No ano passado a Peugeot vendeu exatas 174.400 unidades no Brasil. Agora, em 2011, planeja crescer atuando principalmente na segunda categoria que mais se comercializa automóveis no País, a dos sedãs médios. Contará, então, com sua nova arma: o Peugeot 408, que em sua oitava geração reaparece com um design arrebatadoramente bem composto.
Projeto
De acordo com o lusitano Carlos Gomes (Presidente da PSA – Peugeot Citroën Brasil e América do Sul), este é o primeiro projeto global da marca francesa envolvendo diretamente três importantes núcleos da empresa: Brasil, China e a própria França. A partir dessa fusão criativa, o 408 ressurgiu com extrema elegância apresentando uma carroceria sem exageros estilísticos, harmônica nos três volumes (capô, teto e tampa do porta-malas) e, apesar de chamativa por ser bela, muito limpa. O executivo Carlos Szeles (que comentou sobre o carro na coletiva de imprensa durante o lançamento ocorrido no Rio de Janeiro), enfatizou que o modelo foi concebido desde o primeiro instante para ser um sedã. Não é adaptação de carro antigo algum, apenas foi feito com inspiração, obviamente, naquilo que a empresa já produziu.
A frente do 408 está bastante agressiva e a traseira muito elegante e charmosa, demonstrando coerência nos volumes das peças, como por exemplo, tampa do porta-malas, pára-choque e lanternas traseiras, que se combinam de maneira indefectível. Ao contrário do ´irmão´ 307 sedã (até hoje ironizado e apontado pela crítica como um dos sedãs mais mal resolvidos na parte traseira), o novo 408 é daqueles carros que você procura (e não encontra) um só centímetro que desagrade. Nisso, na minha opinião, não há o que reclamar, pois o carro é realmente muito bonito e equilibrado.
Comportamento e características
A PSA (Peugeot & Citroën) hoje trabalha com duas plataformas para o mercado sul americano: as compactas (construídas em Porto Real – RJ) e as médias (que chegam para nós importadas da Argentina), como é o caso, por exemplo, da que serve aos ´primos´ Peugeot 408 e Citroën C4 Pallas.
O 408 é um sedã médio que concorrerá diretamente com Toyota Corolla, Honda Civic, Kia Cerato, Chevrolet Vectra, Ford Focus, Fiat Línea, Renault Fluence e também o Pallas. Sairá em três versões: Allure (manual ou automático por respectivos R$59.500 e R$ 64.500); Feline (somente automático por R$ 74.900) e Griffe (topo de linha, automático por R$79.900), ambos com pintura sólida (preço/base SP).
Bem acabado (mas com muito uso de plástico, mesmo que de boa qualidade), o 408 em nada se parece com o C4 Pallas no seu comportamento dinâmico, apesar deles compartilharem (idênticos) plataforma e motor 2.0 Flex 16V. O propulsor rende 151cv e tem torque máximo de 22kgf.m aos 4.000 rpm. O câmbio do carro que testei – diferentemente do C4 Pallas – é o “AT-8”, uma caixa automática de apenas 4 marchas. A Peugeot manteve as suas características cultuadas há 200 anos: performance em detrimento do conforto, o que não significa dizer (nem de longe) que o novo Peugeot seja desconfortável. É bom, macio, tem habitáculo amplo (nos assentos traseiros também), ergonomia bem estudada e esbanja charme. Parece até ser bem maior do que o tamanho real de suas medidas.
Em alta velocidade a suspensão é condizente com a filosofia (da performance). O 408 não aderna muito nas curvas, é silencioso e transmite segurança ao se guiar. Obviamente, não empolga nas acelerações, até porque o seu câmbio é longo, mas não é lerdo ao ponto de irritar. Pela bela casca que tem, merecia sim, um motor mais vigoroso que fosse condizente com a sua cara de mau. A marca promete para o fim desse ano uma receita que preenche justamente essa lacuna, para quem quer mais performance. Diz que lançará uma outra versão com motor 1.6 Turbo de (aproximados) 181hp com câmbio de 6 marchas, a mesma receita que já equipa o Peugeot 3008.
Veredicto
Marca de charme e requinte em qualquer parte do mundo, a Peugeot aposta nessa máquina com muito positivismo. Divide o ´mix´ de vendas em 60, 30 e 10% entre as três versões, da mais barata para a mais cara.
Muito bem equipado, já vem com todos os mimos e itens de segurança importantes num veículo moderno, entre eles, meia dúzia de Airbags, freios ABS a disco nas quatro rodas, controle de estabilidade, garantia de 3 anos, estrutura de carroceria preparada para absorver impactos de maneira inteligente e demais luzinhas, botõezinhos e porta-trecos que agradarão aos compradores. Os bancos são em couro e ele pode vir com faróis direcionáveis de xenônio, teto solar, sensores de obstáculos (dianteiro e traseiro), GPS, etc… Destaque para o ótimo porta-malas de 526 litros com dobradiças pantográficas (que não invadem o espaço topando nas malas). Bom, bonito e com preço na média da concorrência. Só faltava um motor de uns 250 cavalos para – de fato – fazer jus ao Leão que traz na grade dianteira… (Fotos: divulgação Peugeot)
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