Já escrevi por aqui diversas vezes que carro é igual a restaurante: pode até ser bom, mas se o público não “pegar” simpatia… a coisa não anda de maneira nenhuma. E um dos jeitos possíveis de se mostrar a cara de um automóvel, é exibindo a sua alma em propagandas, coisa que a Nissan faz com pouquíssima intensidade com o agradável sedã Sentra, ótimo produto, mas que pouco aparece na mídia.
Virtudes em excesso >> O novo Sentra chegou à sétima geração em 2013, ano em que foi relançado aqui no Brasil com um design completamente renovado e um trem de força modernizado. O modelo passou de um acanhado sedã com linhas cansadas, para um novíssimo expoente da Nissan no mundo inteiro.
Está bem bonito e imponente. Gosto muito de uma tonalidade de azul marinho que a empresa oferece. Pintado nessa cor ou em preto, ele aparenta ser um carro muito maior e mais caro. Por aqui, é vendido nas versões S, SV e SL, e é bem equipado em todas elas. A intermediária já oferece, por exemplo, bancos em couro de série.
Conjunto propulsor >> Fabricado no México, o Sentra tem motorização 2.0 16V Flex de 4 cilindros em linha. Esse propulsor desenvolve potência máxima de 140 hp aos 3.100 rpm e o torque (equiparado a quase todos os motores aspirados nesta mesma faixa de força) é de 20 kgf.m aos 4.800 rpm.
Pra quem ainda gosta de “cambiar” as marchas (como dizem os argentinos…), a versão “S” oferece transmissão manual de seis velocidades e as outras (SV e SL) são equipadas com o câmbio CVT, uma caixa de transmissão automática continuamente variável que não possui trocas de marchas e sim, uma evolução (ou redução) progressiva de velocidade. Há, no entanto, um simulador eletrônico de trocas de marchas que faz você perceber uns lapsos fictícios que se traduzem como trocas de marchas. Vá entender…
Ao volante e fora dele >> O que mais gostei no Sentra foi o silêncio a bordo em baixas rotações. O modelo tem volante com assistência elétrica (muito leve no manuseio), bancos que acomodam bem o corpo e uma ergonomia que torna os comandos bem acessíveis. No uso urbano sem grandes agressões ao pedal de acelerador, o motor e o câmbio permanecem de bico calado sem protestar com nada. O Calcanhar de Aquiles desperta nas altas rotações, quando a caixa CVT e o motor quase urram para mostrar vigor nas retomadas.
O carro aqui avaliado é o Sentra Unique, versão ´top´ que arranha os R$ 90 mil. Com couro bege forrando os bancos e bom acabamento nas coberturas das portas e teto, esse sedã é impressionantemente espaçoso na parte de trás, muito adequado para quem vai utilizar o carro com um chofer ou oferecê-lo, por exemplo, no chamado serviço de “transporte executivo”.
Considerações finais >> O novo Nissan Sentra de 7ª geração tem tabela de preço (base SP, sem frete) que começa em R$ 69.590 (carro de entrada com câmbio manual) e chega a R$ 88.490, com opção, também, de teto solar. Todas as versões do sedã oferecem controle de tração e estabilidade. No topo da linha (SL) ele traz GPS acionado em tela sensível ao toque, ar-condicionado bizone, partida sem chave, faróis com LEDs, roda aro 17” e seis airbags. Durante vários meses de 2015 o Sentra ficou em terceiro lugar nas vendas do seu segmento, perdendo apenas para o Toyota Corolla e Honda Civic. Ele também tem origem japonesa e, numa avaliação de qualidade de conjunto, nada deve aos concorrentes, apenas é pouco exibido em propagandas pelo seu fabricante.
Para finalizar, uma queixa: não consegui passar de 5,3 km/litro de etanol no consumo urbano, mesmo pisando leve no acelerador. Achei muito pouco para um propulsor bem equipado em tecnologia. No geral, tudo o mais é bem acertado: suspensão pouco escandalosa nos buracos, ótimo tamanho de porta-malas (apesar das incômodas alças laterais que invadem o espaço…), ar-condicionado eficiente e comandos de som e piloto automático de fácil utilização no volante. (Fotos: Ricardo Lêdo)














