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Renault Logan 2014: nem parece aquele patinho feio…

A Renault do Brasil comemora agora no início de dezembro de 2013, quinze anos de atuação como fabricante de automóveis no país. Em 2006 a empresa possuía 2,8% de participação no mercado nacional e hoje já tem 6,6% do total do bolo. Dois dos principais responsáveis pelo seu crescimento aqui na América do Sul são os modelos Sandero (hatch) e Logan (sedã), ambos projetos compactos oriundos da romena Dacia e que sempre se caracterizaram pelo acabamento simplificado acompanhado de muita robustez.

Seguindo o alinhamento estético global da marca francesa, a nova geração do Logan foi lançada oficialmente no início desta semana. O projeto foi quase que completamente mudado, pois a plataforma “L52” (designação interna da fábrica) substitui a antiga “L90”, carregando consigo, segundo dados do fabricante, 72% de novas peças. Dos 28% restantes, podemos englobar o ´trem de força´ (motor e câmbio manual de 5 marchas) que foi mantido.

Apesar de novas suspensões, aportes de acabamento e calibrações inéditas, o Logan mantém o mesmo rodar de sempre. O que se pode dizer é que a nova geração representa um ótimo salto na carreira desse carro que era apenas um automóvel feio e competente e que passa a ser um bonitinho e robusto.

Quem era, quem é >> A primeira geração do Logan caracterizou-se por ser o primeiro carro de muitas famílias que até aquele instante só tinham dinheiro suficiente para comprar um veículo usado. Queridinho entre taxistas (vendeu mais de 10.000 unidades para este fim) e para serviços robustos como os da Polícia do Rio de Janeiro, por exemplo, o Logan, sempre cumpriu o seu papel com competência. Esperta, a Renault armou uma estratégia que deverá injetar ainda mais ânimo nas vendas dele: reequipou o carro todo, mudando design e conteúdo sem mexer nos preços. As versões oferecidas são as seguintes: Authentique (R$28.990); Expression 1.0 (R$ 33.390), Expression 1.6 (R$ 39.440) e a topo de linha Dynamique (somente 1.6) que sai a R$ 42.100. A fábrica acredita que o catálogo “Expression” será responsável por 50% do mix de vendas, seguido pelo Authentique 1.0 e, finalmente, o mais caro da gama.

Mecânica >> Ponto forte desse carro (e do Sandero, que usa a mesma receita) é a ´casa de máquinas´. O chamado ´trem de força´ do Logan, pela sua eficácia e durabilidade, foi mantido. O motor 1.0 Flex (1.000 cm³) oferece potência variável entre 77 e 80 cv, atingindo o pico de força quando abastecido somente com álcool. O torque é de 10,5 kgf.m. Evidentemente, essa é a versão para quem pensa mais em economia de combustível, já que a unidade é qualificada com nota “A” no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.

O 1.6 8V Hi-Power (também flex e que foi adotado na linha em agosto de 2012) oferece potência de 98/106 cv e torque máximo de 15,5 kgf.m. Esse é mais agradável pela folga de força que tem em todos os níveis de rotação e, em opinião bem pessoal, me agrada muito mais por ter apenas 8 válvulas e estar sempre “cheio” nas saídas mais lentas. A caixa de câmbio (manual de 5 marchas) foi mantida e, provavelmente, a versão com câmbio automático somente deve chegar ao Brasil no segundo semestre de 2014.

Veredicto >> Escrevo esse texto diretamente de Campinas (SP), local aonde acabei de chegar após guiar o novo Logan por cerca de 110 quilômetros. Nitidamente, o nível de conforto foi ampliado pelo traquejo no acabamento interno. O interior está totalmente novo, com tecido de melhor qualidade, bancos feitos com tecnologia moderníssima (que na versão mais completa, dispensa costuras) e vários mimos somente encontrados em segmento superior. Dependendo da versão, o Logan agora pode vir com piloto automático, limitador de velocidade, indicador de troca de marcha, luzes de direção integradas aos retrovisores, Media NAV 1.2 (com GPS e várias funções, como o monitoramento de condução econômica), ar-condicionado automático, entre outros.

Além das melhorias visíveis, há outras que agregaram valor ao sedã compacto da Renault. A engenharia caprichou no isolamento acústico e a arquitetura interna está mais aconchegante, com ajuste de altura do banco do motorista, aberturas internas da tampa do porta-malas e do tanque de combustível e regulagem de coluna de direção. Um antigo ´Calcanhar de Aquiles´ continua acompanhando o Logan (o Sandero e o Duster, basicamente o mesmo projeto): há uma mínima (mas incômoda) aspereza, uma vibração longínqua no pedal do acelerador e na alavanca de câmbio.

No geral, no entanto, pode-se dizer que o ´up grade´ que o modelo ganhou foi acertadíssimo. Arrisco dizer que foi a jogada mais esperta do ano ao lado do lançamento da Fiat Strada com 3 portas. A equação que congrega robustez, nível de sofisticação mediano e preços acessíveis, ainda agrada (e muito) no Brasil. (Fábio Amorim / Fotos: divulgação)