetos mostrados na tela! Isso acontecerá por uma tecnologia como a do sistema Revel que usa eletrovibração reversa, desenvolvido pelos pesquisadores da Disney. A palavra “Ática” vem do grego “haptikos” e significa pertencente ao sentido de toque e do verbo hapotesthai, de contatar (entrar em contato) ou tocar. A tecnologia ática é uma retroalimentação tátil que tira vantagem de nosso sentido de toque através da aplicação de forças, vibrações ou movimentos do usuário. Este estímulo mecânico ajuda na criação de objetos virtuais numa simulação virtual que os controla e também aumenta o controle remoto de máquinas e aparelhos (telerobótica).
Ela tornou possível investigar como funciona o sentido de toque do ser humano, através da criação de objetos virtuais áticos cuidadosamente controlados. Esses objetos são usados no levantamento sistemático da capacidade ática humana, que de outra forma seria muito difícil de se conseguir.
A tecnologia básica já está pronta, mas a IBM diz que o desenvolvimento de um sistema PIM de dados (Product Information Management ou gerenciamento de informação de produto) que trabalha como um dicionário para equilibrar os padrões de vibração de objetos físicos com itens específicos, ainda não está concluído. Isso beneficiará não apenas os vendedores online de tecidos, que devem ser os primeiros grandes usuários da tecnologia, mas também os fazendeiros, que poderão determinar a saúde de suas safras comparando-as à textura de uma planta saudável, e os médicos, que poderão literalmente sentir uma ferida ou um dano e assim ajudar seu diagnóstico.
Em 2001 houve uma média de 4,5 milhões de fotos entregues à Flickr todos os dias, ampliando os 6 bilhões no site; havia cerca de 100 bilhões de fotos no Facebook e 60 fotos entrando a cada segundo no Instagram. Mas a tecnologia digital ainda está muito atrasada na análise de imagens, dependendo de etiquetas dadas pelos usuários e por textos de descrições – técnicas vagarosas e nem sempre exatas.
A IBM diz que nos próximos cinco anos a tecnologia de computação cognitiva permitirá aos computadores examinar milhares de imagens, reconhecer padrões e características distintas para determinar seu conteúdo. Cenas de praia, por exemplo, poderão ser reconhecidas por certas distribuições de cores comuns em tais imagens, enquanto fotos de cidades poderão ser reconhecidas pela distribuição de esquinas e bordas. Uma vez que a localização geral esteja verificada, o computador pode aprender a respeito das atividades que provavelmente existirão por ali. A empresa ressalta que essa computação visual cognitiva poderá facilmente reconhecer tumores, coágulos de sangue e outros problemas no início de seu aparecimento, evitando melanomas potencialmente mortais. A tecnologia poderia também ajudar no monitoramento em tempo real de áreas de desastres analisando imagens de redes sociais, ou ficando de olho em potenciais assuntos de segurança vistos em imagens de câmeras.
O “tradutor de bebês” criado por um parente de Homer (da série de desenho animado The Simpsons) poderá ser realidade dentro de cinco anos. Sistemas cognitivos capazes não apenas de ouvir, mas também de entender, poderão traduzir o choro de um bebê em frases faladas em tempo real. A tecnologia poderá ser usada para monitorar sons de stress em árvores que poderão indicar um potencial colapso e criar tecnologia de cancelamento de ruídos em celulares.
A IBM pesquisa a tradução de frequências ultrassônicas superhumanas, quando então poderíamos ‘conversar’ com animais como golfinhos e cachorros. Um aparelho deste tipo poderia funcionar em reverso, convertendo áudio que podemos ouvir em freqüências ultrassônicas que sejam ouvidas por determinados receptores. Essa tradução de ida e volta poderia ser usada para se conversar com outra pessoa num outro ponto dentro de um salão muito cheio, chamar crianças em quarteirões distantes para jantar etc… Gosto, ou sabor, não se discute – mas a IBM diz que dentro de cinco anos os computadores estarão fazendo exatamente isso, adicionando outra dimensão à computação cognitiva – a criatividade. Um grupo da IBM Research (pesquisa) trabalha num sistema que analisa a comida até sua estrutura atômica e combina esta informação com dados e modelos psicofísicos nos quais os químicos produzem ‘percepções de agrado, familiaridade e gozo’. A gigante da informática diz que esta tecnologia não apenas criará refeições saborosas, mas também saudáveis e dentro das necessidades nutritivas. Este sistema poderá criar pratos nutritivos nas cafeterias escolares que os alunos realmente quererão degustar ou permitirá àqueles com ingredientes limitados, como no mundo em desenvolvimento, criar refeições de sabor otimizado. E você: está pronto pra tudo isso? (Zé Luiz Vieira/By Tech Talk/Fotos: divulgação)






