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Sandero RS surpreende pelo equilíbrio e alta performance

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Às vezes fico pensando sobre como as coisas estão ficando estéreis, sem vida, cheiro ou história. Outro dia escrevi sobre o “Budd-e”, um carro da VW que é quase uma pessoa: comunica-se através de gestos, toques e reconhece ordens da voz humana. Diante de tanta modernidade e tecnologia, com tudo certinho no seu devido lugar, relembrei do passado, de outro VW, esse sim, com alma: o Fusca. Tanta gente deste Brasil foi concebida numa noite de amor dentro de algum Fusquinha com cheiro de gasolina… Que coisa linda isso!

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Agora os carros “conversam” contigo e, em breve, ninguém será o dono do volante. Vai ser um tédio só ser guiado por um computador que não erra. Eu hein…, a humanidade está ficando encapsulada por uma imensa camisinha de Vênus moral! Não é pra rir? Filosofei desse jeito para poder explicar melhor o Renault Sandero RS, um dos últimos bons veículos que testei recentemente.

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Mesmice >> Traduzo o trecho anterior. Com essa história de globalização – que inclui parcerias entre montadoras e compartilhamento de peças e o pior, de conceitos – os carros estão perdendo as suas identidades. Não é saudosismo bobo, mas uma triste constatação de uma verdade que dói na alma de quem gosta, de fato, de carros. As permutas de câmbios, motores, sistemas de embreagens e suspensões têm feito todo mundo ficar muito parecido entre si. Tudo quase igual, mais ou menos como a atual fase de produção de cervejas no Brasil: dez goles, quase só um sabor.

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Lampejo de vida >> O Renault Sandero RS, objeto central de hoje, foi – divinamente – concebido pela Renault Sport, divisão especial que cuida de projetos esportivos dessa marca lá na França, local aonde este ´hot hatch´ nasceu. Do Sandero original ele só tem o nome de batismo na documentação, já que na parte externa da carroceria não há essa nomenclatura e sim, somente as indicações “Renault Sport e RS” nas laterais e tampa do porta-malas.

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Fórmula que funciona >> A máquina ganhou uma receita clássica de preparação que dispensou até o turbocompressor, tão em alta em tempos de ´downsizing´ nos motores. Ele vem com o mesmo propulsor 2.0/F4R de 4 cilindros do Duster, só que, com alterações específicas para deixá-lo mais arisco. O câmbio é manual com 6 marchas e tem engates bem curtos e precisos. A suspensão foi rebaixada em 2,6 centímetros e as quatro molas ficaram muito mais rígidas do que no carro original.

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O Sandero RS é 92% mais ´duro´ na dianteira e 10% na traseira, sem falar que as barras estabilizadoras também foram enrijecidas em proporções significativas: 65% atrás e 17% na frente. Outro diferencial é que esse carro possui controle de tração e estabilidade e também freios a disco nas quatro rodas.

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Comportamento >> Ao selecionar o botãozinho “Sport” no painel, o ronco do motor e também o mapeamento do sistema eletrônico são alterados pra melhor. Se você já guiou algum Sandero “comum”, esqueça tudo o que sentiu. A diversão é completamente diferente. O hatch de 150 hp de potência é bravo mesmo: pisou, ele obedece na hora, sem aqueles lapsos durante as trocas de marchas. A subida de giros é constante e as mudanças no câmbio curtinho são obrigatórias e prazerosas. Uma delícia!

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Frigir dos ovos… >> O Sandero RS tem preço sugerido de R$ 58.990 e já vem com rodas de 16 polegadas. Por R$ 1.000 a mais, como único opcional, ele pode vir com rodas de liga aro “17 e pneus Continental Sport Contact 3 com medidas 205/45. Essa escolha vale muito à pena, tanto por causa da estética, como pela funcionalidade. Por fora e por dentro a ´maquiagem´ é totalmente diferenciada com bancos tipo concha, tecido mais esportivo, linguagem do painel, desenho das rodas, faixas decorativas, etc… Absolutamente tudo diferente.

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Faço apenas duas ressalvas: a Renault ainda não acertou a mão na qualidade do acabamento interno do Sandero, que continuou bem simplista nessa versão RS. Merecia um pouco mais de requinte e aconchego na arquitetura interna. Um pecado inaceitável para um conjunto tão exemplarmente equilibrado e fugaz.

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E o consumo é coerente com a cavalaria debaixo do capô. Ele fez uma média de 6,2 km/litro na cidade e algo em torno de 9,1 km/l na estrada. Esses são números que eu consegui, mas podem variar dependendo do peso do pé de cada um. Vale o velho ditado: “Cavalo anda, cavalo bebe”… No geral, um primor de hatchback: divertido, veloz, muito seguro em curvas e bem exclusivo. Um carro com alma viva à moda antiga. (Fotos: Ricardo Lêdo/Divulgação)

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